Com computador novo (no trabalho) abro o iTunes pela primeira vez e ele vai e começa a descarregar as músicas que seleccionei do velho.
Olho para a lista:
- Chico x 8
- Jobim x 2
- Caetano x 2
- Adriana x 2
- Maria Rita x 2
- Marisa Monte x 1 - cadê os outros?
- Elis Regina x 1 - só?!
Na mala Vinicius e o novo da Adriana, que já é velho, pois podia não ter música (brasileira) que chegasse!
Depois há um Sergio Godinho e um Jorge Palma para variar.
Não é por acaso que canto as músicas da Partimpim ao Pingente em português do nosso...
___
A propósito: o Partimpim Dois chega a Portugal em Novembro
(para quem não souber o que me oferecer nos anos)
segunda-feira, outubro 19, 2009
o meu iTunis
segunda-feira, outubro 12, 2009
Érase una vez
Era uma vez um menino que espirrou. Era uma vez um menino que espirrou, tossiu e teve uma pontinha de febre. Era uma vez um menino que, felizmente, não teve mais que isso...isso e uma semaninha em casa com a mamã enquanto o papel não chegava.
Quase a voltar à normalidade - esperamos! - encontro uma prenda que não posso deixar de partilhar
terça-feira, setembro 29, 2009
sábado, julho 18, 2009
Novo sentido
Quando me diziam que um filho nos faz ver as coisas com um sentido diferente nunca pensei que fosse para levar tão à letra.
Até cantar Jobim para lhe passarem as cólicas, até cantar Jobim para o adormecer. Até a letra ganhar outro sentido.
É, só eu sei
Quanto amor eu guardei
Sem saber que era só prá você
É, só tinha de ser com você
Havia de ser prá você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você
É, você que é feita(o) de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonita(o) demais
Se ao menos pudesse saber
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim
Só Tinha De Ser Com Você
Tom Jobim
Composição: Antonio Carlos Jobim / Aloysio de Oliveira
segunda-feira, julho 06, 2009
Verão Azul
Na RTP Memória, perto das 3 da manhã, está a passar o Verão Azul.
Tendo em conta que a essa hora as únicas crianças que estão acordadas são aquelas que ainda mamam durante a noite e cujas mães preferem fazer noitadas a serem acordadadas cedo, supõem-se que a reposição de tal série tenha como público alvo aqueles que eram crianças quando dava a horas decentes.
Supõem portanto que quem era criança quando a série dava a horas decentes está hoje em dia acordado às 3 da manhã num Domingo, por exemplo.
Têm-nos em boa conta!!...
_
Para quem esteja interessado: só no Sábado, graças a uma caça a rãs do Piranha, encontraram o barco e conheceram o Chanquete.
Ainda vão a tempo de ver a série quase toda.
quarta-feira, julho 01, 2009
A woman I loved
Como todas as figuras absolutamente singulares, Pina Bausch resiste às definições. Mas Fellini, que lhe deu um papel em "O Navio", deixou-nos uma bela tentativa: “Uma monja com um gelado, uma santa com patins, um rosto de rainha no exílio, de fundadora de ordem religiosa, de juíza de um tribunal metafísico, que de repente nos pisca o olho...”
in "Público"
quinta-feira, maio 14, 2009
Gostava tanto!
Só os nomes dos países que nem sabia que vinham no mapa serviam para começar a sonhar.
Depois, era ficar pasmada... como é que eles fazem a plasticina a mexer? Os bonecos que me esperavam imóveis eram uma desilusão quando regressava ao quarto.
Faz-me aflição pensar nos meninos que crescem sem ver nada disso; sem saberem que para lá dos desenhos animados, ao alcance de todos, há um mundo desconhecido cheio de imaginação à espera de ser descoberto.
Conto com a amiga animadora para ser o Vasco Granja do Pingente (estás a "ouvir"?!)
segunda-feira, fevereiro 09, 2009
segunda-feira, dezembro 22, 2008
Boas Festas!
O E Deus Criou a Mulher tem várias mulheres-bloggers como suas editoras durante o mês de Dezembro. [...] Por um dia, durante vários dias deste mês, não digo nada nesta casa. Apenas carregarei no botão "publicar". Com todo o prazer - para horas de contemplação, com estas convidadas-ilustradoras.
Eu, Miranda, fui uma das convidadas.
Depois de me babar com o convite e deleitar com mais umas visitas ao sítio para maior inspiração, foi tempo de deitar mãos à obra (ou à net, que a obra na verdade já estava feita).
Para não me perder, agarrei-me a mulheres fotógrafas para escolher as fotografadas.
Hoje foi dia de alguém carregar no "publicar".
Eu fui de férias.
Feliz Natal!!
Fiquem com Deus...
quinta-feira, novembro 27, 2008
"O Presidente"
Pouco depois de cair em Portugal um ditador, Thomas Bernhard escreve uma peça sobre um ditador que gosta de descansar em Portugal: Der Präsident.
Já a sua esposa prefere a montanha para descansar dos inúmeros funerais a que os anarquistas a fazem ir por tanto matarem quem lhe é próximo, incluindo o cão...
Descansam porque têm de descansar, que os anarquistas lhes dão descanso.
E longe, onde não haja anarquistas, como em Portugal.
Intemporal como os ditadores - presidentes de países mais ou menos à sua altura, ou de país nenhum - a peça está agora em cena no Teatro de Almada onde ao texto se soma a qualidade da representação, encenação e cenografia, formando um todo que não se encontra sempre.
Recomenda-se.
E, porque vale a pena dar a devida atenção (cerca de 3 horas, incluindo intervalo), recomenda-se também não ir numa quarta-feira depois de um longo dia de trabalho, digo eu...
segunda-feira, setembro 08, 2008
Actualidade
Império à deriva - Ed. Civilização
Em 1807, na iminência da invasão francesa, D. João tomou a decisão de fugir de Portugal pela única saída possível: o mar. Rumou ao Brasil e a bordo das naus levou 10 000 aristocratas, ministros, padres, criados, militares, a carruagem real, um piano e toneladas de livros e documentos. Ao fim de uma difícil viagem de dois meses, a corte portuguesa chegou ao Brasil imunda, esfarrapada e cheia de piolhos.
O Rio de Janeiro transformou-se rapidamente na “Versailles tropical”, construiu-se uma ópera, um jardim botânico e o paço real, tudo isto com vegetação exuberante como pano de fundo. Esta nova capital imperial era o maior porto de escravos das Américas, sendo este comércio a base da economia do país. No entanto, quando em 1888 a Princesa Regente, D. Isabel, aboliu a escravatura, não sabia que tinha acabado de dar o primeiro passo para a abolição da monarquia. Este é um livro recheado de personagens reais e inéditas: a rainha D. Maria, louca e deprimida, D. João, obeso e indeciso, D. Carlota, que detestava o marido e o Brasil, e D. Pedro, mulherengo irreverente, que proclamou a independência do Brasil.
Apesar de me ter sido oferecido em Novembro só ontem terminei de ler este livro que, haja outra disponibilidade, se pode ler de uma assentada e sempre com um sorriso nos lábios.
Digamos que o li ao ritmo do império em causa.
Depois de 500 anos a aprendermos como fomos um império magnífico - nomeadamente quem, como eu, teve a infelicidade de ter História durante os 500 anos de comemorações dos 500 anos dos Descobrimentos -, 200 anos depois da partida da Corte para o Brasil é tão boa altura como outra qualquer para se perceber como chegámos ao dias de hoje.
Ou como já estava cá tudo para sermos como somos!
Um livro bem mais actual do que parece...
terça-feira, julho 29, 2008
Ainda
...faltam 20 dias.
Semântica Electrónica
Ordeno ao ordenador que me ordene o ordenado
Ordeno ao ordenador que me ordenhe o ordenhado
Ordinalmente
Ordenadamente
Ordeiramente.
Mas o desordeiro
Quebrou o ordenador
E eu já não dou ordens
coordenadas
Seja a quem for.
Então resolvo tomar ordens
Menores, maiores,
E sou ordenado,
Enfim --- o ordenado
Que tentei ordenhar ao ordenador quebrado.
--- Mas --- diz-me a ordenança ---
Você não pode ordenhar uma máquina:
Uma máquina é que pode ordenhar uma vaca.
De mais a mais, você agora é padre,
E fica mal a um padre ordenhar, mesmo uma ovelha
Velhaca, mesmo uma ovelha velha,
Quanto mais uma vaca!
Pois uma máquina é vicária (você é vigário?):
Vaca (em vacância) à vaca.
São ordens...
Eu então, ordinalmente ordeiro, ordenado, ordenhado,
Às ordens da ordenança em ordem unida e dispersa
(Para acabar a conversa
Como aprendi na Infantaria),
Ordenhado chorei meu triste fado.
Mas tristeza ordenhada é nata de alegria:
E chorei leite condensado,
Leite em pó, leite céptico asséptico,
Oh, milagre ordinal de um mundo cibernético!
Vitorino Nemésio
sexta-feira, abril 11, 2008
À minha geração
Num Abril em que me dedico ao ópio do povo, qual monja em clausura, poucos vão sendo os laços que ainda me ligam ao mundo terreno.
Deixo aqui um desses momentos, ouvido no rádio, enquanto descia do céu.
Para ver de longe o que se sente de perto.
Num Abril, para pensar.
1970 (retrato)
JP Simões
A minha geração já se calou, já se perdeu, já amuou,
já se cansou, desapareceu, ou então casou, ou então mudou,
ou então morreu; já se acabou.
A minha geração de hedonistas e de ateus, de anti-clubistas,
de anarquistas, deprimidos e de artistas, e de autistas
estatelou-se docemente contra o céu.
A minha geração ironizou o coração, alimentou a confusão,
brincou às mil revoluções amando gestos e protestos e canções,
pelo seu estilo controverso.
A minha geração só se comove com excessos, com hecatombes,
com acessos de bruta cólera, de mortes, de misérias, de mentiras,
de reflexos da sua funda castração.
A minha geração é a herdeira do silêncio,
dos grandes paizinhos do céu,
da indecência, do abuso,
e um belo dia esqueceu tudo e fez-se à vida
na cegueira do comércio.
A minha geração é toda a minha solidão, é flor de ausência, sonho vão,
aparição, presságio, fogo de artifício, toda vício, toda boca
e pouca coisa na mão.
Vai minha geração, ergue a cabeça e solta os teus filhos no esplendor
do lixo e do descuido, deixa-te ir enquanto o sabor acre da desistência vai
corroendo a doçura da sua infância.
Vai minha geração, reage, diz que não é nada assim,
que e um lamentável engano, erro tipográfico, esttística imprecisa, puro
preconceito, que o teu único defeito é ter demasiadas
qualidades e tropeçar nelas.
Vai minha geração, explica bem alto a toda a gente que és por demais
inteligente para sujar as mãos neste velho processo, triste traste de Deus,
de fingir que o nosso destino é ser um bocadinho melhores do que antes.
Vai minha geração, nasceste cansada, mimada, doente por tudo e por nada,
com medo de ser inventada, o que é que te falta agora que não te falta nada?
Poderá uma pobre canção contribuir para a tua regeneração
ou só te resta morrer desintegrada?
Mas, minha geração, valeu a trapaça, até teve graça,
tanta conversa, tanta utopia tonta, tanto copo,
e a comida estava óptima! O que vamos fazer?
sábado, fevereiro 23, 2008
Hasta la victoria, siempre!*
"[...] En primer lugar, una revolución no se produce sin causa. Los que crean que nosotros somos los causantes de la Revolución, se equivocan; los causantes de la Revolución, paradójicamente, son los que no pueden querer la Revolución. No habría Revolución si no hubiese existido tanta injusticia en nuestro pueblo.
Es bueno partir de esta base: de que la culpa de que nuestro país se vea envuelto en una revolución la tiene los grandes abusos que se cometieron durante tantos años con nuestro pueblo, la tiene la explotación a que se veía sometido el país, a que había estado sometido siempre. Cualquiera comprende que sin esas circunstancias no habría tenido lugar una revolución en nuestro país.
La Revolución era, pues, una necesidad, y la Revolución se está haciendo, y la Revolución ¡se hará!
Y ¿que es una revolución? ¿Es, acaso, un proceso pacífico y tranquilo? ¿Es, acaso, un camino de rosas? La Revolución es, de todos los acontecimientos históricos, el más complejo y el más convulso. Es una ley infalible de todas las revoluciones, y la historia lo enseña; ninguna revolución verdadera dejo de ser, jamás, un proceso extraordinariamente convulso, o, de lo contrario, no es revolución. Cuando hasta los cimientos de una sociedad se conmueven, y solo la revolución es capaz de conmover los cimientos y las columnas sobre las cuales se erige un orden social, como solo una revolución es capaz de conmoverlos, y si esos cimientos no se conmueven, la revolución no tendría lugar, porque una revolución es algo así como destruir un viejo edificio para construir un edificio nuevo, y el nuevo edificio no se construye sobre los cimientos del edificio viejo. Por eso, un proceso revolucionario tiene que destruir para poder construir.
[...]
Sin embargo, como no hay mejor lección que los hechos, era necesario que los hechos vinieran a enseñarnos, era necesario que los propios hechos condujeran al pueblo, a la gran masa del pueblo, a una comprensión mejor de lo que es una revolución; y, sobre todo, en primer lugar, que una revolución no es un camino de rosas, y que una revolución es una lucha a muerte entre el futuro y el pasado, y que la propia naturaleza de todo proceso revolucionario hace imposible toda otra alternativa; el choque de intereses es demasiado enconado en una revolución para que pueda ser de otra manera. El viejo orden se resiste siempre a morir, y el nuevo orden, la nueva sociedad, el nuevo mundo que se forja en una revolución, pugna con todas sus energías para sobrevivir; la lucha se convierte para ambas fuerzas en una cuestión vital: o las contrarrevoluciones destruyen a las revoluciones, o las revoluciones destruyen a las contrarrevoluciones.
[...]
Pero en nuestro país ocurría, además, una circunstancia especialísima, porque el apoyo más poderoso de la contrarrevolución, su fuerza principal, no era, sin embargo, ese lumpen de miserables, de parásitos, de explotadores, de asesinos, de viciosos y de cobardes. El apoyo más poderoso de la contrarrevolución era el apoyo de una fuerza que se hace sentir en todo el mundo, de una fuerza muy poderosa; tan poderosa, que hoy es el freno principal del avance de la humanidad; tan poderosa, que crea conflictos en todos los continentes del mundo; tan poderosa, que interfiere en los problemas de una gran parte de las naciones del mundo; tan poderosa, que aspira a decidir destinos y, en muchos casos, decide destinos de pueblos.
El apoyo fundamental de la contrarrevolución en Cuba vino a ser, necesariamente, el apoyo de los grandes monopolios extranjeros, es decir, el apoyo de las grandes fuerzas imperialistas. Tan poderosa, tan poderosa es esa fuerza, que en América, ¿cuántos son los gobiernos que pueden decirle “no”?, ¿cuántos son los políticos que pueden decirle “no”? Tan poderosa es esa fuerza, que entre tantos pueblos de América, son pocos, muy pocos, los políticos, y son verdaderas excepciones los gobiernos que pueden decirle “no”. Tan poderosa, tan poderosa es esa fuerza, que la mayor parte de los hombres públicos, y la inmensa mayoría de los gobernantes de este continente y de los demás continentes, siempre tienen que decir “yes”. Y nuestro pueblo le dijo al poderoso, al poderoso, al que muchos le decían “yes”, ¡nuestro pueblo le dijo “no”! Pero no es fácil pronunciar la palabra “no” ante un poderoso.
El “no” de los pueblos no se pronuncia impunemente ante el rostro de un imperio poderoso. La Revolución Cubana tenía que ser, necesariamente, ese “no” al imperialismo, y el imperialismo decidió destruir a esa Revolución que pronunció la palabra “no”, desentonando con el coro infame de los que siempre han dicho “yes”.
[...]
La lucha de la Revolución Cubana se vino a convertir en una epopeya, la epopeya de una revolución que tiene lugar en un país pequeño, en lucha contra el más poderoso imperialismo de los tiempos contemporáneos, y ese poderoso imperialismo ha puesto todos sus servicios y todos sus recursos al lado de la contrarrevolución. El imperialismo se convirtió en jefe de la contrarrevolución, y en este minuto nos vemos envueltos en una lucha en la cual la contrarrevolución cuenta con todo el apoyo de ese poderoso imperio.
Quizás ese sea el mayor mérito de nuestra Revolución; quizás ese sea el mayor mérito que la historia reconozca a nuestra Revolución; que no se enfrenta a un enemigo pequeño, sino a un enemigo muy poderoso, y ese enemigo poderoso ha sido el encargado de “revolver la gusanera” aquí en nuestro país agitado. Y los gusanos se han removido, los gusanos se han agitado.
[...]
Nosotros hemos aceptado todas las contingencias de esta lucha; nosotros, serenamente, estamos prestos a afrontar lo que sea necesario afrontar. Por tanto, para nosotros no hay camino incierto, todos los caminos para nosotros, es decir todo lo que nos conduce o nos espera en el futuro, es cierto; porque nosotros nos hemos trazado una línea y cualquiera que sea nuestro destino, será siempre un gran destino, porque grande es el destino de los pueblos que triunfan ¡y grande es el destino de los pueblos que saben morir antes que aceptar la derrota! Nosotros jamás seremos vencidos. Para los que defendemos una causa justa, ¡la derrota no existe!
[...]
Y no pensamos solamente en Cuba, que sería egoísta, pensamos también con tristeza en los sacrificios que una agresión a nuestro país implicaría para otros pueblos, los peligros que pueda implicar para la humanidad, porque por encima de los hombres, de los individuos, están las naciones, ¡y por encima de las naciones esta la humanidad!
Por eso, hoy, al marcharnos para nuestras casas, o para nuestros puestos, debemos llevar el sentimiento de que estamos viviendo un minuto trascendental de la historia de nuestro país y de la historia del mundo, y llevémonos la convicción de que nuestra consigna de ¡Patria o Muerte! es no solo una consigna en nombre de la patria, sino también en nombre de la humanidad."
do discurso de Fidel Castro no desfile na Plaza Civica a 2 de Janeiro de 1961.
A História absolvê-lo-á.
*diria Che Guevara.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
"Quase"

foto: Francesca Woodman
Um pouco mais de sol – eu era brasa.
Um pouco mais de azul – eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão ... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho – Ó dor! – quase vivido ...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o principio e o fim – quase a expansão ...
Mas na minh' alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
– Ai a dor de ser-quase, falhei em mim,
– Asa que se enlaçou mas não voou...
Mário de Sá-Carneiro
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Até para o ano!
Para 2008 deixo-nos com (mais um) poema de José Carlos Ary dos Santos
O Futuro
Isto vai meus amigos isto vai
um passo atrás são sempre dois em frente
e um povo verdadeiro não se trai
não quer gente mais gente que outra gente
Isto vai meus amigos isto vai
o que é preciso é ter sempre presente
que o presente é um tempo que se vai
e o futuro é o tempo resistente
Depois da tempestade há a bonança
que é verde como a cor que tem a esperança
quando a água de Abril sobre nós cai.
O que é preciso é termos confiança
se fizermos de maio a nossa lança
isto vai meus amigos isto vai.

O último pôr do sol em Lisboa de 2007.
sexta-feira, novembro 09, 2007
"Revogou-se o direito de torrar a vida alheia."
in "O Português que Nos Pariu - Uma visão brasileira sobre a história dos portugueses", Angela Dutra de Menezes
pag.161. 5ª frase completa
sexta-feira, outubro 26, 2007
"Get Drunk"
Always be drunk.
That's it!
The great imperative!
In order not to feel
Time's horrid fardel
bruise your shoulders,
grinding you into the earth,
Get drunk and stay that way.
On what?
On wine, poetry, virtue, whatever.
But get drunk.
And if you sometimes happen to wake up
on the porches of a palace,
in the green grass of a ditch,
in the dismal loneliness of your own room,
your drunkenness gone or disappearing,
ask the wind,
the wave,
the star,
the bird,
the clock,
ask everything that flees,
everything that groans
or rolls
or sings,
everything that speaks,
ask what time it is;
and the wind,
the wave,
the star,
the bird,
the clock
will answer you:
"Time to get drunk!
Don't be martyred slaves of Time,
Get drunk!
Stay drunk!
On wine, virtue, poetry, whatever!"
Charles Baudelaire
quinta-feira, junho 14, 2007
"A Indiferença"
Primeiro levaram os comunistas, mas Eu não me importei porque não era nada comigo.
Em seguida, levaram alguns operários, mas a Mim isso não me afectou porque Eu não sou operário.
Depois, prenderam os sindicalistas, mas Eu não me incomodei, porque nunca fui sindicalista.
Logo a seguir, chegou a vez de alguns padres, mas como Eu não sou religioso, também não liguei.
Agora levam-me a Mim e quando percebi, já era tarde.
Brecht
terça-feira, maio 22, 2007
"O que há em mim é sobretudo cansaço"
O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...
Álvaro do Campos

