quinta-feira, maio 17, 2007
quarta-feira, maio 16, 2007
Vida de Arquitecto (4)
segunda-feira, maio 14, 2007
Mais um Verão que se aproxima...
O fim-de semana tranformou a casa numa Feira-da Ladra.
Arrumar os casacões, rever os vestidos, tirar das gavetas as camisolas de malha, passar a ferro os algodões amachucados pelo Inverno.
Exprimentar tudo.
Arrumar de novo o que não serve e é matematicamente impossível que venha a servir antes de Outubro.
Constatar as evidências.
Chegar a segunda-feira e continuar sem saber o que vestir.
Spring-Summer 2007, Max Azria
Acho que esta é a única solução viável para este Verão.
Bem me avisaram que casar engorda...
sexta-feira, maio 11, 2007
Vida de Arquitecto (3)

Muito complexa é a simplicidade...
(para pegar o touro pelos cornos há que perceber onde eles estão!)
quinta-feira, maio 10, 2007
"Tudo isto existe, tudo isto é triste..."
- e não é fado! - respondeu-me a Sophy - antes fosse! fado, tunas, qualquer coisa era melhor.
Pelos quiosques, pelas farturas, pelo terreiro quase deserto poderia perfeitamente ser uma festa de aldeia, mas não: era a Semana Académica de Lisboa.
(o que faz um grupinho de quatro tristes entre os 28 e os 34 anos, dois deles rumo ao doutoramento, na Semana Académica? é uma boa questão. as intenções eram as melhores: diz que ia estar lá um DJ que justificava a viagem...aguardamos confirmação do único que ficou para ver.)
Duas horas de música (se é que se pode chamar música áquilo) sucessivamente pior.
Ao princípio era "Axé", segundo anunciaram, e o brasileiro que estava connosco começou imediatamente a torcer o nariz.
Mas a menina sempre se abanava com a graça que só a brasileiras têm e passou.
- estamos velhos? - a Sophy tentava arranjar uma justificação para o nosso desconforto
- a ver por esta amostra não estamos a perder nada. - tento sempre encontrar alguma coisa de positivo nas situações mais desesperadas.
Depois piorou. Qualquer coisa entre Zé Cabra e Quim Barreiros com uns toques de "Levanta-te e ri". Aguentámos histoicamente.
Pelo caminho ainda passeámos pelas barraquinhas das faculdades na esperança de descobrir alguma coisa que nos animasse, mas quando passámos na da Faculdade de Arquitectura e ouvimos "vou partir, naquela estrada..." a esperança desapareceu e quis partir também.
Ainda piorou mais. Quando respirávamos de alívio pensando que a tortura tinha terminado chega ao palco segunda dose de disparate completo nessa mistura de brejeirisse com desafinação. Impossível aguentar!
- o que é isto? - perguntou o brasileiro que achava que "Axé" era mau.
- isto é o que cantam os bêbedos no fim dos casamentos e "daqueles" casamentos..! - foi a única resposta que me ocorreu.
Quando saímos faltaria meia-hora para o tal DJ, mas não aguentávamos nem mais um minuto.
- e são "isto" estudantes universitários!?! - indignava-se a Sophy.
- calma, afinal está cá pouca gente... - respondi sem convicção.
quinta-feira, maio 03, 2007
terça-feira, maio 01, 2007
sexta-feira, abril 27, 2007
Quatro dias, quatro noites

"Broken Shelves", design: Mareike Gast
4 paredes de estantes.
40 armários.
400 prateleiras.
4000 livros.
40000 papéis.
Quatro dias no Alentejo para fazer a revolução.
Quatro noites de memórias além de 74.
... e, entre Abril e Maio, o direito a dormir quatro manhãs.
terça-feira, abril 24, 2007
domingo, abril 22, 2007
25 de Abril, o bairro
"Eles querem-nos desterrar para Chinicato, Odiáxere e Bensafrim para fazer uma Copacabana, mas eu nasci índia, cresci índia e quero morrer índia aqui", assegura a avó Isabel do Carmo, 55 anos, que nasceu na Meia Praia, lugar à beira-mar cantado e imortalizado por José Afonso após o 25 de Abril."
in barlavento
Até quando se saberá de onde veio a música?
| Zeca Afonso - Os í... |
25 de Abril, o selo

Um selo que plastificariamos com especial prazer.
Votação em selo passível de ser editado pelos CTT aqui.
sábado, abril 21, 2007
Há coisas que me intrigam IV...
Por um lado, mais imediato, primário e ou prático, como é possível perder horas de uma maravihosa tarde de sábado por em dia a leitura de mails?!
Agora só resta correr atrás dos últimos raios de sol (rumo ao trabalho do esposo, que não ficará muito feliz se me atrasar a ir buscá-lo...)
Mas principalmente, por outro lado, quantas horas se perdem a "encontrar" imagens, videos e outros absurdos para enviar e receber e reenviar a uma série de gente que não pediu nada? E será que encontram por acaso ou andam mesmo à procura? De quê? Quem é que escreve listas de frases feitas? Quem começa as "cadeias"? Para quê?
E assim que se enche a caixa do correio e se perde uma tarde a rir, quando, por uma vez, não se apagou tudo indiscriminadamente perdendo minutos de boa disposição para não perder horas ... nem sei bem a fazer o quê.
sexta-feira, abril 13, 2007
Vinte Minutos de História(s)

Rainha Santa Isabel, Zurbaran, no Museu do Prado
- Está muito bem disposta para um sexta-feira treze! - cumprimentou-me o Sr.T. enquanto entrava no seu veículo.
Apesar das reservas enquanto condutora, gosto de taxistas.
Há dias em que prefiro pagar para poder dormir mais um pouco de manhã. Há dias em que dou o dinheiro por bem empregue, quando me fazem esquecer o dia no trabalho no percurso entre os Santos e os Anjos.
Troco a espera preenchida por pensamentos desnecessários por uma boa conversa meteorológica. Troco o percurso repetido dia após dia por uma viagem tantas vezes surpreendente.
Ao volante pode estar sentado um pacato senhor que apenas nos transporta de um ponto para outro da cidade, ou pode estar uma pessoa disposta a partilhar com o banco de trás tudo o que lhe apoquenta a alma. Ou um contador de histórias.
Tanto quanto percebi nos vinte minutos à beira-rio, entre o Parque das Nações e Santos, o Senhor Taxista que me conduziu deve começar a contar histórias no momento em que entra no carro e não sei mesmo se terá algum momento de descanso senão quando dorme (na verdade nem sei mesmo se não falará enquanto dorme...). Desta forma uma pessoa não apanha um táxi, mas um capítulo ou episódio, ou mesmo dois, como me aconteceu, que apanhei a transição na programação, felizmente sem intervalo publicitário.
O programa iniciado com a pasageira anterior, como o próprio Sr.T. me explicou, abordava o tema do jogo e da perda de dinheiro em casinos (que, por mometo me levou a crer que já tinha encontrado o Sr.T. antes, mas não pude confirmar já que esse documentário estava, como já referi, no fim). A mim coube-me disfrutar de uma explicação dos nomes das ruas e expressões populares baseada em factos históricos, alegadamente recolhidos na Torre o Tombo. "Alegadamente" porque o Sr.T. diz que sim, mas eu tenho as minhas dúvidas...
Uma vez que o Sr.T. não teve ainda possibilidade de adquirir um portátil para ir escrevendo no táxi - vinte minutos chegam para explicar muita coisa ao banco de trás - faço-lhe o favor de divulgar os conhecimentos adquiridos, cuja veracidade deixo à consideração dos leitores.
[...] - Conhece a Rua da Penha de França? E sabe porque se chama assim? - acenei primeiro afirmativamente e depois pela negativa.
- Quando D. Afonso Henriques veio ao estalo aos Mouros por aí abaixo [não posso deixar de chamar a atenção para o rigor deste trecho na descrição histórica] acabou por chegar a Lisboa e queria conquistar o castelo. Para o ajudar vieram soldados de todo o mundo. Os franceses acamparam naquela penha com as suas catapultas dirigidas ao castelo. [acrescentou então uma breve explicação sobre o nome dado às catapultas na Torre do Tombo, mas, lamentavelmente a minha fraca memória não permite reproduzir essa parte]
- E sabe de onde vem a expressão "Rés-vez Campo de Ourique"? - mais uma vez acenei negativamente. - Tem a ver com o terramoto, que parou mesmo junto a Campo de Ourique.
- Só não caiu o Carmo e a Trindade! - acrescentei, que também sei algumas coisas...Então o Sr.T., que perdeu muito dinheiro no casino até os filhos lhe oferecerem um computador com 600 jogos de cartas, aumentou a parada:
- E sabe porque houve o Milagre das Rosas? Porque havia fome. E sabe porque havia fome? - estávamos quase a chegar e não havia tempo a perder com os meus acenos de cabeça. - Porque há três anos que não nevava. [ainda assim havia tempo para uma pausa no discurso para aumentar o suspense]
Há três anos que não nevava e a realeza, que gostava muito de fazer ski, não tinha como o fazer e então foi recolhida a farinha do reino. Por isso é que havia fome, porque não havia pão, porque a farinha servia para a realeza fazer ski.
- Não fazia ideia de que já havia ski nessa altura... - constatei só para confirmar se teria ouvido bem.
- Então não havia?! Eu bem digo, quem tenha tempo que vá à Torre do Tombo...
Vale a pena pagar para passar ainda mais bem disposta a sexta-feira treze, imaginando D. Dinis e D. Isabel com a sua corte fazendo ski sobre farinha
quarta-feira, abril 11, 2007
A Rolha

Primeiro era na boca.
Mudaram-me de sítio e viraram-me o monitor para o patronato.
Depois era na garganta.
Escrever afinal não era um hábito, mas uma necessidade; tão importante para a cabeça como o banho é para o corpo.
Por fim na alma.
Deixar de escrever sobre nada e guardar tanto sobre o que se poderia escrever.
A boca pouco se abre quando a alma está entupida.
O ar não passa.
Abre-se a boca para a tornar a fechar, como um peixe.
Cerram-se os dentes.
Mas uma rolha também pode servir para nos manter sobre a linha da água...
terça-feira, abril 10, 2007
Telegrama para a Memória
terça-feira, abril 03, 2007
Boa Páscoa!

Mais uma vez, só este coelho pode ilustrar os dias que correm.
Será tão Santa esta Sexta-feira!...
(com sorte, até talvez se arranje um tempinho para escrever alguma coisa que se aproveite e, quem sabe?, para dar um girinho virtual.)
quinta-feira, março 29, 2007
5 minutos para escrever

"Escrevo o que me apetece, quando me apetece", ou qualquer coisa mais ou menos poética mas com o mesmo significado, escrevi que iria escrever há uns bons tempos a propósito de um e outro post que explicarei em melhor oportunidade, por exemplo: quando tiver tempo para ir ver dos links.
Pois bem, não era sobre nada disto que queria escrever, mas agora já está.
"Escrevo o que calha, quando posso", seria mais honesto.
Completo disparate!, o que escrevi que iria escrever.
Se tivesse apenas 5 minutos para escrever qualquer coisa certamente teria o que escrever.
- Chegou a Primevera.
- Mudou a hora.
- (está frio outra vez)
- Pintei o cabelo de vermelho.
- Que pena não podermos mandar quem votou no Salazar para a Sibéria.
- Está lindíssima a estrada para Elvas.
- A Princesa fez anos.
- ...
- Se tivesse apenas 5 minutos para escrever (por dia)...
domingo, março 25, 2007
(sem título I)
Leio o desassossego de Pessoa enquanto desespero por um autocarro.
É Domingo. Quanto mais cedo chegar ao trabalho mais cedo saio. O autocarro não chega e já passaram dois 708. Fico sozinha na paragem.
Tocam os sinos da Igreja dos Anjos. Nunca me lembro que é realmente uma igreja e surpreendo-me de ouvir os sinos tocar, apesar de ser Domingo.
No tempo entre os dois autocarros podia chegar a pé ao Martim Moniz - para quê o autocarro?... Continuo a ler, não me consigo levar a pé até ao meu destino, preciso de ajuda, preciso um autocarro.
Acaba por chegar:"Cemitério da Ajuda". A parte do cemitério parece-me uma piada de mau gosto, afinal vou só trabalhar, apesar de ser Domingo. Non-sense é o "Cemitério dos Prazeres", vou rindo para mim própria destes disparates enquanto o autocarro passa em frente à Igreja dos Anjos.
Dos Anjos para Santos, de Santos para os Anjos. Sempre estou melhor que o outro, que nem saia da Rua dos Douradores. E mesmo assim fez tanto, escreveu tanto. O que poderia escrever entre Santos e Anjos.
Dos Anjos para Santos, de Santos para os Anjos...
...ensinam-me a voar?
domingo, março 18, 2007
"Inscription for the Ceiling of a Bedroom"
Daily dawns another day;
I must up, to make my way.
Though I dress and drink and eat,
Move my fingers and my feet,
Learn a little, here and there,
Weep and laugh and sweat and swear,
Hear a song, or watch a stage,
Leave some words upon a page,
Claim a foe, or hail a friend-
Bed awaits me at the end.
Though I go in pride and strength,
I'll come back to bed at length.
Though I walk in blinded woe,
Back to bed I'm bound to go.
High my heart, or bowed my head,
All my days but lead to bed.
Up, and out, and on; and then
Ever back to bed again,
Summer, Winter, Spring, and Fall-
I'm a fool to rise at all!
Dorothy Parker
sábado, março 17, 2007
Fotohistérica
sexta-feira, março 09, 2007
quarta-feira, março 07, 2007
À espera da Primavera
Aos poucos as palavras vão ocupando o lugar dos números.
Aos poucos, que as recuperações são tão mais lentas quanto mais frequentes.
Aos poucos, que outros números aparecem.
Aos poucos, que não há desenhos que abram espaço à imaginação.
Aos poucos, que as palavras demoram a sair dos arquivos.
Aos poucos vai sendo menos difícil sair da cama.
Aos poucos espera-se que a roupa mude no roupeiro.
Aos poucos, que pouca serve e desespera-se pela que não venha a servir.
Aos poucos vai-se acreditando que pelo menos a roupa fique mais leve.
Aos poucos vai-se acreditando em dias melhores.
Aos poucos os dias tornam-se maiores, prometendo sem cumprir.
Aos poucos...
Um dia depois do outro...
Uma hora depois da outra...
Obriga-se a esperança a nascer a cada minuto.
Rega-se.
Aos poucos, tentando não a afogar num interminável inverno.
domingo, março 04, 2007
Palácio

À noite, os sapatos desceram do Bairro Alto e seguiram rumo à Mouraria, de taxi.
Iluminada a cor-de-rosa a fotografia de Amália. Atrás um altar de rosas vermelhas exalta um desenho da Severa; péssimo, o desenho, diga-se de pasagem. "Mouraria, berço de fadistas", lê-se na parede.
Sendo que o som que se ouvia não correspondia à imagem. Não sei o que era, mas era bom.
Jogava-se snooker sob um tecto pintado com anjos.
Fumava-se na sacada sobre Lisboa.
Sítio bom de se estar, mesmo quando não se sabe bem porque se está.
(info-sessão: GrandeMundo contra G8, supostamente...)
sábado, março 03, 2007
Voar
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
quarta-feira, fevereiro 21, 2007
Little Children

Sete anos depois de "American Beauty" parece que os casais começam a ter problemas mais cedo, mas também parecem lidar com eles com mais calma.
Talvez porque, sete anos depois de "Magnolia", olhamos para uma geração que interiorizou desde cedo que "it's not going to stop".
Ou talvez não...
Talvez seja a vida que nos desilude mais cedo e o casamento é apenas mais uma peça dessa engrenagem que não conseguimos por a funcionar como sonhámos.
Ou talvez não...
Talvez seja apenas a eterna procura de uma felicidade que só reconhecemos quando é posta em causa.
Ou talvez não...
Talvez seja apenas mais um óptimo filme.
A Felicidade
Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
A felicidade é como a pluma
Que o vento vai levando pelo ar
Voa tão leve
Mas tem a vida breve
Precisa que haja vento sem parar.
A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira.
Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
A felicidade é como a gota
De orvalho numa pétala de flor
Brilha tranquila
Depois de leve oscila
E cai como uma lágrima de amor.
A minha felicidade está sonhando
Nos olhos de minha namorada
É como esta noite
Passando, passando
Em busca da madrugada
Falem baixo por favor...
Pra que ela acorde alegre como o dia
Oferecendo beijos de amor.
Tristeza não tem fim
Felicidade sim...
Tom Jobim e Vinicius de Moraes
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Tradição

Sentiu-se assim, na sexta-feira, gorda.
Também se sentiu assim no Sábado e no Domingo gordo.
Terça-feira de Carnaval a Mãe telefonou à Filha.
- Lembras-te que hoje é dia de fazer Arroz-Doce?
A Filha não se lembrara. Lembrava-se agora que a Mãe a lembrava, que tem que se lembrar de fazer Arroz-Doce.
- A Avó, de certeza, já fez; eu estou a fazer.
A Filha não se lembrara que para haver Arroz-Doce teria agora que ser ela a lembrar-se e a fazê-lo.
A Mãe terá telefonado à mãe, a Avó telefonou à Neta.
- Fizeste Arroz-Doce?
A Filha não se lembrara que estava casada este Carnaval.
Depois de a Mãe ter telefonado a Filha saiu e foi comprar arroz e limão. Depois de almoçar cozeu o arroz juntou o leite gordo e as natas "para pôr o que eles tiram" - segundo a receita da Mãe que já tinha evoluido a partir da da Avó, adaptando-se aos novos tempos - e apercebeu-se que só tinha açúcar amarelo.
A Filha sempre fora particularmente criativa, desde o tempo em que apenas fazia os desenhos com canela no Arroz-Doce. Era tão criativa a cozinhar como distraída quando ía comprar os ingredientes para cozinhar.
- Fiz, ficou muito bom!
A Neta não disse à Avó que tinha alterado mais um pouco a receita.
- "Arroz-Doce Mascarado", moreno como o meu amor! - anunciou ao marido que, Terça-Feira de Carnaval, iria grelhar trutas para o jantar.
sábado, fevereiro 17, 2007
Carnaval (cont.)
...seis mais sete virgula dois mais cinco, três metros de altura...este está. ...
...demolições de paredes em alvenaria de tijolo...quatro mais cinco vezes um e vinte cinco mais três e quarenta...
...remoção integral dos pavimentos... três por quatro mais cinco e meio por sete e vinte mais duas vezes seis por cinco e noventa...
...picagem integral das paredes...ora não são todas...ora, são estas três... ora: oito mais sete e noventa mais...vãos a deduzir...três, são três iguais...três vezes um por dois e vinte...
Tss, Tss.
Com que visão redutora da vida andas tu, menina?!
Então nem consegues ver de que estás mascarada?
A sala é de arquitecta. A mesa é de arquitecta - de Arquitecto (com maiúscula) corrija-se, que a mesinha já merecia patente -, o computador e os desenhos de arquitecto espalhados à volta. Até podes estar vestida de preto como os arquitectos, é certo...mas não vês o que estás a fazer?!
Qual arquitecta? Antes fosse...
Medidora-Orçamentista!
Este ano passo o carnaval mascarada de Medidora-Orçamentista.
É ou não é original?!
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
Carnaval
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Vida de Arquitecto (2)
"Vê se consegues fazer os dois projectos em paralelo..."
Concerteza!
Alguém me empresta um teclado para os pézinhos?
terça-feira, fevereiro 13, 2007
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
domingo, fevereiro 11, 2007
In loco (cont.)
Este Sábado tinha 17 anos e andava no Liceu, enquanto jantava. Depois, não sabia quando cheguei, mas ia voltar ao bar onde a minha mãe insistia que não fosse. Em versão mais pequena mas com sítios onde uma pessoa se sentar (não seria o sucedâneo do "Café Cortiça" porque aí não encontraríamos os metaleiros), mas onde a minha mãe continuaria a preferir que eu não fosse já que a má fama se mantém apesar de ter donos diferentes e se localizar agora frente à polícia.
Quando voltávamos para o carro alguém que não se tinha em pé insistia em conduzir-se a casa.
- Se o teu irmão estivese aqui não fazias isto! Queres fazer o mesmo que fizeste ao Corsa? - perguntava o amigo com a pronúncia local- Queres dar um desgosto à tua mãe? Como podes conduzir com essa dor de costas?
À noite continuei a ler...
"O liceu é um produto da social-democracia, mas da verdadeira e fundadora, a sueca. [...]
Fora alguma coisa em que somos parecidos, e onde nos poderíamos entender com facilidade, como é a vontade de morrer, embora na Suécia seja um suicídio esquisito, porque esses loiros matam-se porque têm tudo, e aqui as pessoas, em geral, matam-se porque não têm nada, nisso somos mais saudáveis, não vejo semelhanças entre esta cidade e a Suécia.[...]
Quando agora se fala do ranking nacional das escolas secundárias, o liceu está sempre para último, no número 500 e muitos, num total de 600, mas desconte-se três valores ao calor. Três valores em vinte, pelo menos, evaporam-se ou derretem no exame, não é só ignorância, tente-se explicar a Crítica da Razão Pura a grelhar ao sol, ou o Teorema de Pitágoras.
O quadrado do quadrado do quadrado igual ao quadrado.
A porra da metafísica que se encontra numa sala a a 47 graus centígrados.[...]"*
Mais que Twin Peaks**, diria Twilight Zone.
* in "E Se Eu Gostasse Muito de Morrer"
**in Público, Mil Folhas,29.12.2006
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
In loco
Leitura para o fim-de-semana.
Na confusão do mundo, um rapaz sobe a rua. O Interior é igual em toda a parte.
Mas hoje vai mudar. Ele traz um segredo terrível no bolso do kispo.
Faz calor na província dos suicidas. Dá vontade de rir: uma cidade em que até o coveiro se mata... São estatísticas, tudo em números.
Na Internet, há sexo e doidos japoneses e americanos para conversar em directo. No campo, granadas e ervas venenosas. No prédio, um jovem assassino toca órgão.
O space-shuttle leva cortiça do Alentejo para o Espaço. O Bispo viu o maior massacre da guerra de África e calou-se.
Mas hoje vai responder. Os factos verdadeiros são os piores.
O amor do rapaz rebentou. Que responsabilidades temos quando nada fizemos?
Em que fado parámos, onde fica Portugal?
o que é que se p com isto?
De dias e dias com aça cheia de trabalho e outros dispar, consigo fnete tempo para dar um gir blogosfera no recolhimento d.
Já me tinham dit teclava depressa, mas não acredito que se esa não me companha a culminha.
Es sido a minha ocupaçrante aúltima hora: escrever tudo duas e três vezes até o computador perceber uero dizer.
Algpercebe?
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Votar na província
No dia de eleições as pessoas da terra saíam à rua, naquela que costuma ser uma cidade fantasma.
Subiam o jardim com as suas roupinhas de Domingo, as senhoras muito penteadas, os maridos com o porte altivo de quem sente que é importante.
Depois subia-se a escadaria. Fosse onde fosse havia sempre uma escadaria a subir, e onde nós íamos era bem grande e nesse dia ainda parecia maior.
Dizia-se boa-tarde às pessoas, respeitosamente, quase sem trocar palavra para não haver mal entendidos.
Eu ficava à porta à espera, que era um momento sério, não era sítio para brincadeiras e, dizia-me a minha mãe quando eu insistia em ir com eles: o voto é secreto.
Podia achar estranho o secretismo de quem durante as semanas anteriores apelava ao voto nO Partido* sem qualquer pudor, mas não. O dia anterior marcava a barreira entre o que é de todos e o que é de cada um.
Cumprido o dever dos cidadãos meus pais, desciamos as escadas dizendo boa-tarde às pessoas.
Nós não passeávamos no dia de eleições, já que o meu pai era um cartaz com pernas. Íamos para casa esperar pelo fecho das urnas e então para o Centro de Trabalho, saber os números em primeira mão.
O meu pai esperava pelo resultado de tão árdua campanha, a minha mãe esperava pelo resultado que o povo tinha feito por merecer e eu esperava pelo dia em pudesse votar.
Ir votar à terra tem o seu encanto, relembra-me a Menir .
Ou pode ter, ou teria, ou tem para outros.
Tem encanto para quem vota na cidade, lembro-me bem, quando ia com os meus pais.
Eu recenseei-me atrás do sol posto, que é o preço de morar no "bairro chique" (paradoxal?, só para quem não conhece: nem o bairro é chique nem se percebe porque não é cidade).
Voto no campo, numa terriola perdida na serra que só se sabe que existe desde que passou a ter piscina.
Voto numa mesa onde a minha mãe já teve de pedir para não haver garrafões de vinho por perto.
E desde que me convenci de que voto numa terra que não tem emenda que penso mudar o voto para a capital. O voto útil na versão geográfica, a única que me faz sentido.
Mas ainda não o fiz... e lá vou votar a nenhures.
A ver se mudo o recenseamento para Lisboa antes que o presente executivo caia. Já faltou mais...
*este Partido sempre se fez valer da entoação de letra maiúscula, leia-se "O" Partido, carregando no "O", sff.
P.S. - Entretanto, um dia mais tarde, já somos quatro a ir votar ao fim do mundo!
Uma com quem me recenseei (ainda estamos para descobrir quem é o número entre os nossos dois!) e a as duas vizinhas que se recensearam mais tarde...
Iremos todas juntas, para parecermos muitas!
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Votar SIM
"Se houve algo de útil nesta campanha foi perceber-se que existem dois consensos mais ou menos alargados na sociedade portuguesa: por um lado, as pessoas consideram excessiva a penalização do acto "aborto" com a pena de prisão; por outro, rejeitam a hipótese do aborto livre, sem qualquer condicionalismo ou ponderação legal."
Blogue do Não
Mesmo dissecando a pergunta, como parece ser moda...
"(...)se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas(...)"
Citando Vasco Rato - "E há-de ser por opção de quem?"
"(...)em estabelecimento de saúde legalmente autorizado(...)"
E há-se de ser onde?
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez(...)"?
Qual é a dúvida?!?
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Portugueses
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.[...]
[...]as memórias gloriosas
Daqueles Reis, que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando;
E aqueles, que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando;[...]
Somos Pessoa, sonhamos ser
Camões.
domingo, fevereiro 04, 2007
sábado, fevereiro 03, 2007
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Finalmente!
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Big exit
Look out ahead
I see danger come
I wanna' pistol
I wanna' gun
I'm scared baby
I wanna' run
This world's crazy
Give me the gun
Baby, baby
Ain't it true
I'm immortal
When I'm with you
But I wanna' pistol
In my hand
I wanna' go to
A different land
I met a man
He told me straight
'You gotta' leave
It's getting late'
Too many cops
Too many guns
All trying to do something
No-one else has done
Baby, baby...
I walk on concrete
I walk on sand
But I can't find
A safe place to stand
I'm scared baby
I wanna' run
This world's crazy
Gimme' the gun
Baby, baby
PJ Harvey
| PJ Harvey - Big Ex... |
Votar SIM
MAS O QUE É ISTO?!
"Um dia quando estava feliz a brincar no mais íntimo das tuas entranhas senti algo de muito estranho, que não sabia como explicar: algo que me fez estremecer. Senti que me tiravam a vida!... Uma faca surpreendeu-me quando eu brincava feliz e quando só desejava nascer para te amar (...) Mãe, como foste capaz de me matar?..." Este é apenas um excerto de uma carta que foi colocada nas mochilas de crianças de dois infantários de Setúbal, o Aquário e a Nuvem, da rede de instituições particulares de solidariedade social (IPSS), e por isso comparticipados pelo Estado, no caso dirigidos pelo Centro Paroquial de Nossa Senhora da Anunciada. A missiva de apelo ao "não" ao aborto, sem estar assinada, motivou a indignação de alguns pais, que protestaram junto das educadoras. E ontem já circulava na Internet em vários blogues.
DN
Ponto 1 - Indecente! Não há direito de envolver infantários em campanhas.
Ponto 2 - Indecente! Não há direito de mentir.
folheto completo no blog Sim no referendo
(Quando escrevi o post anterior moveu-me a vontade de isenção, de olhar para o lado de lá e tentar perceber. Não merecem!)
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Votar SIM

AS 10 SEMANAS
As confusões que se têm gerado à volta das 10 semanas levaram-me a mais uma mini-investigação.
A confusão começa pelo facto de podermos colocar o problema em relação à mãe ou em relação à futura criança.
Como o saber não ocupa lugar e não gosto que me mintam sem que possa retorquir, fui ver o que acontecia a ambos às 10 semanas.
De modo geral, simplista e despretencioso, entre as 8 ou 10 semanas o ser que cresce no útero da mãe deixa de ter o nome de embrião para passar a ser feto correspondendo ao término da fase de diferenciação para entrar num período de desenvolvimento.
Assim, se procurarem, como fiz, imagens de um feto ou embrião de 10 semanas os resultados são variadíssimos, desde ecografias onde não se vê nada até crianças aparentemente prontas a nascer...
Depende, mais uma vez, do ponto de vista.
Depende, como sempre, do que se quer ver.
Mas não nos deixemos levar por visões românticas de quem quer ver mais do que realmente existe.
O que se diz:
Development of the Fetus
At the end of the 8th week after fertilization (10 weeks of pregnancy), the embryo is considered a fetus. During this stage, the structures that have already formed grow and develop. By 12 weeks of pregnancy, the fetus fills the entire uterus. By about 14 weeks, the sex can be identified. Typically, the pregnant woman can feel the fetus moving at about 16 to 20 weeks. Women who have been pregnant before typically feel movements about 2 weeks earlier than women who are pregnant for the first time. By about 23 to 24 weeks, the fetus has a chance of survival outside the uterus.
The lungs continue to mature until near the time of delivery. The brain accumulates new cells throughout pregnancy and the first year of life after birth.
The Fetal Senses
Sensitivity to Touch
The maternal womb is an optimal, stimulating, interactive environment for human development. Activity never ceases and a fetus is never isolated. Touch, the first sense, is the cornerstone of human experience and communication, beginning in the womb (Montagu, 1978).
Just before 8 weeks gestational age (g.a.), the first sensitivity to touch manifests in a set of protective movements to avoid a mere hair stroke on the cheek. From this early date, experiments with a hair stroke on various parts of the embryonic body show that skin sensitivity quickly extends to the genital area (10 weeks), palms (11 weeks), and soles (12 weeks). These areas of first sensitivity are the ones which will have the greatest number and variety of sensory receptors in adults. By 17 weeks, all parts of the abdomen and buttocks are sensitive. Skin is marvellously complex, containing a hundred varieties of cells which seem especially sensitive to heat, cold, pressure and pain. By 32 weeks, nearly every part of the body is sensitive to the same light stroke of a single hair.
Listening and Hearing
Researchers in Belfast have demonstrated that reactive listening begins at 16 weeks g.a., two months sooner than other types of measurements indicated. Working with 400 fetuses, researchers in Belfast beamed a pure pulse sound at 250-500 Hz and found behavioral responses at 16 weeks g.a.--clearly seen via ultrasound (Shahidullah and Hepper, 1992). This is especially significant because reactive listening begins eight weeks before the ear is structurally complete at about 24 weeks.
The Senses in Action
Ultrasonographers have recorded fetal erections as early as 16 weeks g.a., often in conjunction with finger sucking, suggesting that pleasurable self-stimulation is already possible.
Babies have been known to react to the experience of amniocentesis (usually done around 16 weeks g.a.) by shrinking away from the needle, or, if a needle nicks them, they may turn and attack it.
Finally, researchers have discovered that babies are dreaming as early as 23 weeks g.a.when rapid eye movement sleep is first observed (Birnholz, 1981).
Já para a mulher a interrupção da gravidez será bastante diferente antes ou depois das 10 semanas.
informação médica
[...] Dependendo do tempo de gravidez poderá recorrer a diferentes métodos que se podem classificar em dois grandes grupos: o aborto cirúrgico e o chamado aborto médico que é feito com o uso de medicamentos:
O aborto médico é um método seguro e eficaz para gravidezes precoces. Geralmente, o aborto médico é preferencialmente utilizado nas primeiras 7 a 9 semanas de gravidez. No aborto médico é utiliza a combinação de dois medicamentos para terminar a gravidez. O primeiro (mifepristona (RU-486): Mifeprex ®/ Mifegyne ®) enfraquece a ligação da placenta ao útero. O segundo (misoprostol: cytotec®) provoca contracções no útero e a hemorragia, expulsando o conteúdo uterino.[...]
Hoje, com 29 anos, uma relação de 8, casada há meses, fiquei impressionada com o que vi dos fetos e ou embriões, não posso dizer o contrário. Hoje, na perspectiva de futura mãe enterneci-me ao olhar para as imagens, porque quero ver uma criança crescer. Mas também ainda lembro o que pensava, o que pensei, há uns anos atrás...
O nascimento de uma nova vida prender-se-á sempre com a mulher, com o casal. A interrupção voluntária da gravidez é parte integrante do(s) problema(s) de planeamento familiar e, a partir do momento em que não acredito que o acto sexual sirva apenas para procriar, sei que a interrupção da gravidez existirá sempre.
É a vida da mulher, nascida há anos, que está em causa, essa vida que estará sempre na base da outra - que existirá ou ou não - para o mehor e para o pior.
Votar SIM
Porque contra factos não há argumentos, porque estou cansada de argumentos filosóficos mais ou menos discutíveis, porque acredito numa interpretação pessoal e porque (ao contrário do Fernando Santos) os números não me confundem – esclarecem - fui espreitar o estudo da Associação para o Planeamento da Família efectuado entre os dias 6 de Outubro e 10 de Novembro de 2006.
Dos dados fornecidos saliento os seguintes:
“Em que circunstâncias engravidou?”
- O método contraceptivo que estava a usar falhou – 20,8%
- Não estava a usar qualquer método contraceptivo – 46,1%
- Descuido (“enganou-se” nas contas) – 15%
- Não faz ideia/ Não sabe explicar – 18,1%
“Quais os motivos que levaram à decisão de abortar?” (registo apenas os valores mais altos)
- Era muito jovem – 17,8%
- As condições económicas não o permitiam – 14,1%
- Por não desejar ter filhos – 13,2%
- Tinha tido um filho há pouco tempo – 10,4%
- Marido/companheiro rejeitou a gravidez – 9,4%
- Instabilidade conjugal – 9,1%
“Com quem se aconselhou nessa decisão?”
- Marido / companheiro – 43,8%
- Com ninguém / decidiu sozinha – 22,5%
- Com um familiar – 17,2%
- Com um(a) amigo(a) – 6,7%
- Com o médico / profissional de saúde – 6,1%
- Com outra pessoa – 3,7%
Conclusões
- Já fez interrupção voluntária da gravidez cerca de 14,5% das mulheres entre os 18 e os 49 anos. Entre 346.000 e 363,000 mulheres.
- No úlimo ano fizeram-se entre 17.260 e 18.000 abortos
- O aborto é sobretudo realizado entre os 17 e os 20 anos e entre os 25 e os 34 anos.
- A grande maioria das mulheres fez um único aborto.
- Cerca de 73% das mulheres que realizaram aborto, fizeram-no até às 10 semanas de gravidez.
- Das mulheres que abortaram, 21% engravidou em consequência de uma falha do método contraceptivo.
- A maioria dos motivos que levou ao aborto é de carácter social.
Destaco ainda que o maior número de abortos (39,4%) foram realizados numa casa particular e, com número muito menor mas não menos arrepiante, 1,3% foram realizados em casa.
Confirmando o argumento utilizado pelo Dr. Vital Moreira no último "Prós e Contras", em como a sociedade, ao contrário da lei, não persegue nem denuncia estas “criminosas”, o facto é que 72,5% obteve informações sobre o local de realização do aborto através de pessoas amigas e 22,7% foram informadas através de um profissional de saúde; sendo que todas as mulheres ganhariam se este último número fosse superior.
O estudo está disponível no site da APF ou aqui.
Há que olhar, com olhos de ver.
Por decisões informadas.
terça-feira, janeiro 30, 2007
porque SIM
HOJE
Concerto de Abertura da Campanha do EM MOVIMENTO PELO SIM!, pelas 21h no fórum Lisboa.
Música de Paulo de Carvalho e Naifa.
Participação de Fernanda Lapa, Carlos Paulo, José Carlos Malato e Helena Coelho.
domingo, janeiro 28, 2007
sábado, janeiro 27, 2007
O Carrocel
Era um carrocel daqueles antigos, de metal pintado. À volta aviões e outros brinquedos.
Lá dentro um café, "Tea House", numa montra.
Lá dentro boinas e chapéus, "vintage", noutra montra.
Caminhava rumo à resolução de um problema relacionado com esgotos, sobre o qual não entrarei em pormenores por respeito aos prezados leitores. O pensamento ocupado por todas as actividades desinteressantes que ocupariam um Sábado que parecia fazer todo os outros transeuntes da Baixa felizes.
Pelo canto do olho, ainda lembrado da almofada momentos antes, passa numa montra o carrocel.
Evidente: só uma viagem no tempo pode parar o carrocel...
...ou um café n'"A Outra Face da Lua".
balanço semanal
Mal empregado sol que não vi, mal empregado frio que não me gelou a cara enquanto um casaco de pelo me aconchegaria o corpo e um abraço quente a alma.
Mal empregado tempo perdido a correr entre quatro paredes com o som do telefone como música de fundo.
Mal empregado jantar alentejano esquecido antes de chegar a Lisboa graças ao humores alterosos que o excesso de trabalho provoca, ainda que as calorias tenham ficado cá todas à mesma (e sei exactamente onde).
Esta deve ter sido das semanas mais deprimentemente stressantes e estúpidas dos últimos tempos; e, com jeitinho, talvez também se consiga arruinar o sábado...
Senhor, veja lá se (me) salva (n)o Seu dia!
quinta-feira, janeiro 25, 2007
quarta-feira, janeiro 24, 2007
de arquitecto (2)
“Architects are pretty much high-class whores. We can turn down projects the way they can turn down some clients, but we've both got to say yes to someone if we want to stay in business.”
Philip Johnson
Calêndula

Felizmente tenho amigos dignos de inveja.
Ou infelizmente tenho uma amiga digna de "mau-olhado"?
Seja como for, felizmente ela tem quem se preocupe com as feitiçarias que os seres invejosos - e certamente pouco dados à ciência - lhe podem lançar e, não vá o Diabo tecê-las, resolveu oferecer-lhe um livro que a ajude a proteger-se.
Com o inesperado nome "Aprenda a Proteger-se contra a Inveja e o Mau-Olhado", de um rigor científico indiscutível, é livro digno de qualquer biquímica, investigadora com provas dadas, prestes a publicar artigos em revistas de renome. Mas, vá-se lá saber porquê, a menina é pouco dada a bruxarias e resolveu passar à frente das velas e quejandos para ver apenas o capítulo referente às flores vindo a informar-me que a flor do meu signo é a Calêndula.
Gostei do nome! Calêndula.
Ca-lên-du-la.
Parece vir das calendas gregas. Soa a pêndulo. Lembra sândalo.
Não fazia a menor ideia de que flor seria...fui investigar.
Pode referir-se a:
- na maior parte das vezes, à espécie Calendula officinalis.
- Calêndula-silvestre (Calendula arvensis), também chamada de calêndula-do-campo, malmequer, erva-vaqueira e belas-noites;
Em Portugal são ainda de referir as espécies:
- Calendula suffruticosa, espontânea na Europa e Açores.
- Calendula maderensis, espontânea em Porto Santo e na Madeira, designada por vacoa ou vaqueira.
O mais impressionante, no entanto, são as qualidades terapeuticas de tão singela florzinha, usada nos mais variados países sob a forma de cremes, gotas, sabonetes... Ora a planta, do caule à flor, que tão adequadamente tem também o nome de "maravilha", é indicada como: cicatrizante, antisséptico, sudorífico, analgésico, colagogo, antinflamatório, antiviral, antiemético, vasodilatador, tonificante da pele.
Enquanto Escorpião pergunto-me: é suposto ter a Calêndula em vasos ou em frascos?
"Yo no creo en brujas. Pero que las hay, las hay..."
terça-feira, janeiro 23, 2007
Vida de arquitecto (1)
domingo, janeiro 21, 2007
"Vast emptiness"

Kathryn Szoka
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...
"Liberdade" - Fernando Pessoa
sábado, janeiro 20, 2007
Scoop
quinta-feira, janeiro 18, 2007
"Oh Dear!"
quarta-feira, janeiro 17, 2007
terça-feira, janeiro 16, 2007
Pela Liberdade (1)*
«O acto sexual é para ter filhos» - disse, com toda a boçalidade, o deputado do CDS no debate anteontem sobre legalização do aborto. A resposta em poema, que ontem fez rir todas as bancadas parlamentares, veio de Natália Correia. Aqui fica:
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
in Diário de Lisboa, 5 de Abril de 1982.
* votar SIM "pela liberdade" é votar SIM "pela liberdade" de opção, é votar SIM "pela liberdade" a nível penal depois de se ser obrigado a abortar.
(subscrevendo a posição da Lady)
pela despenalização da IVG
segunda-feira, janeiro 15, 2007
reencontro

i must confess I feel uneasy
my cheeks weigh heavily
i must confess you've affected me
i need your memory to
take me out of this world
take me out of this world
here we go
i'm gonna make
all this happen
in little steps
in little steps i'll make it closer to
i'm gonna make
all this happen
in little steps
in little steps I'll make it closer to you
i must confess, i've been constructing
to build some feeling
i must confess time's affected me
i need new memories to
take me out of this world
take me out of this world
here we go
i'm gonna make
all this happen
in little steps
in little steps I'll make it closer to...
i'm gonna make
all this happen
in little steps
in little steps I'll make it closer to you
pink & black
happy sad world
take me out of this world
take me out of this world
Caroline Lufkin
Pink & Black
sábado, janeiro 13, 2007
Almoço de meninas

Salada e uma boa dose de gelado; consciência leve e ego fortalecido.
Ingredientes:
-salada pré-feita
-boa companhia
-salmão fumado
-passeio pela feira da ladra
-queijo fresco
-sol
-tomate-cereja
-nadar
-molho de soja
-café no jardim
-Hagen-Dazs
-6 horas de conversa.
A limpeza da casa? Já pus a Madonna; ainda tenho uma hora...
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Vou sempre de fim-de-semana antes de mim.

Todas as sextas-feiras fico dividida entre a arquitecta e aquela mocinha que sai pela janela a voar em direcção ao sol.
Mesmo, como hoje, quando nem vejo o fim de semana com bons olhos, já que as tarefas domésticas estão à minha espera há uma semana e me esqueci de trazer os óculos.
Mas ter o tempo por minha conta sabe sempre bem... e chama-me - aos gritos - desde manhã.



























