segunda-feira, novembro 28, 2005

O meu mundo tem uma árvore que me diz em que estação estou.





Voltei a ter um mundo meu

O meu mundo fica na casa com que sonhei.
"Faz lembrar a casa velha" disse a minha Mãe.
Faz lembrar a casa onde eu sonhava.

Nesse tempo sonhava sair da casa, sair do meu mundo.
Queria conhecer os mundos dos outros.
Quando saí perdi-me.
O mundo lá fora não era como eu o sonhava. Há tanta gente sem mundo...
Pobres aqueles que não têm um mundo seu e não sabem.

Quando saí percebi que tinha de voltar, mas tinha deixado de ter um sítio para onde voltar.
Quando passei a viver no mundo dos outros aprendi a dar valor ao meu mundo, aquele do qual tinha querido sair.
Via-o como uma prisão; descobri que era um refúgio.
No meu mundo posso esconder-me do resto do mundo.
No meu mundo posso inventar o resto do mundo.
No meu mundo posso sonhar.
O meu mundo é como eu o sonhar.

Sou filha única, filha de filha única, neta de filha única.
Cresci no direito a ter um mundo só meu. Cresci no meu mundo.
Cresci no direito a que cada um tenha um mundo seu.
Gosto de passear pelo mundo dos outros. Gosto de o ver pela janela.
Gosto de partilhar o meu mundo com aqueles que também têm um mundo para partilhar.
Gosto de chegar ao fim do dia e fechar a porta atrás de mim.
Gosto de me aninhar meu mundo feito de paz, de silêncio e de sombras.

Voltei a ter um sítio para o meu mundo.
Vivo nele com um filho único.
Voltei a dormir de manhã até tarde.

3 comentários:

Anónimo disse...

olá! cheguei aqui através da lady. também sou filha única, e senti precisamente aquilo que descreveste neste post, principalmente a parte de sair e depois quando se quer voltar, já não se saber muito bem para onde é, porque o nosso mundo antigo já não sabe ao mesmo. como se o perdessemos porque o deixámos um dia.. esquisito.

és lamechas como eu. :P

mir disse...

É bom, poder ser lamechas!

Alexa disse...

Que bonita fotografia!
E é tão bom termos árvores à nossa volta, a dizerem-nos o tempo que faz :)