quinta-feira, março 30, 2006

Pausa para lanchar

Desde que passou a ser dia à hora em que saio do trabalho que passei a sair do trabalho à noite.
Hoje preferi não voltar depois de jantar, o que significa jantar apenas quando sair. Tive de parar para lanchar à hora em que devia sair para jantar!
É de dia.
Fim de tarde.

Tenho a cabeça em água...excesso de informação, reunião atrás de reunião, decisão atrás de decisão (e nem fui eu a decidir!)
Ouvir e registar, registar; registar para desenhar. Não esquecer nada.
Não me lembro de nada...
Entre o caos e o vazio.
Preciso de arrumar a cabeça. E a mesa.

- Quem chegou há pouco tempo deve pensar que isto é um sítio de loucos.
- Quem cá está há muito tempo também...


Antes de sair passei meia hora de telemóvel emprestado em punho a telefonar para a minha mala na esperança que me dissesse onde se tinha escondido.

de Italia

chegam notícias de que ficámos em segundo lugar no concurso.

A máfia existe.

A almofada e boa conselheira...

Não há nada como um dia depois do outro...
...e muito muito trabalhinho pela frente!

quarta-feira, março 29, 2006

Pura retorica

O que é que se faz quando se quer gritar ou chorar compulsivamente, mas há tarefas úteis a fazer e desesperar não tem qualquer interesse?
O que é que se faz quando se olha para o computador e não passa de um ecrã com pontos mais escuros?
O que é que se faz quando o cérebro se recusa a obedecer à razão e insiste em pensar no que não pode fazer nada para alterar?
O que é que se faz quando só apetece saltar pela janela deixando tudo para trás?
Olho para a janela: quero voar sobre a ponte, sobre o Tejo, sobre o mar...

Gostava de levantar voo, nem que fosse em sonhos...mas nunca me aconteceu.

terça-feira, março 28, 2006

O Homem que Corria Mundo III


Quando o Homem que Corria Mundo chegava ao fim do mundo tinha à espera a comida de que gostava.
O Homem que Corria Mundo gostava de comer um opulento Cozido à Portuguesa. Os italianos e os gregos também tinham uma boa cozinha, mas não a nossa carne, o nosso peixe ou os nossos enchidos.
O Homem que Corria Mundo passava bem sem a cuisine française e jantava num restaurante português em Bruxelas.
Trazia pato e foie-gras de França, mas esperava que no fim do mundo huvesse uma Feijoada à sua espera. Não prescidia da Alhada de Cação ou da Sopa de Miúdos no Natal.
Trazia escargots mas trocava-os de bom grado por cabidela de galinhas criadas pela sua mãe.
Trazia caviar mas no fim de uma noite bem passada com os amigos ía fazer Açorda Alentejana.
O Homem que Corria Mundo trazia mostarda de Dijon e, com bifes de 250g e 2cm de espessura que o irmão arranjava, fazia o melhor Bife à Café, impreterivelmente acompanhado por batatas fritas cortadas em triângulos.
Quando o Homem que Corria Mundo deixou de correr mundo o mundo passou a cozinhar à sua medida.

9h30

Sabe bem chegar a horas.
As pessoas sorrirem nos "bons dias" e, apesar de ainda não estar capaz de trabalhar, ter a consciência tranquila.

segunda-feira, março 27, 2006

Sou noiva X - o noivo


No fim de um fim-de-semana em que entrei em perfeito desespero organizativo não consegui, aparentemente, adiantar muito. Mas, inadvertidamente, consegui desestabilizar a vida conjugal ao ponto de desassossegar o noivo!
Hoje foi ele a dedicar-se à causa enquanto eu trabalhava, ou pelo menos tentava.

Admito que não me é fácil delegar tarefas...gosto de ver tudo, de definir o milímetro. Mas se o casamento é dos dois temos de ser os dois a fazer por ele.
Já disse que não me posso queixar, ele sempre pensou comigo; o tema, por exemplo, que gosto imenso, foi total ideia dele.
Graças à histeria contínua durante os últimos dias acho que ele percebeu que se não queria uma noiva louca era melhor ajudar não apenas na concepção mas mais na produção.
Hoje, graças ao noivo e com a preciosa ajuda da Si (em desespero consigo delegar tarefas muito melhor!), o drama dos convites deu um grande passo rumo à realidade. E eu pude ir com a minha mãe ver o seu vestido.

Um amigo recém-casado deu a explicação para a fuga dos noivos à preparação do casamento:
"O que mais me irritava era lembrarem-me que, efectivamente, me ía casar."

sábado, março 25, 2006

Sou noiva IX (mas não só!) - 2 months 2 days 2 weeks



Quando pus a barra a fazer contagem descrescente entrei em pânico! "2 months 3 weeks 6 days until..." dizia.
"2 MONTHS???!!! Since when?!" pensei.
Agarrei na agenda e desatei a distribuir tarefas pelos fins de semana. "Está controlado. No limite, mas ainda está controlado."
No fim de semana seguinte fui trabalhar e nos dias de semanana também, dia e noite.
Este fim de semana não trabalho...mas já fui informada que trabalharei nos próximos.

"2 months 2 weeks 2 days until the day"

Quero fazer tudo e não tenho tempo para nada! E hoje ainda não consegui fazer nada do que queria!
Corri Lisboa toda a manhã: não há papel para os convites em stock, os distribuidores não estão abertos Sábado, não encontro tecido decente para as lembranças, detestei ver-me com arquela argola amarela no dedo...
Isto para além de não ser possível conjugar os meus horários com os do noivo mais os da gráfica e os da loja e afins.
Isto para além de a gráfica mudar no fim do mês.
Isto para além de as pessoas passarem o tempo a lembrar-se(me) de coisas que não me lembrei - como saber o número do melhor quarto para a noite de núpcias quando eu já tinha dado esse assunto por arrumado, só para dar um exemplo.
Para além de eu não perceber nada de tecidos - nem querer (apesar de que terei de o fazer também em trabalho...).
Para além de eu não ter qualquer interesse em conhecer fotógrafos de casamentos - mais valia ter tempo para ver uma boa exposição!
Para além de que cada vez mais me convenço que não faz sentido perder tanto tempo e/ou gastar tanto dinheiro por causa de um dia!
Para além de o noivo continuar com toda a calma - à excepção de quando me lembra que tenho de lavar roupa.

"O casamento é uma máquina que nós ligamos mas depois segue sózinha e leva-nos atrás...".
Lembro tanta vez esta frase, agora percebo bem o seu significado.
O casamento foi inventado por quem não tinha mais que fazer...
...mas agora já está em curso,é impossível parar a engrenagem.

Eu quero gritar, gritar perdidamente...

sexta-feira, março 24, 2006

O Homem que Corria Mundo II

O Homem que Corria Mundo vivia a correr.
Corria pelo mundo carregando o mundo às costas.
Chegava ao fim do mundo, pousava no chão o mundo que trazia às costas, e onde ninguém corre porque não há para onde correr o Homem que Corria Mundo continuava a correr e fazia o mundo correr como ele.
Quando o Homem que Corria Mundo parou de correr o mundo passou a girar no ritmo lento e incerto dos seus passos.

terça-feira, março 21, 2006

Finito!

Volto a ter vida própria...

domingo, março 19, 2006

Work, work, work

Aposto que o vosso fim de semana está a ser muito menos estimulante, criativo, produtivo que o meu!

que inveja...

quarta-feira, março 15, 2006

Stress

Consegui levantar-me a horas, sabia que não tinha um minuto a perder se queria fazer tudo o que tinha para fazer no atelier. Estar responsável por duas entregas, por menores ou mais resolvidas que estejam, é sempre uma emoção.
Comecei por perder o autocarro, depois por perder o dinheiro que tinha na conta (a lisboagás resolveu fazer-me uma surpresa!), depois por perder a pouca calma que me restava até chegar ao atelier. Aí apanhei (ou apanhou-me) o combóio do stress com paragem apenas na 3ª feira... Concurso: o TGV da arquitectura!

Claro que isto tinha de acontecer quando eu ía finalmente agarrar as rédeas do casamento.
Tudo sempre acontece quando acontece tudo!

O que vale é que me tem dado para rir!...

terça-feira, março 14, 2006

Sou noiva VIII - o cabelo



Quando acabou de cortar a franja olhámos para os espelho e rimos.
"Parece que tens 12 anos"

Só no fim lhe disse que me ia casar.
"Está óptimo", descansei-a.

Sou noiva com franja de criança.
Vai ficar lindo!

Cabelo comprido


"Pareces a Suzanne Vega" disse-me Árias.



Adoro cortar o cabelo. Adoro entrar com uma cara e sair com outra.
Adoro cortar o cabelo quando gosto da cara com que saio, caso contrário é (sou) um inferno.

Quando era pequena, para minha grande infelicidade, sempre tive o cabelo curtíssimo. Só quando comecei a ter voto na matéria é que pude começar a deixá-lo crescer, mas era demasiado tarde para me enfeitar com laçarotes e já tinha ganho o gosto a sentir o cabelo fazer cócegas no pescoço.
Com os tais 14 anos enchi-me de coragem para deixar crescer o cabelo, tive mesmo de dar ordens expressas à cabeleireira de não me deixar entusiamar com cortes curtos. Ía à cabeleireira mais louca da "terrinha" e ora usava o cabelo mais curto atrás e mais comprido à frente, ora mais curto de um lado que do outro, com farripas, sem farripas... Entre os 14 e os 18 anos obriguei-me a entrar no cabeleireiro sem olhar para nenhuma revista e consegui chegar à faculdade com o cabelo quase pela cintura.
Aí não durou muito, segui o exemplo das minhas amigas já aliviadas do peso da adolescência e, de um momento para o outro, cortei com o grunge ou o frick ou lá o que era. (Ainda hoje penso se a rapariga do cabeleireiro se andará a passear com o postiço que me pediu para fazer com o meu cabelo...)

Longe da cabeleireira que me conhecia as manias a coisa complicou-se. Saía consecutivamente dos cabeleireiros furiosa, quando não ía directamente para a casa de banho mais próxima molhar o cabelo lavada em lágrimas. Fui experimentando e resmungando e voltei a ir cortar o cabelo à província até há três anos quando, morta de calor, resolvi cortar o cabelo tão ou mais curto do que quando era pequena e conheci a Sílvia.
"Muito curto?!" perguntou espantada.
"Curtíssimo!" implorei esbaforida, ainda com o sol a bater-me na cara alinhado com os carris da Bica.
"Mas feminino." decidiu. E ficou lindo.

De experiência em experiência o cabelo foi crescendo e há algum tempo que me voltei a controlar porque não me consigo imaginar noiva com o cabelo curto. Não ía deseperdiçar mais uma hipótese de enfeitar o cabelo, fazer penteados... Desde o casamento da Jo que não o cortava.
Estou com o cabelo como quando tinha 16 anos e o mais curioso é que não estou sózinha. O saudosismo é colectivo, minhas lindas? O que se passa?

Certo é que ontem disse à Silvia que queria o cabelo comprido. Ao som de Smiths e Clash deu as voltas à tesoura que só ela vejo dar, esteve horas com cara de criança concentrada a tirar milímetros ao cabelo e fez jus ao espírito revivalista.



Nao ha bela sem senao

Chegou Março com um calorzinho prometedor.
A Primavera aproxima-se perigosamente, o que este ano me traz preocupações acrescidas.
Declaro aberta a época oficial de dieta.

Ontem já andei a pé um bom bocado e já voltei a ter a garrafinha de água ao meu lado.
(Confesso que estou cheia de problemas de consciência pela quantidade de chocolates que comi este fim de semana)

segunda-feira, março 13, 2006

Calor

Temperatura máxima para Lisboa hoje: 22ºC.

Dá vontade de começar uma semana assim!

domingo, março 12, 2006

Cores e Chocolate


Receita para um bom fim-de-semana:

Ingredientes para a base: dois casais.
Os homens devem gostar de comer e as mulheres de tagarelar.

Prepara-se uma entrada de bifinhos com natas e cogumelos seguidos de mousse de chocolate juntando todos os ingredientes na mesma mesa.
De seguida separam-se os homens das mulheres. Põem-se os homens ao ar temperados com cerveja ou outra bebida que prefiram e deixam-se as mulheres a marinar em calda de chocolate.
Quando os homens estiverem já apurados, e mesmo que as mulheres ainda não tenham posto a conversa toda em dia, tornam a juntar-se à mesa acompanhados com panquecas.

Após um breve período de repouso mudam-se para um novo recipiente.
Uma casa nova, com paredes branquinhas a estrear, é a melhor opção para que os ingredientes possam escolher de que côr será barrada.
Escolhidas as cores e outras decorações deixam-se na varanda a arrefecer enquanto o sol se põe.
Quando já não houver luz servem-se enchidos e vinho.



As panquecas:

- 1 chávena de leite
- 1 copo de farinha
- 1 ovo (inteiro)
- 1 pitada de sal
- 1 colher de manteiga

Vai-se misturando a farinha com o leite devagar.
Devagar, sublinho; por mais que seja difícil convencer qualquer homem a fazê-lo. Se não se conseguir convencê-lo à primeira é deixar tentar desfazer os grumos a seguir até se aperceber que o melhor é deitar tudo fora e começar de novo.
Depois de se conseguir a primeira mistura juntam-se os ovos e a manteiga previamente derretida com a pitada de sal.
A massa está pronta.
Com uma frigideira eficiente é fácil conseguir umas panquecas deliciosas às 6 horas da manhã.
Eu gosto com açucar e canela. A Jo com açúcar e sumo de limão.

sábado, março 11, 2006

Tarde de Sabado em Santos

Por mais que me mentalize para ir trabalhar num Sábado é inevitável deprimir pelo caminho.
Saio do metro e chego ao Chiado. Vejo as pessoas a passear ao sol e apetece-me ficar... Passo por Santa Catarina. Vejo as esplanadas soalheiras viradas para o rio e apetece-me ficar.
Começo a descer: Calçada do Combro, Poço dos Negros, Conde Barão...qualquer uma das hipóteses é desanimadora. Chego ao deserto sombrio que é Santos ao fim-de-semana. Quero ir-me embora!

Sou noiva VII - os outros




Parece-me evidente que o casamento é um ritual social, isto é, nós casamo-nos por causa dos "outros".
Se um casal vivesse sozinho numa ilha para quê casar-se?
E os "outros" são muitos e de vários tipos:
- os outros que querem que nos casemos (aí entra a família em grande estilo)
- os outros que querem fazer a festa (onde se incluem os amigos que nos entusiasmam e animam nos preparativos e com quem se dança pela noite fora)
- os outros que se casam (e não querem ficar sozinhos, ih! ih!!)

Não quero com isto dizer que quem não seja acompanhado por qualquer coisa que fica para nós...
Como animal social o Homem inventou uma forma de dizer à familia, aos amigos solteiros, aos amigos casados e aos outros que estamos felizes e convidá-los a partilhar dessa nossa felicidade. Pelo menos num dia estamos todos - familia e amigos - juntos.


Tenho vindo a aperceber-me que se trata também
do nascimento oficial de uma nova "família", quando nos passamos a conhecer todos uns aos outros, quando conheço a família - não necessariamente biológica - dele e ele a minha.
De outra forma quando conseguiria eu distinguir todos os irmãos do pai dele, de Braga, espalhados entre o Algave e França; pessoas que o viram nascer e de quem ele fala sem ter para mim qualquer significado? Quando conseguiria ele distinguir os amigos todos dos meus pais e os seus filhos (uma multidão que me arruinou o sonho de uma festinha simples), que me viram crescer, de quem eu falo sempre acompanhando por uma ginástica enorme para ele perceber de quem se trata?

Criou-se este método. E uma pessoa aproveita para se sentir bonita e rodeada de amigos que também querem dar os seu melhor para que seja um dia inesquecível de comemoração do amor. É bonito! (não consigo de deixar de rir comigo mesma enquanto escrevo isto. Ao que uma pessoa chega!...)
O casamento permite o reconhecimento generalizado, pelos outros, de que há ali o embrião de um novo ramo na árvore genealógica: nós.
E aí inicia a nova etapa...aliás já começou! "Quando pensam ter uma criança?", começam "os outros" a perguntar.

"Uma coisa é viver junto, outra é ser mãe solteira."
Fiquei entre a desorientação e o choque quando a minha mãe largou esta frase, en passant, como se se tratasse de uma evidência como motivo para uma pessoa se casar.

Hoje voltei a encontar essa frase.
"Mãe solteira", esse termo, como sinónimo de pai ausente ou desconhecido, a mulher usada e abandonada, blá, blá... Por favor, digam-me que isto ficou perdido nos tempos!
Permitam-me discordar. "Uma coisa é viver junto, outra é ser mãe solteira", sim, é verdade, e outra coisa é ser casado, e outra coisa é ter filhos, e outra coisa é divorciar-se, e outra coisa é ser homossexual, e outra coisa será qualquer outra coisa. ponto. "Cada macaco no seu galho".
Caso-me sim pelos outros, admito, por nós e a nossa relação com os outros de quem gostamos, mas não para não ser "mãe solteira"!

Casamo-nos porque queremos celebrar o nosso encontro festejando com quem gostamos de encontrar.



Si - És a primeira dos amigos mais próximos. É diferente...Mas não vou chorar!
Mir - Eu também dizia isso, mas, na hora, ainda bem que pude cantar a plenos pulmões! Quando é muito próximo é diferente...


E, de repente, aperecebi-me que mais próximo que ser eu própria não podia ser!
Foi ontem.




sexta-feira, março 10, 2006

Sol matinal

No sítio onde trabalho agora o sol bate directamente em mim pela manhã (voltei mudar de lugar, trabalhar neste atelier é uma emoção!).
Sabe tão bem esse aconchego...
Tenho de me lembrar disso quando acordo.

Festival (continuaçao do post anterior)


Após o jantar de preparação do casamento, para o qual o noivo fez uma bela açorda de gambas e a mãe da noiva trouxe bolinhos para acompanhar o café pela primeira servido nas chávenas Vista Alegre (prenda de fim de curso dos avós) os noivos assumiram o seu papel de bons donos de casa e puseram-se em arrumações.
"Será que é mesmo necessário sujar tanta louça para fazer uma açorda?" pensava a noiva. "Vou arranjar o autoclismo" decidiu, corajosamente, o noivo.

Na TV relembravam-se as músicas do Festival da Canção...
Enquanto alegremente cantava acompanhando a "Tourada", a propriamente dita começou.
"Tens cola de contacto?" gritou o noivo da casa de banho.
A noiva arrepiou-se, esta pergunta nunca é bom sinal.
Acto contínuo a noiva tornou a arrepiar-se, mas desta vez porque tinha os pés molhados.
"O cano do lava-loiças soltou-se!" gritou a noiva para a casa de banho.

O resto da noite dispensa pormenores.
"Uma da manhã, bem bom..." cantavam eles.

quinta-feira, março 09, 2006

Sou noiva VI - com os pais


Hoje fui com a minha mãe ver o vestido.
Fui mostrar-me vestida de noiva à minha mãe.
Não se comoveu (para quem esteja interessado em saber) mas entusiasmámo-nos!
Definimos o penteado e restantes acessórios, escolhemos os sapatos e só não vimos a lingerie porque já não tinhamos tempo.
Durante uma hora passeei-me com o vestido pela loja, vimos todos os pormenores que durante a excitação da escolha não se tinham visto.

À noite, com o pai e o noivo, mostrámos os protótipos dos convites, alterámo-los e definimo-los.
A mãe ditou o sentido prático, o pai ditou a composição e o texto.


"Deviamos ter tempo de fazer experiências" disse o noivo.
"Até quando?!" assustei-me.
"Até ao fim-de-semana..este fim de semana" respondeu o noivo.
"Ah! Até depois de amanhã" rimo-nos aliviados.

"É pena ser sempre tudo à pressa...", lamentou a mãe.
"É da maneira que não se complica!" regozijou-se a filha.

quarta-feira, março 08, 2006

Teoria da Relatividade


A forma como vemos a vida está directamente realcionada com as variáveis com que ela nos confronta sendo a importância de cada uma absolutamente relativa.
Assim, o espaço que cada problema ocupa é função dos outros problemas presentes na equação e do tempo que lhes dispensamos.
Temos por única constante a duração do dia (inventada para não nos perdermos entre tanta variável), consequentemente, o espaço ocupado por cada problema é directamente proporcional ao tempo que temos para pensar nele.

Exemplo:
O número de problemas nos quais pensamos é inversamente proporcional à quantidade de trabalho a produzir que não é, de todo, constante.
Dado que a energia a dispender é finita pode então deduzir-se que reduzindo o tempo disponível se reduz necessariamente o espaço que os problemas ocupam,


Outro exemplo:
Quando nos deparamos com problemas de elevada densidade o espaço que ocupam não pode ser incluído em qualquer que seja o tempo.
Dado que todos os outros problemas, relativamente, assumem valores desprezáveis, então o tempo fica livre para outro tipo de variáveis, ou seja, não faz sentido continuar a equacionar problemas.
Por outro lado a massa de que somos feitos torna-se mais densa.

Conclusão:
A determinação dos problemas a equacionar e daqueles que com valor desprezável está directamente relacionada com o espaço que ocupam no tempo que temos relativizando-se e tornando espaço e tempo relativos em função da sua densidade.



Na física a lei pode não ser assim, mas na vida não deve andar muito longe.

segunda-feira, março 06, 2006

Segunda-feira

...esse dia que chega sem dar tempo para nos prepararmos psicológicamente..
Segunda-feira, esse dia em que bebo um café antes de sair de casa e outro quando chego ao trabalho e continuo a sonhar com o fim-de-semana.

domingo, março 05, 2006

Estar casado é...

Várias pessoas já me disseram - com tom de aviso e a sobrancelha levantada como se se tratasse de um argumento dissuador que desmentem mal são coloca a questão - que é muito diferente estar casado ou viver junto. Realmente, desde que mudámos de casa, que me tenho vindo a aperceber das diferenças entre o viver junto oficial e oficioso e procuro estar alerta em relação à fase seguinte.
Passarei portanto a anotar essas situações que mostram que a mudança de estado civil não se resume ao que está escrito no BI. Para já passam-se com outros, daqui a uns meses passarei a incluir-me.
Não sei se alguma vez chegarei a alguma conclusão, mas entretanto vou-me divertindo à custa desta entidade desconcertante que é o ser humano...

Estar casado é deixar de fazer apostas a dinheiro (que passa a ser comum) e passar a apostar quem limpa a casa.
Jo e Fôfo, 4 de Março 2006

sábado, março 04, 2006

Os problemas existênciais da mulher moderna...



Vou sair à noite, não sei a que horas voltarei, mas não me apetece levar um saco de praia...
Só os óculos ocupam a ridícula pochete (que na realidade tem metade do espaço útil que parece porque o resto é pêlo!). Onde é que cabe ainda o telemóvel (dizem eles que são pequenos), os documentos (só o BI é um lençol) e os lenços de papel?
Claro que já pus de parte a ideia de levar a máquina fotográfica!

Como é que podem usar-se simultâneamente
óculos de sol tipo painel e pochetes?




Café(s) I


lá me esqueci da máquina outra vez...
a foto que teria tirado em
http://fotografiaexadres.blogspot.com/2006/02/lisboa-in-photos-confeitaria-nacional.html

Esqueço-me sempre da Confeitaria Nacional, apesar de falar em lá ir cada vez que encontro o Pedro, apesar de passar lá perto tanta vez...

Precisava de beber e comprar café, por isso fui ao Chiado. (rendi-me ao Nespresso, mas tratarei dessa publicidade noutra ocasião) Não me apetecia um Café grande, como a Brasileira ou a Bénard. Ao Café no Chiado fui no sábado passado e o Café do S. Luiz é muito escuro...Apetecia-me beber café, simplesmente, sem livro nem nada; mas faço sempre os possíveis por dar a esse momento alguma dignidade. Tudo o que é forrado a azulejos de casa de banho e ou iluminado com fluorescentes é riscado da minha lista, já que não consigo riscá-los do mapa. Resolvi ir à Camponesa (depois de espreitar as novidades da Camper, confesso) com os seus azulejos para onde me divirto a olhar, mas estava fechada. Continuando o passeio com fado ao fundo pus de lado o Nicola e a Suiça pela mesma razão dos primeiros...

Confeitaria Nacional
Nem muita nem pouca luz. Ver a rua quanto baste enquadrada pela caixilharia trabalhada. Vozes sussurradas que deixam pensar. Uma casa de bonecas com bolos de perder a cabeça.
Deixei sair a Gretel que há em mim nesta Paris dos pequeninos.

Farmácia



Detesto comprimidos.
Fazem-me sentir doente!

Detesto tomá-los, comprá-los ou sequer vê-los.
Detesto o cheiro dos sítios assépticos.
Detesto hospitais e gente com bata branca.
Desconfio sempre...
Acho que vou ficar pior do que estava.

Saio ao meu avô.
Agora que penso nisso (lembrando o que a minha mãe me contou) também me "esqueço" de tomar seja o que fôr aos domingos...

Detesto abrir os olhos de manhã e lembrar-me que estou constipada antes de me lembrar do meu nome.

sexta-feira, março 03, 2006

As filhas únicas também têm irmãs

Como todas as crianças quis um irmão. Como todos os filhos únicos não o tive.
Enquanto a mães dos meus coleguinhas engravidavam, lembro-me de pedir à minha mãe que fizesse o mesmo. Tanto quanto me lembro, não insisti durante muito tempo. Quando comecei a ver os meus coleguinhas a embirrar com os irmãos – essa forma de demonstração de amor que realmente desconheço – comecei a ver as vantagens de ser filha única.
Sempre gostei de sossego, sempre fui uma criança calma ao ponto de nem dar a volta quando ainda estava na barriga da minha mãe; estava sentada e deixei-me estar…
Sempre vivi num ambiente de plena paz, de total respeito pelo espaço dos outros. Tanto a minha mãe respeitava o meu espaço, também filha única descendente de filha única, como exigia que eu respeitasse o dela (se bem que, no que respeita a bisbilhotar os cantos da casa, não tivesse sorte nenhuma!).
Mas nunca me senti só.

Onze meses depois de mim nasceu a minha irmã mais nova. Filha única, filha do filho único que sabia que eu iria esperar pelos anos dele para nascer.
A minha irmã mais nova era pequenina (na verdade eu é que era grande, mas estou a expôr o meu ponto de vista). Era pequenina, frágil, desconfiada e muito mais resmungona que eu. Não gostava de bigodes e recusava-se a dar beijinhos a quem quer que fosse que os tivesse. Lembro os seus olhinhos de azeitona sempre alerta, as mãos esguias.
Eu protegia-a e ela sabia.
A minha menina com mãos de fada morava num castelo com torre e tudo.
Passávamos o tempo todo juntas e cheguei a morar em casa dela quando aminha mãe partiu o pé e não conseguia subir ao nosso segundo andar. Desenvolvi a técnica de não ter cócegas nos pés para os nossos pais acreditarem que eu tinha adormecido e ficar lá a passar a noite.
A minha irmã mais nova adorava enchidos como eu adorava doces. Nas ferias assaltávamos os armários e ela enchia-se de chouriço enquanto eu acabava com as bolachas. Nunca mais conheci ninguém que gostasse tanto de chouriço!
Quando saíamos da escola lanchávamos em casa da avó dela. A Maria fazia uma massa frita inesquecível.Cantávamos muito, mesmo porque ela lembrava-se sempre das músicas todas por mais que o tempo passasse.
O tempo passou e eu mudei de escola. “Agora vais para a Escola e nunca mais vamos estar assim juntas”, disse. Acho que foi a última vez que lanchei em casa da avó dela.
A vida afastou-nos como afasta os irmãos. Como sempre vivi longe da minha outra irmã, outra filha única, da minha idade, tipo irmã gémea “sempre com o cabelo igual”.

Por mais longe que estejam os irmãos sê-lo-ão sempre.
Ainda hoje me preocupo com a minha irmã mais nova e tenho pena de já não ser suficientemente grande para a proteger.

Aspirina


Por mais que inventem não há nada que chegue à Aspirina.
Sou uma fiel consumidora, ainda que não seja com o meu consumo de duas Aspirinas por ano que garanta a subsistência da marca.
Mais uma vez acordei e pensei é hoje! É hoje que telefono a dizer que estou doente e não vou (um pensamento que me ocorre nos últimos quarto anos, cada vez com maior frequência)! Mais uma vez a minha consciência acordou antes de mim para me lembrar os contras dessa opção. É sexta-feira, ía parecer que queria um fim de semana grande…Ora bolas, e lá tenho culpa disso?! Já prevejo que, como sempre, hei-de ficar doente nos dias mais úteis que os dias úteis.
A última vez que faltei por doença foi no 5ºano, com uma otite. Desde então que sempre que adoeço – o que é raro, não me queixo – é sempre em férias – e disso posso queixar-me.
Há cerca de um ano, numa destas fases em que toda a gente adoece, apercebi-me que nunca tive gripe. Constipações fortes sim, ninguém se livra, tenho o nariz completamente entupido, tosse, espirros, arrepios, quase tudo a que tenho direito; vou mais uma vez buscar o termómetro e nada! Nada que justifique não ir onde não me apetece!
Arrasto-me para o trabalho cheia de lenços de papel na mala…

“Aspirina: a genuina, a da Bayer”

"As pessoas não mudam...

...Somos sempre como quando tínhamos catorze anos!"
Registei esta frase tão acertada (como são as tuas).
Hoje relembrei-a.
Os sonhos criam-se desde sempre, procurar a sua concretização começa aí.
Então soubémos, decidimos - mesmo que não soubéssemos - o que queríamos e quem nos poderia acompanhar.
Depois esquecemos. Quando vemos todo um mundo novo a estrear. Quando percebemos que há outros sonhos. Quando conhecemos novas companhias. Quando recomeçamos a aventura.
Até perceber que sentimos falta do que deixámos. Quando já não temos. Quando reencontramos.

"Somos sempre como quando tínhamos catorze anos", por mais que cresçamos.

quarta-feira, março 01, 2006

Coscuvilhice



"Os blogs são óptimos para a cusquice", diz-me Árias perante os relatos que lhe vou fazendo.
Claro está que os relatos se referem às vidas que me dizem respeito, dizem respeito ao que ficaria a saber se não adiasse telefonar, se tivesse tempo para ir almoçar aos quatro cantos da cidade (no mínimo) por onde se espalham aqueles de quem gosto, se tivesse disponibilidade (às vezes nem é tanto uma questão de tempo) pra ir beber café com os amigos.

O ser humano - de cuja inteligência às vezes duvido - tem estas incoerências: em vez de reduzir o horário de trabalho inventa o messenger, em vez de melhorar os transportes ou permitir-se horários flexíveis que possibilitem o encontro entre as pessoas cria o blog.
Se não chamei ao blog "Alentejano" ou "Estádio" foi (entre outros motivos) porque qualquer um dos sítios tem um nome que só uma minoria atribuiria o mesmo significado que eu; não me pareceu bem que pensassem que a árvore é um sobreiro ou desiludir quem julgasse que ia encontrar comentários futebolísticos!
O blog é a mesa à qual me sento para discorrer sobre o que me vai na alma ou, pura e simplesmente, o que passa pela cabeça. É a mesa de onde se escutam também as conversas alheias e onde se sabe que as nossas também são ouvidas.

"Sim, pode-se cuscar o que nos interessa e deixar cuscar o que queremos. Facilita a cusquice a quem é cusco...", respondi
E então? Nada que não fizéssemos antes!