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segunda-feira, maio 26, 2008

(n)Uma casa portuguesa



Uns dias porque não dá jeito, outros porque não apetece; se dão 2 meses podiam dar 4, ou apenas uma semana...

Este ano tentámos entregar a maldita declaração mais cedo: começámos 2 dias antes do fim.
Mas havia papéis e contas e facturas e recibos de mais de 1 ano para arrumar.
Mas há sempre papéis e contas e facturas e recibos que não se encontram mesmo depois de tudo arrumado.

Podem informatizar, internetizar, simplexificar, que há sempre qualquer coisa que desapareceu no ano transacto.
Por mais que nos preencham campos automaticamente - nem que seja em troca de campos novos para preencher - há sempre "o Papel"que faz falta.
Falta sempre um "Papel".


Numa casa portuguesa, o IRS é entregue no último dia...
... concerteza!


Ou será que só nós somos assim?

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Jogo de adultos (1)*


Natal 2007 0
de miro_me_mira.


Com um dia de reis passado no aeroporto e os dias seguintes dedicados à causa eclesiástica, continuou-se a tradição de manter as decorações natalícias até ao aniversário da Ladybug, quando me apercebo que janeiro acabou.
Dado que este ano o carnaval se adiantou achei por bem não dar por mim mascarada de rena e arrumar as traquitanas antes que fevereiro chegasse.

Ontem foi noite de jogar Tetris...

Em dois meses as bolas cresceram, ou foram as luzes que se multiplicaram, ou foram descobertas novas constelações, ou chegarm os reis magos ao presépio...não sei.
O incenso é o que já tinha e com muita pena minha não encontrei nem mirra nem ouro (mais pelo ouro, que passo bem sem mirra)...
Sei é que as duas caixas de onde saiu o natal do ano passado não chegavam para entrar o natal deste ano.

Por outro lado - em busca do caixote da árvore, saltitando pelo closet nos poucos milímetros quadrados de chão diponível - descobri que tanto eu como o meu esposo devemos ter sido centopeias noutra encarnação (ao contrário do que diz o teste) ou pensávamos que quanto mais sapatinhos puséssemos à disposição do pai natal mais presentes recebíamos.

Ontem foi noite de jogar Tetris.

Quatro pares de scketers azuis escuros num degradé de anos ao sol reduzidos ao par mais escuro, que há outras formas de guardar memórias que ocupam menos espaço e se eu me despedi das minhas Doc Marteens já é tempo dele também fazer despedidas.
Para que preciso de tanto chinelo se quase nunca estou em casa?!
Sapatos altos em baixo, sapatos baixos em cima.
Maldita invenção as botas, para quê canos tão altos? E agora as botas da neve! Houvesse espaço nas caixas e seguiam para a arrecadação com os enfeites de Natal que não devem fazer falta antes.
Caixas, caixinhas e caixotes meticulosamente encaixados.

Tira bola, põe bola, encaixa o pai natal no boneco de neve, encaixa a nossa senhora nos azevinhos, encaixa os sinos nas luzes, encaixa o menino jesus nas estrelas...
Para o ano - quando fôr rica e não saber o que fazer ao dinheiro - compro tudo novo: espalmado. Bolas só se forem insufláveis!

Ontem foi noite de jogar Tetris.

Antes Tetris que Monopólio, ou - dadas as actuais circunstâncias - estaria certamente na cadeia...



*A opção por voltar a este título depois de ter passado pelo lego resulta de interesses absolutamente narcisistas de base estatística: apercebi-me que "jogo da adultos" é uma das princípais entradas neste blog a partir de procuras no Google. Estou em crer, no entanto, que não serão bem estes jogos que procuram...

sábado, outubro 27, 2007

No início era o Lego

...à medida que crescemos deixámos de ter desculpa para continuar a encaixar pecinhas para voltar a desmontar tudo e refazer de novo.
Depois tínhamos os puzzles com mais e mais peças até nem sabermos onde os montar sem pôr em causa os jantares na mesa da sala, voltar a desmontar tudo, pôr na caixa e amontoá-la junto das outras.
Depois tentávamos estar o mínimo de tempo em casa dos pais.
Depois passámos a ter casa nossa.
É aí que entra o Ikea.

Que jogos maravilhosos inventam os nórdicos!
Recebemos as pistas deste novo jogo do "tesouro" na caixa do correio e, como somos crescidos, não é qualquer sítio que serve de esconderijo ao precioso objecto a descobrir: dirigimo-nos a um labirinto especialmente construido para o efeito, de preferência ao Sábado, quando há mais jogadores.
Uma vez encontrado o "tesouro" começa a tarefa de montar as peças todas - tipo lego - sem deixar nenhuma de fora - como um puzzle.
Como somos pessoas crescidas, sem tempo para brincadeiras, convém terminar essa tarefa em menos tempo do que demorávamos a solucionar o Cubo Mágico (sem tirar os autocolantes).

E o melhor, enquanto pessoas crescidas que somos, é que não precisamos admitir que estamos a brincar!
Oficialmente trata-se de poupar dinheiro em objectos absolutamente essenciais fazendo o que outros cobrariam para fazer; pelo menos é o que nos vendem.

"O que importa não é o tempo que andamos desencontrados, é como aproveitamos sempre que nos encontramos", dizem eles, "a apertar e desapertar parafusos", acrescento eu.

Só gente que não pode sair de casa na maior parte do ano se poderia lembrar de um jogo tão rebuscado!

terça-feira, outubro 02, 2007

"Partly Cloudy, 82% Chance of Rain"


  • Magnolia


  • Queria uma profissão onde pudesse ser criativa, reimaginar o mundo, reinventar a vida.
    Queria uma profissão em que pudesse dar parte de mim para melhorar alguma parte de outros.
    Queria uma profissão sem rotinas, sem cair na monotonia, sem ceder a automatismos.
    Queria uma profissão que se confundisse com a própria vida, sem sentir o fardo de "ir trabalhar".

    Consegui...

    Tenho uma profissão onde se criam soluções para problemas que nos impõem sem grande interesse pelos problemas que realmente queremos resolver.
    Tenho uma profissão em que dou demais de mim para melhorar ainda não percebi que parte de que outros, nem sequer tenho a certeza se os outros querem que lhes melhoremos alguma coisa.
    Tenho uma profissão em que posso sempre trabalhar mais do que o horário previsto, tremo cada vez que toca o telefone antecipando novos problemas para resolver, telefono, olho os catálogos, telefono, tiro medidas, atendo o telefone, penso rápido, telefono, peço ajuda, telefono, envio mails, confirmo com vinte mil pessoas a posição do parafuso e talvez resolva alguma coisinha...até ao próximo telefonema.
    Tenho uma profissão que se confunde com a própria vida, em que a vida se vai resumindo a "ir trabalhar".

    Comecei a perceber o que me esperava em 1999.
    Em 2000 mentalizei-me: "It´s not going to stop".
    E, apesar de muito equacionar o assunto, até hoje não encontrei alternativa...

    Já dizia Oscar Wilde: "When the gods wish to punish us, they answer our prayers."

    sábado, setembro 15, 2007

    Setembro

    No ano em que caíram as torres comecei a trabalhar.

    Lembro o espanto enquanto falávamos ao telefone, o silêncio enquanto não discorremos que era melhor desligar, minutos de boca aberta a olhar para a televisão de um lado e do outro da linha.
    Lembro que estava em casa e em cima da mesa o trabalho para a faculdade ficou à espera que o mundo percebesse o que se estava a passar.
    Lembro o muito que se falou de arquitectura e engenharia nesses dias em que todos pensavam ser melhor viver em bunkers.

    No dia mundial da arquitectura, desse ano, comecei a trabalhar.

    Nunca lembro há quantos anos trabalho nesse sítio e quando me vejo obrigada a lembrar desconto os estágios, para parecer menos.
    Há seis anos que faz sentido que me regule por anos civis. Mas antes houve outros seis, outros seis. (contas do diabo!)
    Desde os seis anos entre estar na creche e ir para a escola primária, que a vida se regulou por anos lectivos. Desde que acabei os estágios que perdi a conta aos anos.

    Setembro é mês de acabar um ano e começar o outro.
    Acaba-se uma jornada, escondem-se na sombra as obrigações e abraça-se o sol, descansa-se e em Setembro carregam-se baterias para o que lá vem.
    Em Setembro já todos, na família, tínhamos feito anos; recomeçava-se a contagem em Novembro.
    Setembro é mês de arrumar passados e inventar futuros, de definir novos sonhos ao som da Carvalhesa.
    Avante!

    No ano em que caíram as torres comecei a trabalhar.

    Há seis anos que caem rotinas, hábitos, intransigências e manias, caem moradas e números de telefone, caem horas por dormir e sonhos por acordar...
    Mas há ciclos com fundações muito mais profundas que as dos arranha-céus.

    quinta-feira, maio 24, 2007

    Jogo de adultos



    Quando se é criança joga-se ao esconde, procuram-se tesouros ou um simples lencinho.
    Há também quem passe a Páscoa à procura de ovos propositadamente escondidos.
    Na primavera, todos os anos, durante todo um serão, eu e o meu querido esposo jogamos o mesmo jogo:

    "Onde está a senha das finanças?"

    terça-feira, outubro 24, 2006

    Estou velha.


    foto: efendi art studio

    Que outra explicação pode ter demorar até terça-feira - pelo menos (até ver) - a recuperar de uma festa de anos na sexta e um jantar - em que nem saí de casa - no sábado; quando o domingo foi reservado à ressaca colectiva e segunda-feira, não fosse o Hitchcock, estaria a dormir às dez da noite?

    Pode ser do outono. Pode ser da chuva.
    Pode ser mais um aniversário a aproximar-se* e a aproximar-me da idade crítica.
    Mas quando me lembro que estamos em vias de comemorar os dez anos da nossa entrada para a faculdade, acho que é velhice mesmo!

    Pudesse eu reformar-me e nem me aborrecia muito...



    *detesto esta mania de porem luzes de Natal tão cedo, mas escreverei sobre isso noutra ocasião.

    quarta-feira, janeiro 18, 2006

    Estou velha, aliás, crescida...

    Cheguei aquele ponto em que tenho dúvidas entre um cartão para mulheres ou um para jovens.

    "cartão fast woman
    O mundo fast tem um lado feminino, cheio de vantagens, prémios e parcerias com as melhores marcas. O cartão fast woman foi pensado para a mulher moderna e exigente.
    cartão fast generation
    Ideal para jovens até aos 25 anos. O cartão fast generation dá inúmeras vantagens que vão encher de pontos positivos as aventuras da nova geração."


    Vá-se lá saber porquê eles atribuiram-me o "woman" sem dúvida nenhuma...

    Posso já não ter 25 anos, mas ainda nem tenho 30!