sábado, março 11, 2006

Sou noiva VII - os outros




Parece-me evidente que o casamento é um ritual social, isto é, nós casamo-nos por causa dos "outros".
Se um casal vivesse sozinho numa ilha para quê casar-se?
E os "outros" são muitos e de vários tipos:
- os outros que querem que nos casemos (aí entra a família em grande estilo)
- os outros que querem fazer a festa (onde se incluem os amigos que nos entusiasmam e animam nos preparativos e com quem se dança pela noite fora)
- os outros que se casam (e não querem ficar sozinhos, ih! ih!!)

Não quero com isto dizer que quem não seja acompanhado por qualquer coisa que fica para nós...
Como animal social o Homem inventou uma forma de dizer à familia, aos amigos solteiros, aos amigos casados e aos outros que estamos felizes e convidá-los a partilhar dessa nossa felicidade. Pelo menos num dia estamos todos - familia e amigos - juntos.


Tenho vindo a aperceber-me que se trata também
do nascimento oficial de uma nova "família", quando nos passamos a conhecer todos uns aos outros, quando conheço a família - não necessariamente biológica - dele e ele a minha.
De outra forma quando conseguiria eu distinguir todos os irmãos do pai dele, de Braga, espalhados entre o Algave e França; pessoas que o viram nascer e de quem ele fala sem ter para mim qualquer significado? Quando conseguiria ele distinguir os amigos todos dos meus pais e os seus filhos (uma multidão que me arruinou o sonho de uma festinha simples), que me viram crescer, de quem eu falo sempre acompanhando por uma ginástica enorme para ele perceber de quem se trata?

Criou-se este método. E uma pessoa aproveita para se sentir bonita e rodeada de amigos que também querem dar os seu melhor para que seja um dia inesquecível de comemoração do amor. É bonito! (não consigo de deixar de rir comigo mesma enquanto escrevo isto. Ao que uma pessoa chega!...)
O casamento permite o reconhecimento generalizado, pelos outros, de que há ali o embrião de um novo ramo na árvore genealógica: nós.
E aí inicia a nova etapa...aliás já começou! "Quando pensam ter uma criança?", começam "os outros" a perguntar.

"Uma coisa é viver junto, outra é ser mãe solteira."
Fiquei entre a desorientação e o choque quando a minha mãe largou esta frase, en passant, como se se tratasse de uma evidência como motivo para uma pessoa se casar.

Hoje voltei a encontar essa frase.
"Mãe solteira", esse termo, como sinónimo de pai ausente ou desconhecido, a mulher usada e abandonada, blá, blá... Por favor, digam-me que isto ficou perdido nos tempos!
Permitam-me discordar. "Uma coisa é viver junto, outra é ser mãe solteira", sim, é verdade, e outra coisa é ser casado, e outra coisa é ter filhos, e outra coisa é divorciar-se, e outra coisa é ser homossexual, e outra coisa será qualquer outra coisa. ponto. "Cada macaco no seu galho".
Caso-me sim pelos outros, admito, por nós e a nossa relação com os outros de quem gostamos, mas não para não ser "mãe solteira"!

Casamo-nos porque queremos celebrar o nosso encontro festejando com quem gostamos de encontrar.



Si - És a primeira dos amigos mais próximos. É diferente...Mas não vou chorar!
Mir - Eu também dizia isso, mas, na hora, ainda bem que pude cantar a plenos pulmões! Quando é muito próximo é diferente...


E, de repente, aperecebi-me que mais próximo que ser eu própria não podia ser!
Foi ontem.




2 comentários:

Ladybug disse...

Se eu estivesse sozinha numa ilha com o fofo, queria casar-me na mesma só para me vestir de noiva!!
É tão bom!

Também dizias o mesmo que a Si para o meu casamento? Mas tu choraste... [Linda!]

Eu acho que deve ser muito diferente. Para mim também és a primeira dos amigos mais próximos. E com certeza vai ser, de todos, o mais emocionante. Não há mais próximos que tu.

E sei que vou chorar...

morgy disse...

Como em tudo a verdade tem muitas versões e muitas camadas :)
Tal como existe a necessidade de ritual e o facto de todos sabermos que o casamento é uma festa para os "outros" o facto de uma mulher ter um filho sem estar casada, para as nossas mães e para as nossas avós é quase um motivo de vergonha. E tal como eu disse num outro post, é capaz de ser a minha faceta tradicionalista, velha e retrógada que sente um pontinha dessa vergonha ao imaginar as futuras discussões desagradáveis com a minha mãe caso isso viesse a acontecer (porque os filhos das mães não casadas são mesmo registados como filhos de mãe solteira).
Mas não me estou a casar por isso. Quando chegou a altura da grande decisão, do sim ou sopas eu simplesmente disse ao tiago que ele teria que assumir que ou se casava ou viviamos juntos.
Eu pessoalmente preferia a segunda alternativa, mas ele preferia a primeira. Ou melhor, para o tiago eu até podia casar com uma barriga gigante e isso eu nunca faria. Mas lá está é aquela pontinha da mente retrógrada que de vez em quando aparece. Estando grávida acho que nem eu iria perceber se me estava a casar porque o amo e não posso passar um dia sem ele, ou simplesmente por estar grávida.