Terça-feira, Dezembro 22, 2009

Procura-se emprego

Alguém sabe onde se arranjam empregos?
Daqueles bons, das 9 às 5.
O ideal era mesmo um emprego em que não tivesse de falar com ninguém, sem telefone seria perfeito, se não tiver que pensar melhor ainda.

Alguém sabe onde se arranjam empregos?
Estou tão cansada de ter trabalho...

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

Ser mãe IV



Ser mãe é passar um mês sem escrever aqui e nem me aperceber.

Ser mãe é deixar de medir o tempo por relógio ou calendário.

O tempo mede-se em leites, papas, sopas e iogurtes.
Mede-se em roupa que deixa de servir porque é pequena ou mudou o tempo. Mede-se no número das fraldas, nas etiquetas dos brinquedos, no tamanho das chupetas.
Mede-se em novas consoantes pronunciadas, em posições conseguidas, em gestos, em dentes.

E o tempo passa tão depressa...

Quando

um cortinado demora tanto tempo a vir ao mundo como uma criança...

Quarta-feira, Novembro 18, 2009

8 meses

Da na-na, na na na
Da na-na, na na na
Da na-na, na Pimpolho
Da na-na, na na naaa


Talvez por saber que a mãe anda tão atarefada o Príncipe faz o favor de escolher datas particulares para apresentar as habilidades. Assim, se os primeiros dentes nasceram no dia de Santos, as primeiras silabas ditas com ar absolutamente convicto surgem na véspera de fazer 8 mesitos.

Da, na, lha — ou qualquer coisa semelhante conforme calha a estar a língua — permitiu ontem estabelecer as mais variadas conversas tanto porque sim como porque não, conforme a entoação.
Mas o seu grande objectivo é chegar ao la. O que ele gosta de nos ver de língua dobrada! E insiste em torcer a sua, sem som, à experiência.
Lá chegará. O pai diz já ter ouvido um "olá" (olha, talvez) mas eu acho que está a ver o Principe num castelo de nuvens.

Para já, tenho um dia para o ensinar a cantar os Parabéns...

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Ser mãe III

É lembrar que ele vai fazer mais um mês e esquecer que vou fazer mais um ano.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

O Pimpolho é muito à frente

"Dentro de uma geração poder-se-ão casar dois filhos únicos cujo filho nunca saberá o que é ter primos", ou qualquer coisa semelhante dizia ontem a jornalista da tvi numa reportagem sobre o decréscimo da natalidade no ano transacto.

- Anda cá ouvir isto - gritei para o pai - "Dentro de uma geração", dizem eles...
- Ena! O rapaz veio do futuro!

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Breves notas para a senhora jornalista:
1 - não é preciso ter primos em primeiro grau para se saber o que é ter primos;
2 - pode-se ter primos em primeiro grau e continuar a não saber o que é ter primos;
3 - haja amigos que não se dará por falta dos primos.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Novo sentido I

Quando me diziam que um filho nos faz ver as coisas com um sentido diferente nunca pensei que fosse para levar tão à letra.

De repente o que era só uma cantiguinha para o animar - um tanto machista se virmos por esse prisma - revela ser a perfeita descrição de... bem, é melhor não entrar em detalhes que este blog é público. Eu é que devo estar a ficar doida de tanto trabalho.

Doidas, doidas, andam as galinhas
Para pôr o ovo lá no buraquinho
Raspam, raspam, raspam
P’ra alisar a terra
Picam, picam, picam
Para fazer o ninho

Arrebita a crista o galo vaidoso
Có-có-ró-có-có
Canta refilão
E todo emproado com ar majestoso
É o comandante deste batalhão.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Cabeças quentes e soro fisiológico



A alegria que veio com os dois dentinhos a espreitar não durou o tempo de escrever um post em condições para a posteridade, logo veio mais uma febre aquecer a cabeça de toda a gente.

É impressionante como uma pequena febre pode aquecer tanta cabeça!
A do Pimpolho foi a primeira a arrefecer, na terça-feira já estava fresco e assim se manteve toda a semana enquanto as restantes cabeças escaldavam. É que para que tal cabecita não voltasse a aquecer ficou uma semana entre o aconchego do lar e o martírio da ginástica respiratória, e aí é que começaram a aquecer as restantes cabeças. O Pimpolho tem pontaria: ou adoece quando a médica está de férias ou quando chovem reuniões em cima dos pais...

Aquece a cabeça da mãe em vésperas de início de obra. Aquece a cabeça do pai com reuniões para preparar. Aquece a cabeça do chefe que a arquitecta não está no atelier, arde a cabeça do pai que a mãe não está em casa e flameja a cabeça da arquitecta e da mãe, que é só uma, por isso aquece a duplicar.

O Pimpolho brinca de cabeça fresca enquanto o pai e a mãe se revezam numa espécie de corrida de estafeta em que o testemunho não sai do lugar.
O Pimpolho chora quando lhe aspiram as entranhas, quando o soro fisiológico entra por uma narina e sai pela outra, quando o esperemem nessa ginástica respiratória que de ginástica não tem nada.
Ginástica faz a mãe a correr de um lado para o outro porque pode deixar o filho a brincar, mas a chorar não deixa que arquitectas há muitas, mas mãe há só uma.

Finalmente, o Pimpolho voltou hoje à creche.
Foi com a cabeça bem agasalhada para não voltar a aquecer.
Estamos todos a respirar melhor.