Alguém sabe onde se arranjam empregos?
Daqueles bons, das 9 às 5.
O ideal era mesmo um emprego em que não tivesse de falar com ninguém, sem telefone seria perfeito, se não tiver que pensar melhor ainda.
Alguém sabe onde se arranjam empregos?
Estou tão cansada de ter trabalho...
terça-feira, dezembro 22, 2009
Procura-se emprego
quarta-feira, março 11, 2009
Matryoshka@work

Há algumas semanas que a minha última visita à obra vem a ser adiada pelas mais variadas razões. Às 37 semanas - vulgo 8 meses e qualquer coisa -, perante a hipótese de novo adiamento, levanto a bandeirinha de "agora ou nunca".
A conversa que se segue é digna de registo.
Personagens: a Matryoshka em contagem decrescente (M), o colega que deverá acompanhar a grávida para depois acompanhar a obra (OC), a colega com um pingo de lucidez (AC)
OC - Tem mesmo de ser esta semana?
M - Pela obra não, mas depois podes ter de ir só tu.
OC - É que esta semana é mesmo difícil. E se fôr segunda-feira?
M - Segunda tenho consulta, podemos ir depois. Se tenho consulta marcada em vez de parto é porque não deve nascer até lá...
OC - Mas pode nascer?
M - Pode. Pode nascer e pode não nascer.
AC - Podemos mudar a reunião de amanhã de manhã.
OC - Se fôssemos amanhã tínhamos de sair às 8h para estar cá à 15h.
[M sente a barriga a ficar dura: pode ser de estar em pé, pode ser do nervoso de uma conversa que se arrasta há horas, pode ser da perspectiva de sair às 8h da manhã para uma correria...]
OC - Achas melhor amanhã ou segunda? Diz tu, o que é que te parece?
[M fica sem resposta]
AC - Não vês que a única pessoa que te podia responder ainda não fala?!
segunda-feira, dezembro 15, 2008
Quem dera
a muito jovem ser tão novo.
Oscar Niemeyer faz hoje 101 anos.
"A data não é importante. A idade não é importante. O tempo não é importante. A arquitetura não é importante. O que nós criamos não é importante. Somos muito insignificantes", declarou ao The Times quando fez 100 anos. "O que é importante é ser tranqüilo e otimista."
sexta-feira, dezembro 12, 2008
quinta-feira, outubro 30, 2008
Qual alívio?!
quarta-feira, junho 04, 2008
"Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce"

É possível que Pessoa tenha sonhado que assim fosse na tal cidade cercada de ventos penhascos oliveiras e sobreiros.
Nessa cidade onde Régio deixou a sua colecção de Cristos e de onde Pessoa não conseguia sair de tanto cansar-se de não fazer nada, é possível acreditar que a Obra nasce do sonho e da vontade divina.
Infelizmente não é tão simples, nomeadamente para o Homem.
Sonhar não chega, por mais que Deus queira; é preciso perceber como se passa do sonho para a obra de forma... terrena!
Sentindo em redor de mim um mundo moralmente frio e materialmente quente - abaixo de zero quanto à minha alma e não longe dos 40 quanto ao meu corpo- nestas circunstâncias angustiosas e inspiradoras, volto para acompanhar dia a dia os últimos dias antes do parto de uma nova Obra.
Deus sonhou, o Homem quis e a Obra nascerá.
Este ano o Santo António será passado na Santa Terrinha.
Depois volto ... se Deus quiser.
quinta-feira, maio 29, 2008
sábado, maio 10, 2008
há ir e voltar

img. Toni Frissell
Todos os anos, quando era pequena, aprendia a nadar nas férias de verão.
Todos os anos, durante uns bons anos, quando acabavam as aulas na escola começavam as aulas de bruços, depois de costas, depois de crawl e depois ia para a praia antes de começar a mariposa.
Todos os anos, quando começavam as aulas de natação, fazia piscinas de braços esticados sobre a boia dando às pernas como um barco a motor.
Todos os anos, quando começavam as aulas de natação, fazia piscinas com a cabeça entre os braços e a cara dentro de água até faltar o ar.
Agora, desde há uns bons anos, retomo os exercícios com ligeiras diferenças.
Todos os anos, quando o tempo começa a aquecer - ou basta começarmos a esperar que aqueça - enchemos o peito de ar e damos às pernas, aos braços, aos dedos, até faltar o ar.
Agora nem é preciso estar sol que o exercício é feito em espaço coberto.
Agora nem é preciso estar quente que o exercício faz-se vestido.
Agora nem é preciso quase nada: bastam uns computadores e uma máquina de café.
Agora, todos os anos, quando os outros começam a pensar nas férias, enchemos o peito de ar e damos às pernas, aos braços, aos dedos, até faltar o ar.
Então temos o tempo de uma braçada para por a cabeça de fora e encher o peito de ar; para continuar a dar à pernas, ao braços, aos dedos, até voltar a faltar o ar e voltarmos a por a cabeça de fora para inspirar...
É assim todos os anos, até às férias de verão.
"Não sei como acontece; ainda agora estava de cachecol e quando volto a olhar já anda tudo de xanata!" costuma dizer a Susy... todos os anos.
quinta-feira, março 20, 2008
Votos de uma Santa Páscoa

Pawel Fabjanski
Pela parte que me toca, continuo a dedicar estes momentos ao Senhor.
Mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta:
O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?
Porventura não fez a minha mão todas estas coisas?
Actos dos Apóstolos, 7. 48-50
Se olharmos à volta percebe-se que o estrado não está em muito bom estado e até o trono já teve melhores dias.
Mas como andam as coisas entre o céu e a terra, o Senhor terá mais com que preocupar e as mãos não lhe chegam para tudo. Só a terra Dele deve chegar para tirar os santos do desemprego!
Por isso, por aqui, temos nós que Lhe dar uma mãozinha...
segunda-feira, fevereiro 04, 2008
(triste) Sina

foto: Igor Vishnyakov
Vejo que algum gato preto se deve ter atravessado no meu caminho.
Vejo que o colar contra o mau olhado não fez efeito.
Vejo os planos de descanso depois da festa estilhaçarem-se como um espelho.
Vejo um escadote cada vez mais perto.
Vejo uma bola de cristal com vontade de voar contra a cabeça de alguém.
Vejo-me (mais uma vez) a trabalhar no carnaval.
quinta-feira, janeiro 31, 2008
Mir anda nas obras

foto: David Allen em AllPosters
Não sou muito sensível a tratamentos especiais e a vida seria mais simples se todos nos tratássemos por "tu" (muito "doutor" tem este país!).
Não gosto quando a rapariga que me põe gasolina no carro, da minha idade, me trate por "senhora"; mas isso tem a ver com outra razão.
A mesma razão porque gosto que me tratem por "menina".
...Excepto pelo instalador de equipamentos eléctricos com chapéu de abas largas!
de arquitecto (4)

"o lugar permanece, o objecto caduca"
António Jimenez Torrecillas,
em conferência 30.01.08 na UAL
sábado, janeiro 19, 2008
de arquitecto (3)
"Architecture tends to consume everything else, it has become one's entire life." Arne Jacobsen
Quando se sai do atelier à sexta feira e se vai jogando "City Bloxx" no carro até à casa onde sábado de manhã se vê o "Querido Mudei a Casa" ao pequeno-almoço antes de voltar a trabalhar, há frases que começam a ganhar significados preocupantes...
quarta-feira, dezembro 19, 2007
Vida de arquitecto (6)
quinta-feira, outubro 18, 2007
Trabalhadores dos sete ofícios

img: "One man band" - Pixar
"Os patrões e os sindicatos europeus aceitaram um acordo de princípios destinado a permitir maior flexibilidade no mercado de trabalho, anunciou hoje o primeiro-ministro português e presidente em exercício da União Europeia.[...]
Em conferência de imprensa, tendo ao seu lado o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, Sócrates adiantou que, na sequência deste "acordo histórico", a presidência portuguesa da UE está agora em condições para apresentar em Dezembro uma proposta sobre modernização do mercado de trabalho e princípios da flexisegurança.[...]
"As empresas têm que se adaptar aos novos desafios, mas os trabalhadores também têm que estar preparados para enfrentar as mudanças, tendo a capacidade para desempenhar novos empregos", advertiu [o representante das confederações patronais, Antoine Seillère].
Público
Não tenho pensado noutra coisa, nos últimos tempos, senão em mudar de emprego.
Na verdade nem é uma questão de emprego, mas de profissão.
Na verdade nem é uma questão de profissão, mas de vida.
Não tenho pensado noutra coisa, nos últimos tempos, senão em mudar de vida, logo de profissão, logo de emprego.
Erro de raciocínio!
Falando com outras pessoas percebo que nas outras profissões também não se está melhor.
(voltando ao príncípio:)
Não tenho pensado noutra coisa, nos últimos tempos, senão em mudar de vida, logo ... de país?
...
E se eu não quiser sair de Lisboa?
"Uma arquitecto tem que saber fazer tudo", disse-me o meu patrão no primeiro dia de trabalho.
Aparentemente a frase tinha um sentido muito mais lato do que pensei (pensámos?) na altura.
terça-feira, outubro 02, 2007
"Partly Cloudy, 82% Chance of Rain"

Queria uma profissão onde pudesse ser criativa, reimaginar o mundo, reinventar a vida.
Queria uma profissão em que pudesse dar parte de mim para melhorar alguma parte de outros.
Queria uma profissão sem rotinas, sem cair na monotonia, sem ceder a automatismos.
Queria uma profissão que se confundisse com a própria vida, sem sentir o fardo de "ir trabalhar".
Consegui...
Tenho uma profissão onde se criam soluções para problemas que nos impõem sem grande interesse pelos problemas que realmente queremos resolver.
Tenho uma profissão em que dou demais de mim para melhorar ainda não percebi que parte de que outros, nem sequer tenho a certeza se os outros querem que lhes melhoremos alguma coisa.
Tenho uma profissão em que posso sempre trabalhar mais do que o horário previsto, tremo cada vez que toca o telefone antecipando novos problemas para resolver, telefono, olho os catálogos, telefono, tiro medidas, atendo o telefone, penso rápido, telefono, peço ajuda, telefono, envio mails, confirmo com vinte mil pessoas a posição do parafuso e talvez resolva alguma coisinha...até ao próximo telefonema.
Tenho uma profissão que se confunde com a própria vida, em que a vida se vai resumindo a "ir trabalhar".
Comecei a perceber o que me esperava em 1999.
Em 2000 mentalizei-me: "It´s not going to stop".
E, apesar de muito equacionar o assunto, até hoje não encontrei alternativa...
Já dizia Oscar Wilde: "When the gods wish to punish us, they answer our prayers."
quinta-feira, setembro 20, 2007
sexta-feira, junho 01, 2007
"I love my job..."
Vida de Arquitecto (5)
Fim de semana são os dois dias em que os arquitectos podem trabalhar, enquanto engenheiros, donos de obra, presidentes de câmara e sabe-se lá que mais ganham fôlego para continuarem a impedir-nos de o fazer nos cinco dias a que chamam úteis.




