domingo, abril 09, 2006

A nossa primeira flor



Moramos nesta casa há um ano.
Há um ano tínhamos a cama no meio do quarto para poderem acabar de pintar os rodapés.
A cama no meio do quarto, o frigorífico e máquina de lavar no meio da sala.
Mudámo-nos dia 5 de Abril e até dia 18 vivemos com os pintores como despertador.
Ah, mas quem é que nos segurava na outra casa com o sol aqui a entrar pela janela?...

Domingo?


AAHHH! como preferia estar a fazer convites!

Porque não tenho escrito




Não me preocupa que o blog se centre no casamento, preocupa-me que a minha vida não me dê mais nada sobre o que escrever...

Reconheço que nos últimos tempos, e em particular na semana que passou, a minha vida se resumiu a ser arquitecta e noiva.
Como não quero que isto se transforme num blog de arquitectura - trabalho é trabalho e conhaque é conhaque (e o que tenho feito também não se refere muito à vertente artística que sempre é a que mais aproxima a arquitectura do conhaque)- não me sobra grande coisa, nem grande tempo, para escrever...
Triste, não?

Nem tanto!
Não estou sózinha nesta empreitada e, com o noivo, temos conseguido rir o suficiente para sobreviver a toda esta loucura.

Pensando melhor sempre se aranjam uns bocadinhos para ir conhecer a casa dos amigos que se mudaram ainda antes de nós, jantar um fantástico fodue e aprender uma perigosa receita de tarte de maçã.
Também ficámos a conhecer os novos vizinhos de cima graças ao seu apreço pelo silêncio...(esta história ainda não está bem resolvida).
E ainda ver a nova decoração do "blue net café" e pôr aconversa em dia.
Tudo isto entre prendas de noivado, croquis, alianças e afins...

Com jeito ainda vim tomar o segundo pequeno almoço à "Brasileira" antes de descer para Santos para mais um domingo de trabalho...
E ontem foi um dia muito bom!

segunda-feira, abril 03, 2006

Sou noiva XI - faltam 2 meses e 1 semana




Os cartões para fazer os convites perderam-se!
"Perderam-se", diz-me a vozinha do outro lado da linha, "o fornecedor anda à procura..."
Perderam-se?!!!!
Só me deu vontade de rir. O dia das mentiras não passou já?!


Já não tenho capacidade para me stressar mais com isto. Resolvi então tomar uma atitude.
Já que não posso adiantar mais nada, telefonei para o melhor fotógrafo da terrinha ao qual não vamos há mais de dez anos (logo, o melhor fotógrafo há dez anos...) e marquei a sua ida ao casório! Tem uma argumento de peso: custa exactamente 8 vezes menos que os da capital!

Mais animada por ter resolvido mais um tema ganho coragem para pensar nos restantes...


PONTO DA SITUAÇÃO:

- Síto e paparoca: está
- Centros de mesa, marcadores e painel: há-de estar (está pensado, execução em lista de espera...)
- Notário: está (que é como quem diz, está avisado, falta preencher os papéis)
- Músicas: uma está; falta arranjar a outra (mas estamos a tratar do assunto, e promete!...).
- Indumentária da noiva: quase (faltam provas e lingerie)
- Bouquet: pensado (e suficientemente simples para não ter de fazer muito mais que isso)
- Cabelo e unhas e maquilhagem: está
- Indumentária do noivo: nem quero saber!
- Prendas de noivado: a do noivo está escolhida (como de costume falta encontrá-la), a da noiva...a ver...(a noiva nasceu para ser rica!)
- Alianças: encantámo-nos com umas, mas ainda não tivemos coragem de largar o dinheiro...(não foi só a noiva que nasceu para ser rica!)
- Lista de casamento: e vai uma! faltam duas...(a da net está feita; se tudo se resolvesse na net estava casada há anos!)
- Lembranças: hei-de tratar disso depois dos convites.
- Noite de núpcias: está (se não fôr no quarto do rei há-de ser num dos príncipes, que não tenho paciência para mais...)
- Lua de mel: o sítio está decidido, falta encontrar viagens devidamente económicas e hotéis devidamente românticos...
- Convites: sabe Deus...
- Fotógrafo: está!


Já não falta tudo...

Nota:
Aceita-se ajuda para pesquisas e dicas de viagens e hotéis para Praga e Budapeste.
Dispenso que me venham lembrar de coisas das quais não me lembrei, mesmo porque já não cabem na agenda!...

Ser arquitecto

Arquitectura não é uma profissão.
Ser arquitecto é um modo de vida.


- Não haverá arquitectos que sejam pessoas normais?

Tenho dúvidas, Susy. Olhando para mim própria tenho cada vez mais dúvidas...

domingo, abril 02, 2006

A vida pela janela

Quando era (mais) pequena e me sentia assim sentava-me na janela com a pernas para o lado de fora e pensava nos motivos para não saltar.
Desde que mudei de casa, e deixei de morar num segundo andar no cimo da cidade, que nunca mais o fiz.
Faz-me falta lembrar que tenho tudo para ser feliz.

Esquadros


eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu não sei o nome
cores de almodóvar
cores de frida kahlo, cores
passeio pelo escuro
eu presto muita atenção no que meu irmão ouve
e como uma segunda pele, um calo, uma casca,
uma cápsula protetora
eu quero chegar antes
pra sinalizar o estar de cada coisa
filtrar seus graus
eu ando pelo mundo divertindo gente
chorando ao telefone
e vendo doer a fome nos meninos que têm fome

pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

eu ando pelo mundo
e os automóveis correm para quê?
as crianças correm para onde?
transito entre dois lados de um lado
eu gosto de opostos
exponho o meu modo, me mostro
eu canto pra quem?

pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle

eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
minha alegria, meu cansaço?
meu amor cadê você?
eu acordei
não tem ninguém ao lado

pela janela do quarto
pela janela do carro
pela tela, pela janela
(quem é ela, quem é ela?)
eu vejo tudo enquadrado
remoto controle


Adriana Calcanhoto

sábado, abril 01, 2006

1 de Abril

Falta pouco mais de dois meses para o casamento e muito ainda está por tratar.
Eu a trabalhar à noite e os dois a trabalhar no fim-de-semana.

Parece mentira!

quinta-feira, março 30, 2006

Pausa para lanchar

Desde que passou a ser dia à hora em que saio do trabalho que passei a sair do trabalho à noite.
Hoje preferi não voltar depois de jantar, o que significa jantar apenas quando sair. Tive de parar para lanchar à hora em que devia sair para jantar!
É de dia.
Fim de tarde.

Tenho a cabeça em água...excesso de informação, reunião atrás de reunião, decisão atrás de decisão (e nem fui eu a decidir!)
Ouvir e registar, registar; registar para desenhar. Não esquecer nada.
Não me lembro de nada...
Entre o caos e o vazio.
Preciso de arrumar a cabeça. E a mesa.

- Quem chegou há pouco tempo deve pensar que isto é um sítio de loucos.
- Quem cá está há muito tempo também...


Antes de sair passei meia hora de telemóvel emprestado em punho a telefonar para a minha mala na esperança que me dissesse onde se tinha escondido.

de Italia

chegam notícias de que ficámos em segundo lugar no concurso.

A máfia existe.

A almofada e boa conselheira...

Não há nada como um dia depois do outro...
...e muito muito trabalhinho pela frente!

quarta-feira, março 29, 2006

Pura retorica

O que é que se faz quando se quer gritar ou chorar compulsivamente, mas há tarefas úteis a fazer e desesperar não tem qualquer interesse?
O que é que se faz quando se olha para o computador e não passa de um ecrã com pontos mais escuros?
O que é que se faz quando o cérebro se recusa a obedecer à razão e insiste em pensar no que não pode fazer nada para alterar?
O que é que se faz quando só apetece saltar pela janela deixando tudo para trás?
Olho para a janela: quero voar sobre a ponte, sobre o Tejo, sobre o mar...

Gostava de levantar voo, nem que fosse em sonhos...mas nunca me aconteceu.

terça-feira, março 28, 2006

O Homem que Corria Mundo III


Quando o Homem que Corria Mundo chegava ao fim do mundo tinha à espera a comida de que gostava.
O Homem que Corria Mundo gostava de comer um opulento Cozido à Portuguesa. Os italianos e os gregos também tinham uma boa cozinha, mas não a nossa carne, o nosso peixe ou os nossos enchidos.
O Homem que Corria Mundo passava bem sem a cuisine française e jantava num restaurante português em Bruxelas.
Trazia pato e foie-gras de França, mas esperava que no fim do mundo huvesse uma Feijoada à sua espera. Não prescidia da Alhada de Cação ou da Sopa de Miúdos no Natal.
Trazia escargots mas trocava-os de bom grado por cabidela de galinhas criadas pela sua mãe.
Trazia caviar mas no fim de uma noite bem passada com os amigos ía fazer Açorda Alentejana.
O Homem que Corria Mundo trazia mostarda de Dijon e, com bifes de 250g e 2cm de espessura que o irmão arranjava, fazia o melhor Bife à Café, impreterivelmente acompanhado por batatas fritas cortadas em triângulos.
Quando o Homem que Corria Mundo deixou de correr mundo o mundo passou a cozinhar à sua medida.

9h30

Sabe bem chegar a horas.
As pessoas sorrirem nos "bons dias" e, apesar de ainda não estar capaz de trabalhar, ter a consciência tranquila.

segunda-feira, março 27, 2006

Sou noiva X - o noivo


No fim de um fim-de-semana em que entrei em perfeito desespero organizativo não consegui, aparentemente, adiantar muito. Mas, inadvertidamente, consegui desestabilizar a vida conjugal ao ponto de desassossegar o noivo!
Hoje foi ele a dedicar-se à causa enquanto eu trabalhava, ou pelo menos tentava.

Admito que não me é fácil delegar tarefas...gosto de ver tudo, de definir o milímetro. Mas se o casamento é dos dois temos de ser os dois a fazer por ele.
Já disse que não me posso queixar, ele sempre pensou comigo; o tema, por exemplo, que gosto imenso, foi total ideia dele.
Graças à histeria contínua durante os últimos dias acho que ele percebeu que se não queria uma noiva louca era melhor ajudar não apenas na concepção mas mais na produção.
Hoje, graças ao noivo e com a preciosa ajuda da Si (em desespero consigo delegar tarefas muito melhor!), o drama dos convites deu um grande passo rumo à realidade. E eu pude ir com a minha mãe ver o seu vestido.

Um amigo recém-casado deu a explicação para a fuga dos noivos à preparação do casamento:
"O que mais me irritava era lembrarem-me que, efectivamente, me ía casar."

sábado, março 25, 2006

Sou noiva IX (mas não só!) - 2 months 2 days 2 weeks



Quando pus a barra a fazer contagem descrescente entrei em pânico! "2 months 3 weeks 6 days until..." dizia.
"2 MONTHS???!!! Since when?!" pensei.
Agarrei na agenda e desatei a distribuir tarefas pelos fins de semana. "Está controlado. No limite, mas ainda está controlado."
No fim de semana seguinte fui trabalhar e nos dias de semanana também, dia e noite.
Este fim de semana não trabalho...mas já fui informada que trabalharei nos próximos.

"2 months 2 weeks 2 days until the day"

Quero fazer tudo e não tenho tempo para nada! E hoje ainda não consegui fazer nada do que queria!
Corri Lisboa toda a manhã: não há papel para os convites em stock, os distribuidores não estão abertos Sábado, não encontro tecido decente para as lembranças, detestei ver-me com arquela argola amarela no dedo...
Isto para além de não ser possível conjugar os meus horários com os do noivo mais os da gráfica e os da loja e afins.
Isto para além de a gráfica mudar no fim do mês.
Isto para além de as pessoas passarem o tempo a lembrar-se(me) de coisas que não me lembrei - como saber o número do melhor quarto para a noite de núpcias quando eu já tinha dado esse assunto por arrumado, só para dar um exemplo.
Para além de eu não perceber nada de tecidos - nem querer (apesar de que terei de o fazer também em trabalho...).
Para além de eu não ter qualquer interesse em conhecer fotógrafos de casamentos - mais valia ter tempo para ver uma boa exposição!
Para além de que cada vez mais me convenço que não faz sentido perder tanto tempo e/ou gastar tanto dinheiro por causa de um dia!
Para além de o noivo continuar com toda a calma - à excepção de quando me lembra que tenho de lavar roupa.

"O casamento é uma máquina que nós ligamos mas depois segue sózinha e leva-nos atrás...".
Lembro tanta vez esta frase, agora percebo bem o seu significado.
O casamento foi inventado por quem não tinha mais que fazer...
...mas agora já está em curso,é impossível parar a engrenagem.

Eu quero gritar, gritar perdidamente...

sexta-feira, março 24, 2006

O Homem que Corria Mundo II

O Homem que Corria Mundo vivia a correr.
Corria pelo mundo carregando o mundo às costas.
Chegava ao fim do mundo, pousava no chão o mundo que trazia às costas, e onde ninguém corre porque não há para onde correr o Homem que Corria Mundo continuava a correr e fazia o mundo correr como ele.
Quando o Homem que Corria Mundo parou de correr o mundo passou a girar no ritmo lento e incerto dos seus passos.

terça-feira, março 21, 2006

Finito!

Volto a ter vida própria...

domingo, março 19, 2006

Work, work, work

Aposto que o vosso fim de semana está a ser muito menos estimulante, criativo, produtivo que o meu!

que inveja...

quarta-feira, março 15, 2006

Stress

Consegui levantar-me a horas, sabia que não tinha um minuto a perder se queria fazer tudo o que tinha para fazer no atelier. Estar responsável por duas entregas, por menores ou mais resolvidas que estejam, é sempre uma emoção.
Comecei por perder o autocarro, depois por perder o dinheiro que tinha na conta (a lisboagás resolveu fazer-me uma surpresa!), depois por perder a pouca calma que me restava até chegar ao atelier. Aí apanhei (ou apanhou-me) o combóio do stress com paragem apenas na 3ª feira... Concurso: o TGV da arquitectura!

Claro que isto tinha de acontecer quando eu ía finalmente agarrar as rédeas do casamento.
Tudo sempre acontece quando acontece tudo!

O que vale é que me tem dado para rir!...

terça-feira, março 14, 2006

Sou noiva VIII - o cabelo



Quando acabou de cortar a franja olhámos para os espelho e rimos.
"Parece que tens 12 anos"

Só no fim lhe disse que me ia casar.
"Está óptimo", descansei-a.

Sou noiva com franja de criança.
Vai ficar lindo!

Cabelo comprido


"Pareces a Suzanne Vega" disse-me Árias.



Adoro cortar o cabelo. Adoro entrar com uma cara e sair com outra.
Adoro cortar o cabelo quando gosto da cara com que saio, caso contrário é (sou) um inferno.

Quando era pequena, para minha grande infelicidade, sempre tive o cabelo curtíssimo. Só quando comecei a ter voto na matéria é que pude começar a deixá-lo crescer, mas era demasiado tarde para me enfeitar com laçarotes e já tinha ganho o gosto a sentir o cabelo fazer cócegas no pescoço.
Com os tais 14 anos enchi-me de coragem para deixar crescer o cabelo, tive mesmo de dar ordens expressas à cabeleireira de não me deixar entusiamar com cortes curtos. Ía à cabeleireira mais louca da "terrinha" e ora usava o cabelo mais curto atrás e mais comprido à frente, ora mais curto de um lado que do outro, com farripas, sem farripas... Entre os 14 e os 18 anos obriguei-me a entrar no cabeleireiro sem olhar para nenhuma revista e consegui chegar à faculdade com o cabelo quase pela cintura.
Aí não durou muito, segui o exemplo das minhas amigas já aliviadas do peso da adolescência e, de um momento para o outro, cortei com o grunge ou o frick ou lá o que era. (Ainda hoje penso se a rapariga do cabeleireiro se andará a passear com o postiço que me pediu para fazer com o meu cabelo...)

Longe da cabeleireira que me conhecia as manias a coisa complicou-se. Saía consecutivamente dos cabeleireiros furiosa, quando não ía directamente para a casa de banho mais próxima molhar o cabelo lavada em lágrimas. Fui experimentando e resmungando e voltei a ir cortar o cabelo à província até há três anos quando, morta de calor, resolvi cortar o cabelo tão ou mais curto do que quando era pequena e conheci a Sílvia.
"Muito curto?!" perguntou espantada.
"Curtíssimo!" implorei esbaforida, ainda com o sol a bater-me na cara alinhado com os carris da Bica.
"Mas feminino." decidiu. E ficou lindo.

De experiência em experiência o cabelo foi crescendo e há algum tempo que me voltei a controlar porque não me consigo imaginar noiva com o cabelo curto. Não ía deseperdiçar mais uma hipótese de enfeitar o cabelo, fazer penteados... Desde o casamento da Jo que não o cortava.
Estou com o cabelo como quando tinha 16 anos e o mais curioso é que não estou sózinha. O saudosismo é colectivo, minhas lindas? O que se passa?

Certo é que ontem disse à Silvia que queria o cabelo comprido. Ao som de Smiths e Clash deu as voltas à tesoura que só ela vejo dar, esteve horas com cara de criança concentrada a tirar milímetros ao cabelo e fez jus ao espírito revivalista.



Nao ha bela sem senao

Chegou Março com um calorzinho prometedor.
A Primavera aproxima-se perigosamente, o que este ano me traz preocupações acrescidas.
Declaro aberta a época oficial de dieta.

Ontem já andei a pé um bom bocado e já voltei a ter a garrafinha de água ao meu lado.
(Confesso que estou cheia de problemas de consciência pela quantidade de chocolates que comi este fim de semana)

segunda-feira, março 13, 2006

Calor

Temperatura máxima para Lisboa hoje: 22ºC.

Dá vontade de começar uma semana assim!

domingo, março 12, 2006

Cores e Chocolate


Receita para um bom fim-de-semana:

Ingredientes para a base: dois casais.
Os homens devem gostar de comer e as mulheres de tagarelar.

Prepara-se uma entrada de bifinhos com natas e cogumelos seguidos de mousse de chocolate juntando todos os ingredientes na mesma mesa.
De seguida separam-se os homens das mulheres. Põem-se os homens ao ar temperados com cerveja ou outra bebida que prefiram e deixam-se as mulheres a marinar em calda de chocolate.
Quando os homens estiverem já apurados, e mesmo que as mulheres ainda não tenham posto a conversa toda em dia, tornam a juntar-se à mesa acompanhados com panquecas.

Após um breve período de repouso mudam-se para um novo recipiente.
Uma casa nova, com paredes branquinhas a estrear, é a melhor opção para que os ingredientes possam escolher de que côr será barrada.
Escolhidas as cores e outras decorações deixam-se na varanda a arrefecer enquanto o sol se põe.
Quando já não houver luz servem-se enchidos e vinho.



As panquecas:

- 1 chávena de leite
- 1 copo de farinha
- 1 ovo (inteiro)
- 1 pitada de sal
- 1 colher de manteiga

Vai-se misturando a farinha com o leite devagar.
Devagar, sublinho; por mais que seja difícil convencer qualquer homem a fazê-lo. Se não se conseguir convencê-lo à primeira é deixar tentar desfazer os grumos a seguir até se aperceber que o melhor é deitar tudo fora e começar de novo.
Depois de se conseguir a primeira mistura juntam-se os ovos e a manteiga previamente derretida com a pitada de sal.
A massa está pronta.
Com uma frigideira eficiente é fácil conseguir umas panquecas deliciosas às 6 horas da manhã.
Eu gosto com açucar e canela. A Jo com açúcar e sumo de limão.

sábado, março 11, 2006

Tarde de Sabado em Santos

Por mais que me mentalize para ir trabalhar num Sábado é inevitável deprimir pelo caminho.
Saio do metro e chego ao Chiado. Vejo as pessoas a passear ao sol e apetece-me ficar... Passo por Santa Catarina. Vejo as esplanadas soalheiras viradas para o rio e apetece-me ficar.
Começo a descer: Calçada do Combro, Poço dos Negros, Conde Barão...qualquer uma das hipóteses é desanimadora. Chego ao deserto sombrio que é Santos ao fim-de-semana. Quero ir-me embora!

Sou noiva VII - os outros




Parece-me evidente que o casamento é um ritual social, isto é, nós casamo-nos por causa dos "outros".
Se um casal vivesse sozinho numa ilha para quê casar-se?
E os "outros" são muitos e de vários tipos:
- os outros que querem que nos casemos (aí entra a família em grande estilo)
- os outros que querem fazer a festa (onde se incluem os amigos que nos entusiasmam e animam nos preparativos e com quem se dança pela noite fora)
- os outros que se casam (e não querem ficar sozinhos, ih! ih!!)

Não quero com isto dizer que quem não seja acompanhado por qualquer coisa que fica para nós...
Como animal social o Homem inventou uma forma de dizer à familia, aos amigos solteiros, aos amigos casados e aos outros que estamos felizes e convidá-los a partilhar dessa nossa felicidade. Pelo menos num dia estamos todos - familia e amigos - juntos.


Tenho vindo a aperceber-me que se trata também
do nascimento oficial de uma nova "família", quando nos passamos a conhecer todos uns aos outros, quando conheço a família - não necessariamente biológica - dele e ele a minha.
De outra forma quando conseguiria eu distinguir todos os irmãos do pai dele, de Braga, espalhados entre o Algave e França; pessoas que o viram nascer e de quem ele fala sem ter para mim qualquer significado? Quando conseguiria ele distinguir os amigos todos dos meus pais e os seus filhos (uma multidão que me arruinou o sonho de uma festinha simples), que me viram crescer, de quem eu falo sempre acompanhando por uma ginástica enorme para ele perceber de quem se trata?

Criou-se este método. E uma pessoa aproveita para se sentir bonita e rodeada de amigos que também querem dar os seu melhor para que seja um dia inesquecível de comemoração do amor. É bonito! (não consigo de deixar de rir comigo mesma enquanto escrevo isto. Ao que uma pessoa chega!...)
O casamento permite o reconhecimento generalizado, pelos outros, de que há ali o embrião de um novo ramo na árvore genealógica: nós.
E aí inicia a nova etapa...aliás já começou! "Quando pensam ter uma criança?", começam "os outros" a perguntar.

"Uma coisa é viver junto, outra é ser mãe solteira."
Fiquei entre a desorientação e o choque quando a minha mãe largou esta frase, en passant, como se se tratasse de uma evidência como motivo para uma pessoa se casar.

Hoje voltei a encontar essa frase.
"Mãe solteira", esse termo, como sinónimo de pai ausente ou desconhecido, a mulher usada e abandonada, blá, blá... Por favor, digam-me que isto ficou perdido nos tempos!
Permitam-me discordar. "Uma coisa é viver junto, outra é ser mãe solteira", sim, é verdade, e outra coisa é ser casado, e outra coisa é ter filhos, e outra coisa é divorciar-se, e outra coisa é ser homossexual, e outra coisa será qualquer outra coisa. ponto. "Cada macaco no seu galho".
Caso-me sim pelos outros, admito, por nós e a nossa relação com os outros de quem gostamos, mas não para não ser "mãe solteira"!

Casamo-nos porque queremos celebrar o nosso encontro festejando com quem gostamos de encontrar.



Si - És a primeira dos amigos mais próximos. É diferente...Mas não vou chorar!
Mir - Eu também dizia isso, mas, na hora, ainda bem que pude cantar a plenos pulmões! Quando é muito próximo é diferente...


E, de repente, aperecebi-me que mais próximo que ser eu própria não podia ser!
Foi ontem.




sexta-feira, março 10, 2006

Sol matinal

No sítio onde trabalho agora o sol bate directamente em mim pela manhã (voltei mudar de lugar, trabalhar neste atelier é uma emoção!).
Sabe tão bem esse aconchego...
Tenho de me lembrar disso quando acordo.

Festival (continuaçao do post anterior)


Após o jantar de preparação do casamento, para o qual o noivo fez uma bela açorda de gambas e a mãe da noiva trouxe bolinhos para acompanhar o café pela primeira servido nas chávenas Vista Alegre (prenda de fim de curso dos avós) os noivos assumiram o seu papel de bons donos de casa e puseram-se em arrumações.
"Será que é mesmo necessário sujar tanta louça para fazer uma açorda?" pensava a noiva. "Vou arranjar o autoclismo" decidiu, corajosamente, o noivo.

Na TV relembravam-se as músicas do Festival da Canção...
Enquanto alegremente cantava acompanhando a "Tourada", a propriamente dita começou.
"Tens cola de contacto?" gritou o noivo da casa de banho.
A noiva arrepiou-se, esta pergunta nunca é bom sinal.
Acto contínuo a noiva tornou a arrepiar-se, mas desta vez porque tinha os pés molhados.
"O cano do lava-loiças soltou-se!" gritou a noiva para a casa de banho.

O resto da noite dispensa pormenores.
"Uma da manhã, bem bom..." cantavam eles.

quinta-feira, março 09, 2006

Sou noiva VI - com os pais


Hoje fui com a minha mãe ver o vestido.
Fui mostrar-me vestida de noiva à minha mãe.
Não se comoveu (para quem esteja interessado em saber) mas entusiasmámo-nos!
Definimos o penteado e restantes acessórios, escolhemos os sapatos e só não vimos a lingerie porque já não tinhamos tempo.
Durante uma hora passeei-me com o vestido pela loja, vimos todos os pormenores que durante a excitação da escolha não se tinham visto.

À noite, com o pai e o noivo, mostrámos os protótipos dos convites, alterámo-los e definimo-los.
A mãe ditou o sentido prático, o pai ditou a composição e o texto.


"Deviamos ter tempo de fazer experiências" disse o noivo.
"Até quando?!" assustei-me.
"Até ao fim-de-semana..este fim de semana" respondeu o noivo.
"Ah! Até depois de amanhã" rimo-nos aliviados.

"É pena ser sempre tudo à pressa...", lamentou a mãe.
"É da maneira que não se complica!" regozijou-se a filha.

quarta-feira, março 08, 2006

Teoria da Relatividade


A forma como vemos a vida está directamente realcionada com as variáveis com que ela nos confronta sendo a importância de cada uma absolutamente relativa.
Assim, o espaço que cada problema ocupa é função dos outros problemas presentes na equação e do tempo que lhes dispensamos.
Temos por única constante a duração do dia (inventada para não nos perdermos entre tanta variável), consequentemente, o espaço ocupado por cada problema é directamente proporcional ao tempo que temos para pensar nele.

Exemplo:
O número de problemas nos quais pensamos é inversamente proporcional à quantidade de trabalho a produzir que não é, de todo, constante.
Dado que a energia a dispender é finita pode então deduzir-se que reduzindo o tempo disponível se reduz necessariamente o espaço que os problemas ocupam,


Outro exemplo:
Quando nos deparamos com problemas de elevada densidade o espaço que ocupam não pode ser incluído em qualquer que seja o tempo.
Dado que todos os outros problemas, relativamente, assumem valores desprezáveis, então o tempo fica livre para outro tipo de variáveis, ou seja, não faz sentido continuar a equacionar problemas.
Por outro lado a massa de que somos feitos torna-se mais densa.

Conclusão:
A determinação dos problemas a equacionar e daqueles que com valor desprezável está directamente relacionada com o espaço que ocupam no tempo que temos relativizando-se e tornando espaço e tempo relativos em função da sua densidade.



Na física a lei pode não ser assim, mas na vida não deve andar muito longe.

segunda-feira, março 06, 2006

Segunda-feira

...esse dia que chega sem dar tempo para nos prepararmos psicológicamente..
Segunda-feira, esse dia em que bebo um café antes de sair de casa e outro quando chego ao trabalho e continuo a sonhar com o fim-de-semana.

domingo, março 05, 2006

Estar casado é...

Várias pessoas já me disseram - com tom de aviso e a sobrancelha levantada como se se tratasse de um argumento dissuador que desmentem mal são coloca a questão - que é muito diferente estar casado ou viver junto. Realmente, desde que mudámos de casa, que me tenho vindo a aperceber das diferenças entre o viver junto oficial e oficioso e procuro estar alerta em relação à fase seguinte.
Passarei portanto a anotar essas situações que mostram que a mudança de estado civil não se resume ao que está escrito no BI. Para já passam-se com outros, daqui a uns meses passarei a incluir-me.
Não sei se alguma vez chegarei a alguma conclusão, mas entretanto vou-me divertindo à custa desta entidade desconcertante que é o ser humano...

Estar casado é deixar de fazer apostas a dinheiro (que passa a ser comum) e passar a apostar quem limpa a casa.
Jo e Fôfo, 4 de Março 2006

sábado, março 04, 2006

Os problemas existênciais da mulher moderna...



Vou sair à noite, não sei a que horas voltarei, mas não me apetece levar um saco de praia...
Só os óculos ocupam a ridícula pochete (que na realidade tem metade do espaço útil que parece porque o resto é pêlo!). Onde é que cabe ainda o telemóvel (dizem eles que são pequenos), os documentos (só o BI é um lençol) e os lenços de papel?
Claro que já pus de parte a ideia de levar a máquina fotográfica!

Como é que podem usar-se simultâneamente
óculos de sol tipo painel e pochetes?




Café(s) I


lá me esqueci da máquina outra vez...
a foto que teria tirado em
http://fotografiaexadres.blogspot.com/2006/02/lisboa-in-photos-confeitaria-nacional.html

Esqueço-me sempre da Confeitaria Nacional, apesar de falar em lá ir cada vez que encontro o Pedro, apesar de passar lá perto tanta vez...

Precisava de beber e comprar café, por isso fui ao Chiado. (rendi-me ao Nespresso, mas tratarei dessa publicidade noutra ocasião) Não me apetecia um Café grande, como a Brasileira ou a Bénard. Ao Café no Chiado fui no sábado passado e o Café do S. Luiz é muito escuro...Apetecia-me beber café, simplesmente, sem livro nem nada; mas faço sempre os possíveis por dar a esse momento alguma dignidade. Tudo o que é forrado a azulejos de casa de banho e ou iluminado com fluorescentes é riscado da minha lista, já que não consigo riscá-los do mapa. Resolvi ir à Camponesa (depois de espreitar as novidades da Camper, confesso) com os seus azulejos para onde me divirto a olhar, mas estava fechada. Continuando o passeio com fado ao fundo pus de lado o Nicola e a Suiça pela mesma razão dos primeiros...

Confeitaria Nacional
Nem muita nem pouca luz. Ver a rua quanto baste enquadrada pela caixilharia trabalhada. Vozes sussurradas que deixam pensar. Uma casa de bonecas com bolos de perder a cabeça.
Deixei sair a Gretel que há em mim nesta Paris dos pequeninos.

Farmácia



Detesto comprimidos.
Fazem-me sentir doente!

Detesto tomá-los, comprá-los ou sequer vê-los.
Detesto o cheiro dos sítios assépticos.
Detesto hospitais e gente com bata branca.
Desconfio sempre...
Acho que vou ficar pior do que estava.

Saio ao meu avô.
Agora que penso nisso (lembrando o que a minha mãe me contou) também me "esqueço" de tomar seja o que fôr aos domingos...

Detesto abrir os olhos de manhã e lembrar-me que estou constipada antes de me lembrar do meu nome.

sexta-feira, março 03, 2006

As filhas únicas também têm irmãs

Como todas as crianças quis um irmão. Como todos os filhos únicos não o tive.
Enquanto a mães dos meus coleguinhas engravidavam, lembro-me de pedir à minha mãe que fizesse o mesmo. Tanto quanto me lembro, não insisti durante muito tempo. Quando comecei a ver os meus coleguinhas a embirrar com os irmãos – essa forma de demonstração de amor que realmente desconheço – comecei a ver as vantagens de ser filha única.
Sempre gostei de sossego, sempre fui uma criança calma ao ponto de nem dar a volta quando ainda estava na barriga da minha mãe; estava sentada e deixei-me estar…
Sempre vivi num ambiente de plena paz, de total respeito pelo espaço dos outros. Tanto a minha mãe respeitava o meu espaço, também filha única descendente de filha única, como exigia que eu respeitasse o dela (se bem que, no que respeita a bisbilhotar os cantos da casa, não tivesse sorte nenhuma!).
Mas nunca me senti só.

Onze meses depois de mim nasceu a minha irmã mais nova. Filha única, filha do filho único que sabia que eu iria esperar pelos anos dele para nascer.
A minha irmã mais nova era pequenina (na verdade eu é que era grande, mas estou a expôr o meu ponto de vista). Era pequenina, frágil, desconfiada e muito mais resmungona que eu. Não gostava de bigodes e recusava-se a dar beijinhos a quem quer que fosse que os tivesse. Lembro os seus olhinhos de azeitona sempre alerta, as mãos esguias.
Eu protegia-a e ela sabia.
A minha menina com mãos de fada morava num castelo com torre e tudo.
Passávamos o tempo todo juntas e cheguei a morar em casa dela quando aminha mãe partiu o pé e não conseguia subir ao nosso segundo andar. Desenvolvi a técnica de não ter cócegas nos pés para os nossos pais acreditarem que eu tinha adormecido e ficar lá a passar a noite.
A minha irmã mais nova adorava enchidos como eu adorava doces. Nas ferias assaltávamos os armários e ela enchia-se de chouriço enquanto eu acabava com as bolachas. Nunca mais conheci ninguém que gostasse tanto de chouriço!
Quando saíamos da escola lanchávamos em casa da avó dela. A Maria fazia uma massa frita inesquecível.Cantávamos muito, mesmo porque ela lembrava-se sempre das músicas todas por mais que o tempo passasse.
O tempo passou e eu mudei de escola. “Agora vais para a Escola e nunca mais vamos estar assim juntas”, disse. Acho que foi a última vez que lanchei em casa da avó dela.
A vida afastou-nos como afasta os irmãos. Como sempre vivi longe da minha outra irmã, outra filha única, da minha idade, tipo irmã gémea “sempre com o cabelo igual”.

Por mais longe que estejam os irmãos sê-lo-ão sempre.
Ainda hoje me preocupo com a minha irmã mais nova e tenho pena de já não ser suficientemente grande para a proteger.

Aspirina


Por mais que inventem não há nada que chegue à Aspirina.
Sou uma fiel consumidora, ainda que não seja com o meu consumo de duas Aspirinas por ano que garanta a subsistência da marca.
Mais uma vez acordei e pensei é hoje! É hoje que telefono a dizer que estou doente e não vou (um pensamento que me ocorre nos últimos quarto anos, cada vez com maior frequência)! Mais uma vez a minha consciência acordou antes de mim para me lembrar os contras dessa opção. É sexta-feira, ía parecer que queria um fim de semana grande…Ora bolas, e lá tenho culpa disso?! Já prevejo que, como sempre, hei-de ficar doente nos dias mais úteis que os dias úteis.
A última vez que faltei por doença foi no 5ºano, com uma otite. Desde então que sempre que adoeço – o que é raro, não me queixo – é sempre em férias – e disso posso queixar-me.
Há cerca de um ano, numa destas fases em que toda a gente adoece, apercebi-me que nunca tive gripe. Constipações fortes sim, ninguém se livra, tenho o nariz completamente entupido, tosse, espirros, arrepios, quase tudo a que tenho direito; vou mais uma vez buscar o termómetro e nada! Nada que justifique não ir onde não me apetece!
Arrasto-me para o trabalho cheia de lenços de papel na mala…

“Aspirina: a genuina, a da Bayer”

"As pessoas não mudam...

...Somos sempre como quando tínhamos catorze anos!"
Registei esta frase tão acertada (como são as tuas).
Hoje relembrei-a.
Os sonhos criam-se desde sempre, procurar a sua concretização começa aí.
Então soubémos, decidimos - mesmo que não soubéssemos - o que queríamos e quem nos poderia acompanhar.
Depois esquecemos. Quando vemos todo um mundo novo a estrear. Quando percebemos que há outros sonhos. Quando conhecemos novas companhias. Quando recomeçamos a aventura.
Até perceber que sentimos falta do que deixámos. Quando já não temos. Quando reencontramos.

"Somos sempre como quando tínhamos catorze anos", por mais que cresçamos.

quarta-feira, março 01, 2006

Coscuvilhice



"Os blogs são óptimos para a cusquice", diz-me Árias perante os relatos que lhe vou fazendo.
Claro está que os relatos se referem às vidas que me dizem respeito, dizem respeito ao que ficaria a saber se não adiasse telefonar, se tivesse tempo para ir almoçar aos quatro cantos da cidade (no mínimo) por onde se espalham aqueles de quem gosto, se tivesse disponibilidade (às vezes nem é tanto uma questão de tempo) pra ir beber café com os amigos.

O ser humano - de cuja inteligência às vezes duvido - tem estas incoerências: em vez de reduzir o horário de trabalho inventa o messenger, em vez de melhorar os transportes ou permitir-se horários flexíveis que possibilitem o encontro entre as pessoas cria o blog.
Se não chamei ao blog "Alentejano" ou "Estádio" foi (entre outros motivos) porque qualquer um dos sítios tem um nome que só uma minoria atribuiria o mesmo significado que eu; não me pareceu bem que pensassem que a árvore é um sobreiro ou desiludir quem julgasse que ia encontrar comentários futebolísticos!
O blog é a mesa à qual me sento para discorrer sobre o que me vai na alma ou, pura e simplesmente, o que passa pela cabeça. É a mesa de onde se escutam também as conversas alheias e onde se sabe que as nossas também são ouvidas.

"Sim, pode-se cuscar o que nos interessa e deixar cuscar o que queremos. Facilita a cusquice a quem é cusco...", respondi
E então? Nada que não fizéssemos antes!

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Em círculos


Yayoi Kusama

Hoje passei o dia a ver imagens com círculos e foi-me dada a conhecer (mais) uma mulher admirável; louca, mas também por isso admirável.

Um dia às pintas - para pessoas distintas?
Um dia às bolas - para pessoas tolas!

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Se...


Se não trabalhasse em Lisboa vivia em Sintra.
Se não trabalhasse vivia nas Azenhas do Mar.

Perfeito era passar a vida numa casa de férias na Bretanha.

domingo, fevereiro 26, 2006

Sou noiva V - o domingo


Ainda não nos casámos mas já nos vamos habituando ao estilo de vida. (afinal já vivemos juntos há cerca de seis anos...)

Domingo de manhã:
A noiva acorda mais cedo - não para limpar a casa, vá lá!, benditas as empregadas - para aproveitar um tempinho de sossego na net. (não me chegava o respeito a ter pelo local de trabalho, em casa o amor da minha vida não dispensa a minha companhia)
A noiva vai acordar o noivo, despacham-se demasiado tarde para ir ver dos convites (discutem um pouco de quem foi a culpa) e saem para o passeio por Sintra.

Almoço de Domingo:
Depois de passar por Sintra e, por motivos que nos são alheios, ficar a conhecer todas as imediações não só de Sintra como de Mafra e da Ericeira, lá chegámos ao restaurante. Uma bela mariscada regada com vinho verde para acompanhar um mar fantástico, muito mais verde que o vinho. (depois de anos de cedências de parte a parte encontrámos um sítio simpático, tanto mais simpático quanto mais fora de horas, com muito sol e muito mar - para mim - e onde se come bem - para ele)

Noite de Domingo:
Jogo do Benfica - a cereja no cimo do bolo.
Até estava a correr bem, este domingo tão domingueiro, não era preciso levar o cliché ao limite!
Ainda tentámos ver ao pé de casa, para eu me poder ir embora, mas estava cheio como todos os sítios com SporTV. (apesar de ser sportinguista os únicos jogos que vejo do Sporting é quando joga com o Benfica. do Benfica tenho visto quase todos - quando vemos em casa sempre aproveito para arranjar as unhas)
Aqui estou então, Domingo à noite, numa tasca onde sou a única representante do sexo feminino (à excepção das empregadas, um pouco estranhas, por sinal - todas elas, a que estão e as que estavam antes...talvez escreva sobre isso...)
O senhor-de-leste, ao meu lado, acompanha-me no chá.


enquanto estou ao computador a passar o que escrevi na tasca o noivo passou do benfica para as corridas de carros, paixão que divide com os aviões, há qualquer coisa neste filme que me incomoda...acho que tenho de ir tomar uma atitude contra a instituição dos maus hábitos conjugais!

Sou noiva IV - simplicidade

Sempre pensei que não me ia casar até ao dia em que fiquei noiva. Não me lembro que dia foi, há quanto tempo. Não teve anel nem declaração nem nada. Tanto quanto me lembro um dia percebemos que viver juntos não chegava...Tão simples quanto!
Gostava tanto de conseguir manter esta simplicidade...

sobre o casamento enquanto ritual

agora tenho de ir acordar o noivo para irmos ver convites. ao domingo, sim senhor! ninguém disse que ser noivo era fácil...

Há coisas que me intrigam...I

Como é que depois de todo o trabalho que se tem para casar existem divórcios?

sábado, fevereiro 25, 2006

Sou noiva III - os convites


Vejo-me obrigada a reconhecer que tratar dum casamento é complicado, moroso e, sobretudo, deprimente!
E quanto mais se procura simplificar mais complicado se torna, por absurdo que pareça.
Tudo o que existe é pensado de modo a complicar, é excessivo - para não dizer piroso. Não digo que não exista uma ou outra coisa mais interessante, mas quanto mais se tira mais se paga, quanto mais simples mais caro.
Na saga dos convites, depois de muita pesquisa, optámos por sermos nós a fazê-los.
Perguntei a um amigo que se casou há uma ano como conseguiu uns convites tão simples. Os convites deles, minimalistas como convém a um casal de arquitectos, resumem-se a cartões de papel reciclado cinzento claro com impressão de texto. "Mandámos imprimir numa gráfica; o papel foi comprado perto da Amadora, era o mais caro porque vem da Suiça. O melhor é falares com a Clara que ela é que tratou disso." E assim disse tudo...
Quando damos por nós estamos no fim do mundo à procura de um papel - simples dizíamos - que se transforma num artigo especialíssimo vindo sabe deus de onde. E quando digo nós estou a falar das noivas, naturalmente.
Não tenho razão de queixa do noivo, devo dizer, dentro do género... Ajuda-me a ter ideias (quando lhe apetece), já foi comigo a uma loja (internet e as outras lojas ficaram por minha conta). Sim, não tenho razão de queixa, sei que há muito pior, mas se não revirasse os olhos cada vez que falo em ver de fotógrafo e olhásse para o que lhe estou a mostrar em vez de desviar os cartões para ver melhor o vulcão na televisão eu, pessoalmente, não me importava nada.
Tenho procurado ver isto tudo como uma experiência nova, apesar de pouco enriquecedora. Tenho procurado torná-la enriquecedora dedicando-me áquilo que realmente me pode interessar para o futuro - decoração, que gosto sempre de ver e saber de coisas novas - e relegando para segundo plano ou procurando despachar em grande velocidade o que vai morrer no tal dia.
Definitivamente casamento é coisa de mulheres!
Valha-me a minha mãe e as minhas amigas que se entusiasmam tanto ou mais que eu (o "mais que eu" é dedicado à afilhada-futura-madrinha!!!)

Pensando melhor, não sei qual é o meu espanto...
O casamento é um ritual e todos os rituais têm um fundo de provação, de sacrifício. Foi para isso que foram inventados: para pôr em causa a real vontade de pasar a uma nova fase de vida e, no fim de passar todas as provas demonstrativas de convição, festejar essa mudança.
A preparação do casamento é um meio de confirmar se se quer mesmo ficar junto da outra pessoa no melhor e no pior!

(des)equilíbrio

Quanto menos se faz menos vontade se tem de fazer...

Consciente de que andava em círculos parei de andar.
Quando tomo consciência de que não tenho controlo sobre as situações desisto e deixo que me controlem, que dá muito menos preocupações, o que me parece bem. Mas quanto menos preocupações reais existem, tendo em conta que o cérebro tem de ter qualquer coisa com que se entreter, inventam-se outras. Quando a cabeça começa a trabalhar no vazio geralmente surge uma panóplia de problemas existênciais com os quais se ocupa tanto mais quanto mais irresolúveis são.

Depois de tanto tempo a andar em círculos vejo os meus desenhos surgirem das mãos de outra pessoa, o meus raciocínios a serem confirmados; e fico contente comigo mesma, mais segura.
Deixo de ter tempo para dramas, esqueço-me deles, se é que têm alguma existência a ser esquecida.
Centro-me no que é real, no que depende da minha acção para se solucionar e pergunto-me o que é que andei a fazer antes que não aproveitei o tempo agora, subitamente, tão curto.

Quanto mais se faz mais vontade tem de ser fazer...



Há muitos muitos anos atrás vivia numa terra longínqua uma menina muito equilibrada.
Quando era preciso a menina levantava-se cedo, às vezes até mais cedo do que era preciso se sentia que ela própria precisava.

A menina ía à escola, estava com a atenção necessária, registava tudo o que pensava ser-lhe útil no futuro nos seus caderninhos e esperava pacientemente que as aulas acabassem.
Quando as aulas acabavam esquecia tudo e começava o dia.
À noite lia, pensava na vida, escrevia e ainda sobrava tempo para dar atenção a pormenores sem importância nenhuma que transformava em belos romances.
Um belo dia o equilibrio deixou-a.
A menina caiu do trapézio e viu o chão a aproximar-se muito muito rapidamente.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Ler de menos livros demais

Estou a ler tantos livros ao mesmo tempo que quando encontrei, por acaso, o "Ensaio sobre a Cegueira" sob um monte de papéis (infelizmente, a maior parte, facturas) já não me lembrava que também estava a ler este.

Há os livros sobre arquitectura, que estou sempre já sem paciência para ler. Os livros para levar para o café ou ler no autocarro, de contos ou ensaios. Os romances que começo a ler cada vez que tenho mais de três dias seguidos livres, o que acontece duas vezes por ano...

Na verdade não leio nada!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Consciência light


www.eatingwell.com

Após toda uma tarde de marírio pensando em qual o doce que mais me apetecia, vi-me num supermercado supostamente para comprar o que estava em falta para o jantar.
Naturalmente, Árias tratou das compras para o jantar enquanto eu me perdia entre as estantes das bolachas e as prateleiras dos chocolates sem me conseguir decidir.
Quando tenho estes acessos de necessidade de doces sei que quando começo
já não consigo parar. Não posso comprar pacotes grandes porque vou comer tudo, não adianta comprar coisas com menos calorias que não me vão saber a nada, não vale a pena gastar muito dinheiro com qualquer coisa que desaparecerá num ápice, com chocolate melhor mas convém que me encha e depressa, toda uma gama de problemas existênciais que se que se me colocam na secção de doces de qualquer supermercado.
Um dos truques que utilizo para resistir aos doces é este de deixar crescer um desejo tão grande que, por fim, nenhum doce parece capaz de satisfazer.
Se tudo correr bem o dia há-de chegar ao fim antes de cometer o pecado.

Árias já tinha tudo o que era (realmente) necessário quando veio ter comigo, que olhava sonhadoramente para os bolos. "Já sabes como é: vinte segundos na boca e o resto da vida..."
Passei rapidamente pelos produtos light e meti no cesto uma caixa de barras de cereais com chocolate com apenas 93kcal por barra.
Orgulhosa comigo mesma comi uma antes de chegar à rua, quando cheguei a casa comi outra (às escondidas, que sabe muito melhor!) e, entretanto, mais uma desapareceu.

Problema:
Se uma barra de 23g tem 93kcal 100g terão 405kcal. 100g de mil folhas têm 415kcal.
Por 10kcal não me tinha feito muito feliz um fabuloso mil folhas?
E, por apenas 177kcal para os mesmos 100g, não teria sido tão melhor saborear uma só colher de mousse de chocolate?

fonte:http://www.roche.pt/emagrecer/alimentos/


Apetece-me um doce


No caminho para aqui ainda pensei em entrar num sítio qualquer, mas fiquei indecisa quanto ao sítio e quanto ao doce, resisti.
Ainda pensei em voltar a sair, mas estava tão contente por chegar antes da hora e ter um tempinho para espreitar a net, resisti.

Devia ter cedido à tentação com todos aqueles bijus tão apetecíveis "com ar de bonecas" (descrição perfeita!)
Resisti e agora não consigo tirar aquela imagem da boca...

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Limite

Uma pessoa tem limites.
Lamento muito mas não consigo ser simultâneamente a filha dedicada, a arquitecta criativa, a decoradora e dona de casa exímia, a amiga presente de todos os meus amigos, a noiva eficaz, a namorada apaixonada e eu.
Ninguém é perfeito.
O dia tem limites.

Maniac Mondays

Não sei se são as segundas-feiras que põem as pessoas maníacas, se são as pessoas que fazem das segundas-feiras um dia de loucos.

A ver pelo que escrevi inclino-me mais para a segunda hipótese. Não só pelas pessoas à minha volta que parecem ter eleito a segunda-feira como o dia do disparate - excepção clara (e rara!) para o taxista - como por mim mesma.

Consegui ler ao serão. Consegui ler a sério (bem mais de duas linhas) antes de adormecer. Ora, estou perante uma vitória.
Só por isso já valeu a pena o dia.

Just another maniac monday...

Acordo e como se não chegasse ser segunda-feira está a chover.
Estou uma vez mais atrasada e arrasto o mau humor rua abaixo com a chuva a bater na cara. Deixei os dois guarda-chuvas no atelier e não sei onde meti o chapéu.

Apanho um taxi. Mereço. Sabe-me bem ir a conversar pelo caminho com alguém que já se levantou há bastante tempo. O taxista resolve começar um jogo de adivinhas sobre os nomes oficiais dos jardins de Lisboa. "Sabe como se chama o Jardim da Estrela?" (e eu convencida que se chamava Jardim da Estrela) "Jardim Guerra Junqueiro! E sabe onde fica o Jardim Cesário Verde?" Esse sei, junto à Estefânea...
Depois de percorrer os jardins saí do taxi a sorrir...mas era segunda-feira...

Cheguei ao atelier e troquei de lugar para um sítio onde o ecrã do meu computador de se vê de todo o lado. Adeus blogosfera; escrevi à mão. Não consigo começar o dia assim sem mais nem menos, preciso de alguma coisa a acompanhar o café.
A seguir disseram-me que ia deixar o projecto que me tem martirizado. Bem sei que me tem martirizado, mas agora que tanto me martirizou deixem-mo levar até às últimas consequências! Passado cinco minutos assim foi. E assim se passou a manhã.

À hora de almoço fui com Árias ver de convites. Fomos aqui e ali, não encontrámos nada que nos entusiasmasse, um que eu tinha visto estava esgotado, enfim, ganhei uma sandes por almoço comida quase às escondidas no horário de expediente.

Passadas duas horas estava uma vez mais com o projecto e o computador às costas para trocar de sítio outra vez. Menos mal, pelo menos não é a sala dos não-fumadores. Por outro lado só vejo duas pessoas durante o dia e uma delas é o Mestre (acho que vou ter de continuar a escrever à mão). Algo me diz que tenho mesmo de começar a chegar a horas.

Finalmente home sweet home...
O vazio era tanto que consegui ler.
Vi o "Sexo e a Cidade" e desde aí que estou a dizer que me vou deitar, mas ainda não tive coragem.
Valeu-me o taxista ou podia dizer que fora um dia perfeitamente inútil.
A ver por hoje não estou muito entusiasmada para receber o amanhã.

(entretanto esqueci-me do que escrevi no atelier, mas era mais ou menos este o conteúdo)

Caneta e Pincel


relógio d'agua, 1999

a propósito das diferenças culturais num mundo global
excerto de "O Elogio da Sombra" de Junichiro Tanizaki, 1933*

Vejamos um exemplo muito simples. Publiquei recentemente na "Bunguei-shunjû", um artigo no qual estabelecia a comparação entre a caneta e o pincel; pois bem, supondo que o inventor da caneta tivesse sido um japonês ou um chinês de antigamente, é por demais evidente que não a teria munido de modo algum de um aparo metálico, mas sim de um pincel. E teria sido, não uma tinta azul, mas qualquer líquido análogo à tinta-da-china que ele se esforçaria por conseguir fazer descer do reservatório até aos pêlos do pincel. Como consequência, visto os papéis de tipo ocidental não convirem à utilização do pincel, teria sido necessário, para dar resposta a uma procura acrescida, produzir em quantidades industriais um papel análogo ao papel japonês, uma espécie de "hanshi" melhorado. E se o papel, a tinta-da-china e o pincel se tivessem desenvolvido nesta direcção, a caneta e a tinta ocidental nunca teriam conhecido a sua aceitação actual, os adeptos dos caracteres latinos não teriam nunca tido audiência, e os idogramas e os "kana" teriam sido objecto de uma predilecção unânime e poderosa. E não é tudo: a nossa própria maneira de pensar e mesmo a nossa literatura não teriam imitado de forma tão servil o Ocidente e, quem sabe?, talvez tivéssemos caminhado em direcção a um mundo completamente original. Através destas reflexões, quis mostrar que a própria forma de um instrumento de aparência insignificante podia ter repercussões quase até ao infinito."

*não, não me enganei a escrever a data!

sábado, fevereiro 18, 2006

Areia

Não consigo parar, relaxar, saborear o mar e o vento.
Acordei assim, depois de assim ter adormecido.
Olho a paz na areia sob o céu cinzento e penso o que sofreu para chegar aqui.
Vejo o mar eguendo-se para a seguir cair em espuma acabando por desmaiar.

Comemos um "brownie", eu com café, ele com moscatel.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Gritar


www.likesbooks.com

Há dez anos represeitei Pandora.
Tinha de gritar frevorosamente quando abria caixa e me deparava com os males do mundo. Faziam-se apostas se seria capaz de tal grito. Consegui, consegui gritar.
Não tenho qualquer problema nas cordas vocais, mas, em todas as actuações, não tinha medo de esquecer o texto ou cair quando dançava; sentia o peito apertado até esse último minuto em que gritava.

Oficialmente só gritei três vezes. Sonho com frequência que estou a ser assaltada, quero gritar e não consigo. Não sai som algum. A paranóia dos assaltos presegue-me desde sempre - já nem ligo - mas a incapacidade de gritar aflige-me. A todas as vezes em que gritei seguiu-se um espantoso silêncio acompanhado de inúmeros pares de olhos esbugalhados.
Em todas elas me senti pior depois.
Sinto-me como se tivesse deixado cair a mala no meio da rua, espalhando carteiras, canetas, papéis, pensos higiénicos e sabe deus que mais...

Queria deixar sair todos os males da caixa, mas a minha garganta não tem espaço suficiente.


Imagino que deva ter engolido uma rolha quando era pequena.
Sei que enfiei uma avelã no nariz, a minha mãe costuma contar essa história. Tavez, quando a minhã mãe estava distraída, eu tenha engolido uma rolha que continua entalada até hoje.






Sushi

O sushi não foi feito para ser comido mas sim saboreado.
O sushi deve ser observado antes, deve-se olhar e pensar como se vai comer.
O sushi foi feito para se comer com calma, com gosto.

Não foi o que fiz hoje, mas fi-lo com quem gosto.
E apesar do gengibre não me ter sabido muito bem na boca, o almoço soube-me muito bem na alma.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

Small blue thing


Today I am
A small blue thing
Like a marble
Or an eye

With my knees against my mouth
I am perfectly round
I am watching you

I am cold against your skin
You are perfectly reflected
I am lost inside your pocket
I am lost against
Your fingers

I am falling down the stairs
I am skipping on the sidewalk
I am thrown against the sky

I am raining down in pieces
I am scattering like light
Scattering like light
Scattering like light

Today I am
A small blue thing
Made of china
Made of glass

I am cool and smooth and curious
I never blink
I am turning in your hand
Turning in your hand
Small blue thing


"Small Blue Thing", Suzanne Vega


Depois de esquecer o motivo do jantar.
Depois de me esquecer de ti chorando sobre o meu umbigo.
Foi bom lembrares-me de nós.
Foi bom ouvires-me cantar.
Foi bom lembrares-me que há quem sinta o mesmo que eu e o transforme em algo de belo.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Dia dos Namorados

Primeiro esperei por alguém por quem valesse a pena esperar.
Depois esperei que esse alguém também se cansasse de esperar.
Depois esperámos os dois que os alcoviteiros se juntassem para nos poderem juntar.
Depois esperei um telefonema até me garantirem que valia a pena esperar.
Depois de tanto tempo à espera quase desesperava!

Há sete anos e dois dias Árias telefonou-me.

- Estás a pensar vir cá este fim de semana? - perguntou-me.
- Claro! - que não estava, mas passei a estar.
Fiz a Jo ouvir toda a noite a mesma música. (castigo por nos ter feito esperar!)

Há sete anos e um dia meti-me no combóio para ir ter com Árias.

Á noite, vesti o vestido de cetim, pus a lua e as estrelas na cabeça e fui ter com ele.
Fomos ver a lua cheia de onde se vê melhor.

Há sete anos Árias telefonou-me.

- Tens namorado? - perguntou a minha mãe
- Tenho - respondi, com o calor a aumentar no peito (e na cara).

Nunca mais tivemos de esperar um pelo outro.




Esta foi a música que ouvi:

Close to me

I've waited hours for this
I've made myself so sick
I wish I'd stayed asleep today
I never thought that this day would end
I never thought that tonight could ever be
This close to me

Just try to see in the dark
Just try to make it work
To feel the fear before you're here
I make the shapes come much too close
I pull my eyes out
Hold my breath
And wait until I shake

But if I had your faith
Then I could make it safe and clean
If only I was sure
That my head on the door was a dream

I've waited hours for this
I've made myself so sick
I wish I'd stayed asleep today
I never thought that this day would end
I never thought that tonight could ever be
This close to me

But if I had your face
I could make it safe and clean
If only I was sure
That my head on the door
Was a dream

The cure

O Homem que Corria Mundo I

O Homem que Corria Mundo voava.
Voava da neve para a selva, voava do deserto para a praia.
O Homem que Corria Mundo podia estar em qualquer avião que cruzava os céus.
O Homem que Corria Mundo voava para tentar mudar o mundo.
Quando aterrava voava para o fim do mundo, onde nada muda.
Chegava, pousava as malas, fazia o natal e sorria.
O Homem que Corria Mundo quando não voava sorria.
O Homem que Corria Mundo deixou de voar e de sorrir.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

domingo, fevereiro 12, 2006

Dia (inter?)nacional da doméstica

A cozinha só consegue ser de arquitecta quando a arquitecta não cozinha.
A arquitecta não se dá nada bem com a cozinha.
Comprou uma placa com temporizador e, ainda assim, deixa o esparguete cozer demais.
Gosta de cozinhar para amigos, fazer receitas novas - às quais, inevitavel, impoderada e inexplicavelmente, acrescenta sempre qualquer coisa de muito pessoal que não estava previsto de modo algum na receita original.
Gosta de fazer doces - porque pode ir "provando" ao longo do processo.
Gosta de massas em geral e espaguete em particular.
Como hoje só tinha de fazer o almoço para si saiu o invariável almoço de fim de semana solitário - esparguete (espapaçado) com pesto e queijo ralado. Adora a simplicidade, o minimalismo, deste prato (que ainda assim não garante resultados perfeitos...)!
Entre o lauto pequeno almoço - esse sim, em estilo! - e o frugal almoço, deu com a cozinha num caos!

Surge então o pressentimento de que alguém se vai aborrecer um bocadinho se chegar de um Domingo de trabalho e der com a cozinha neste estado.
...ao serão e na arrumação...

Um tempinho para mim



Enquanto o meu amor está a trabalhar.

Enquanto a máquina lava uma roupa e a restante vai secando.

Enquanto o esparguete coze.

Sempre arranjo uns deliciosos minutinhos para mim...



sábado, fevereiro 11, 2006

Humor(es)

Deitei-me pensando em como melhor aproveitar o Sábado, quando acordei tive a resposta. Está Sol!
Saí para ir deixar Árias ao trabalho e percebi que estava quente!
"Adamastor". Tinha várias coisas para fazer no Chiado, começavam por ir beber café ao Sol.

Anna foi ter comigo. Nada melhor para aproveitar o Sol do que ter uma alemã por perto. Acabámos de beber café, esqueci tudo o que tinha para fazer, abrimos o tejadilho e fomos fazer um piquenique ao Guicho.

Sol.
Mar.
Os pés na areia.
Andar.
Ver pessoas a sorrir.
Vento bom a emaranhar os cabelos na cara.

Sigrid e o namorado vieram ter connosco. À alemã juntou-se uma austríaca e passámos o resto da tarde na esplanada, com a cara cada vez mais rosada (que não sou mais morena que elas).
Quando veio o frio voltámos a Lisboa.

Entrámos no Vasco da Gama e íamos morrendo de enoclofobia. Combinei com Anna que, se ela não aguentasse podia dar-lhe boleia meia-hora depois. Meia-hora depois queria fugir e não conseguia, com o trânsito completamente entupido; demorei 45 minutos do estacionamento à rotunda do Pavilhão do Conhecimento.
Segui em direcção ao amor da minha vida para o encontrar com um humor indiscritível.
Duas horas mais tarde ainda estava no carro, depois de correr Lisboa não queiram saber porquê; perdida de sono como me acontece sempre que ando de carro por algum tempo.

Pelo caminho ia cheirando as mãos para me lembrar do mar, já tão longínquo.

"Na alegria e na tristeza", dizem. No bom, no mau e no péssimo humor; acrescento!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Há coisas que me intrigam...

O termo "doença prolongada" sempre me intrigou, melhor dizendo, sempre me deixou intrigada.
Em pequena, quando ouvia dizer no telejornal que fulano "faleceu vítima de doença prolongada" ficava intrigada com que doença seria essa.
Com o tempo, fui-me apercebendo que a tal doença prolongada estava invariavelmente associada a uma "vítima" que (pelo menos quando tinha direito a ser notícia - o que também me intriga...) acabava por "falecer". Então passei a ficar intrigada com qual das doenças seria.

Que doença(s) essa(s) que não se quer dizer o(s) nome(s)?!...
Serão essas vítimas iguais, com vidas iguais, com sintomas iguais de iguais doenças que se refira à(s) doença(s)prolongada(s) como se de uma peste se tratasse?!...
Pensando nas inúmeras doenças susceptíveis de incluir no conceito de doença prolongada comecei a ficar intrigada sobre o sentido do termo em si:

doença
do Lat. dolentia
s. f.,
- alteração na saúde; falta de saúde; mal, moléstia, enfermidade;
fig.,

- mania; paixão; vício; defeito.

prolongada
sing. part. pass. de prolongar

fem. sing. de prolongado
do Lat. prolongare
v. tr.,
- tornar mais longo; estender; dilatar; aumentar a extensão, a duração de; espaçar; retardar;
v. refl.,
- estender-se; esticar-se; durar.


Fiquei, uma vez mais, intrigada.
Estou em crer que, como em todas as situações na(s) vida(s), as vítimas (pois se quisermos usar termo "vítima", este não se cinge a quem possa vir a "falecer") não há interesse em viver uma doença prolongada. Daí, deduzo, não será a doença a ser prolongada, mas sim a vida.
Com a doença, apesar da doença, para além da doença, prolongada é a vida.

Invocaçao

E vós, Tágides minhas, pois criado
Tendes em mim um novo engenho ardente,
Se sempre em verso humilde celebrado
Foi de mim vosso rio alegremente,
Dai-me agora um som alto e sublimado,
Um estilo grandíloquo e corrente,
Porque de vossas águas, Febo ordene
Que não tenham inveja às de Hipoerene.

Dai-me uma fúria grande e sonorosa,
E não de agreste avena ou frauta ruda,
Mas de tuba canora e belicosa,
Que o peito acende e a cor ao gesto muda;
Dai-me igual canto aos feitos da famosa
Gente vossa, que a Marte tanto ajuda;
Que se espalhe e se cante no universo,
Se tão sublime preço cabe em verso.


Luís de Camões in "Lusíadas"

Oh Musas em geral!
Não pensais vós que estamos já em xabbath pois que o dia do descanso virá apenas com o anoitecer...
Oh Tágides!
Vós que olhais o edifício sobre o qual me debruço, não me abandoneis que ainda tenho de ter uma boa ideia antes que o sol se ponha...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Sentido do tempo

Acabei de me aperceber que, no blog, lemos de cima para baixo o que foi escrito de baixo para cima.
Vejo a semana em rewind como um filme visto de trás para a frente...
Sinto-me ao contrário.

Quando damos por ela estamos a partilhar disparates. "Mas, também,
de que outro modo descobriríamos quem os entende?"

Miro



O gato.



Hoje de manhã




foi a minha mãe a acordar-me. E mãe é mãe.
Ontem, apesar dos esforços, acabámos por nos deitar mais tarde do que queríamos afinando pormenores da toilette para o grande dia. Hoje saí da cama ainda de madrugada, sem exagero. Era tão madrugada quanto me apercebi do dia a nascer enquanto tomávamos o pequeno almoço.
Consegui chegar a horas ao atelier. Uma vitória.
São 5 da tarde e preparo-me para ir buscar o meu 5º café, sem exagero.
Todos os meus neurónios estão profundamente adormecidos (talvez aqui haja um pouco de exgero).

Apetecia-me dirigir ao autor a frase que ele próprio declama na madrugada que sucede a noite em claro:
"O crime compensa!"


quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Despertar


Foto de Yakkira


"Põe o despertador longe da cama"


Ao fundo das escadas, onde moro, temos um sistema comunitário de estacionamento que consiste em estacionar onde houver espaço e deixar indicação da campainha em que, quem estiver trancado, deverá tocar. Sempre que se proporciona, deixamos à noite os carros dispostos pela ordem de saída do dia seguinte. Quando isso não acontece sabemos que trocamos o tempo de procurar de lugar por uma eventual perda de alguns minutos de sono.
Todos os dias de semana, impreterivelmente, o vizinho-do rés-do-chão-direito sai de casa às 8 horas em ponto para tocar às campainha devidas de modo a que os vizinhos venham tirar os seus carros enquanto a esposa e os filhos entram para a carrinha. Antes das 8h15 o "autocarro" sai.
Depois de tentar todos os métodos tradicionais para me obrigar a sair da cama a tempo de chegar ao trabalho às 9h30 resolvi adoptar o toque de campainha pelo referido vizinho como despertador. Ontem estacionei o carro estrategicamente à frente do "autocarro" e pedi a Árias que me obrigasse a ir eu tirar o carro. Não é uma ideia que lhe agrade muito desde o dia em que, ainda a dormir, não vi um contentor quando fazia marcha atrás; mas na perspectiva de mais uma vez eu ter de ir para o atelier de taxi, qual dondoca, acabou por aceder.
Às 8 horas em ponto a campainha tocou. Saí da cama, despi o pijama, vesti quaquer coisa, procurei as chaves, saí de casa, desci as escadas, saí do prédio, tirei o carro, estacionei o carro em local apropriado, voltei para casa, entrei no quarto e parei. "Se volto para a cama vou-me atrasar outra vez...Não vou nada, são só vinte minutos."
Inexplicavelmente passou-se uma hora até Árias me acordar.
"Põe o despertador longe da cama" tinham-me dito...

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Ha dias dificeis

Há dias em que parece que tudo se conjuga para tornar a vida mais complicada.

Há dias em que parece que todos se conjugam para nos provocar desânimo.

Há dias em parece que nos conjugamos para atrair motivos de ansiedade.

Há dias que começam mal e nos fazem perder a esperança de que acabem bem.

Geralmente começam quando o despertador não toca,
mas isso é só o princípio...

Nestes dias não devíamos sair da cama.

domingo, fevereiro 05, 2006

Prenda para a Aquariana

Imensa gente gosta do arco-íris. As crianças pedem desejos quando os vêem, os artistas pintam-nos, os sonhadores perseguem-nos, mas o aquariano está à frente de todos. Ele vive num. E o que é mais, ele já o desmontou e examinou, peça por peça, cor a cor, e continua a acreditar nele.Não é fácil acreditar numa coisa depois de saber como ela é realmente, mas o aquariano é essencialmente um realista, embora o seu endereço seja o futuro, com um código postal azul-forte -mais-além.
Tal como a atónita Alice, levada através do labirinto do País das Maravilhas pelo aquariano Lewis Carroll, você terá de estar permanentemente preparado para o inesperado com os uranianos. [...]
A astrologia ensina-nos que "a maneira como o aquariano pensa, é como o mundo pensará daqui a cinquenta anos". Isto pode ser verdade, mas não há dúvida que hoje não estreita o fosso entre os regidos po Úrano e o resto de nós. Este signo solar é conhecido pelo signo do génio, e é-o realmente, uma vez que setenta por cento das pessoas famosas são aquarianas solares ou têm ascendentes aquarianos. Por outro lado, uma percentagem substancial dos que se encontram encerrados em instituições mentais, ou que têm sessões regulares com um analista, são igualmente aquarianos. Diz-se que há uma linha muito fina a dividir o génio da insanidade, e os seus amigos uranianos podem por vezes levá-lo a interrogar-se sobre qual o lado da linha em que estarão. [...]

"Mas Alice tinha-se habituado de tal maneira a esperar que não acontecessem se não coisas estranhas que parecia monótono e estúpido a vida continuar da maneira habitual...

Ponham gatos no café, e ratos no chá - E recebam a Rainha Alice com trinta e três vivas!" *

in "Os signos do Zodíaco de Linda Goodman"
*excerto de "Alice no País das Maravilhas" como introdução à mulher de aquário

Que bem que se está...


http://cafe-taborda.planetaclix.pt/restaurant.htm

Acordar com o sol a bater na cara.
Pequeno almoço na cama.
Tomar banho e sair.
Rossio. Esplanada da Suiça.
Almoçar mexilhões.
Jantar em Leiria.
Sorrir muito.
Adormecer na nossa cama.
Acordar com o sol a bater na cara.
Pequeno almoço na cama.
Tomar banho e almoçar esparguete com cogumelos.
Apanhar sol com Árias na varanda.
A vizinha de cima a ouvir Chopin.
Sair.
Café com companhia.
Costa do Castelo. Taborda.
Comprar o jantar.
Voltar a pé para casa.

Que bem que se está
quando se está bem!

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Tabaco(s)


ou "Maus Hábitos"

Há um ano tentei dar o exemplo de como é possível deixar de fumar. Queria dar o exemplo a quem, ainda mais que eu (se faz alguns sentido pôr as coisas nestes termos), deveria deixar de fumar.
Com o dinheiro que não fiz arder consegui comprar-me alguns mimos que ainda tenho, a contrário do que aconteceria aos cigarros. Fora isso ficou tudo como antes.
Na primeira directa depois de parar de fumar, no dia em que Portugal jogou com a Inglaterra (sim, hove pessoas a trabalhar nessa noite!) voltei a fumar.
Português Suave Azul.
Gosto de cigarros portugueses. O meu tabaco de eleição será sempre o SG Gigante, fiel companheiro dos cafés no Alentejano. Mas, desde que vim para Lisboa, para não asfixiar, tive de passar a fumar "merdas lights" (definição tão precisa quanto concisa de Irina).
Quando tiraram o Suave ao Português fiquei furiosa. Como fumadora, como portuguesa e até como arquitecta. Cada vez que peço um maço de tabaco fico à espera de ver em cima do balcão um estrumpfe vestido de campino.
Agora que o tabaco vale o que vale não vejo alternativa ao tabaco de enrolar.
Quando não me quero lembrar como o conheci, penso na cidade; é doce e cheira bem.

Café(s)


ou "Bons Hábitos"

Adaptando velhos hábitos às contingências que a vida me foi impondo consegui, finalmete, criar uma nova rotina.
No primeiro ano em que vivi em Lisboa ainda consegui manter alguma vida de café. Claro que não era o saudoso Alentejano, mais que Café, essa instituição onde lia, escrevia ou desenhava enquanto esperava alguém que certamente aparecia, às vezes para desenhar com café. Não tive a sorte da Si que trocou o Alentejano pelo Café Paraíso como se não tivesse mudado de cidade.
No primeiro ano em que vivi em Lisboa ía à Brasileira de madrugada ou ao fim do dia e lia, escrevia ou desenhava.
Com o tempo deixei de conseguir fazer madrugadas, deixei de ter os meus bucólicos fins de tarde. Mas no Sábado ainda ía à Brasileira com a Sushi,com quem partilhava a casa, que partilhava os mesmos hábitos como partilhara o mesmo Café. Se as finanças estavam mais apertadas, íamos até à Camponesa beber café e ler o jornal. Às vezes, em desespero, lá me arracava à cama mais cedo e ía tomar o pequeno almoço aos Pastéis de Belém, antes de subir para a faculdade. O meu doce luxo.
Árias não partilha na mesma medida esta necessidade de ir ao Café. Não deve beber café desde o Tarro, onde abusava. Sorrateiramente, fujo de casa no Sábado de manhã e deixo-o a dormir. Despeço-me com um "vou beber café" sussurrado para não o acordar e volto três horas mais tarde para o encontrar esfomeado a resmungar que não percebe como se domora tanto tempo a beber café. E esse tempo não me chega...
O Café é o meu local de meditação, o café elixir da clarividência. Bebo café quando preciso de acordar e quando preciso de me acalmar. No Café leio, escrevo, desenho...
Agora venho ao Café almoçar e escrevo.
Aqui fujo do mundo sem o perder de vista como o gato que se esconde para não ser visto num sítio de onda possar ver.
Assim, ao fim de dez anos a viver em Lisboa, arranjei o espaço para poder, quase diariamente, escrever, ou ler, ou desenhar.
Encontrei, na cidade e no tempo, o espaço onde saborear a vida.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

A oriente

Sabe bem ter alguém por perto que não fica contente com a notícia do meu casamento.
Afaga o ego.

Só é pena não me fazer levantar mais cedo.

(E será tanto melhor e mais duradouro quanto mais inconsequente)

E a folha nem está em branco

Bloqueio. Branca. Vazio.
Olho para os desenhos e são linhas desconexas sem qualquer significado.
Olho para a régua, prisma triangular em plástico sem utilidade aparente.
Olho para o relógio e sinto-me mal comigo mesma.
Não percebo. Não me reconheço.
Estou-me a preparar para uma crise de identidade.

"Quis saber quem sou
O que faço aqui..."


(por alguma razão esta música é um clássico neste atelier)

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Um dia a ternura vai abraçar o mundo I

Coberta de veludos e sedas, Anaïs sai de casa disposta a amar.
Ama as pessoas, os sítios, as cores, os cheiros.
Ama a vida e quer que os outros a amem também.
Gosta de amar, do processo, do acto, do envolvimento.
Gosta de oferecer carinho, gosta que sorriam à volta dela, gosta do calor do afecto.
Sabe que só se vive uma vez. Sabe que o tempo passa a correr.
Vive cada dia como se fosse o primeiro, cada homem como se fosse o único, cada momento como se fosse o último. E fica feliz por não serem, por a vida se ir cobrindo de dias, de homens, de momentos. Todos eles primeiros, únicos e últimos.
Oferece-se aos olhares tristes sem a menor hesitação. Tenta dar-lhes o prazer que enche de brilho os olhos.
Anaïs fica feliz com a felicidade que proporciona aos outros.

O que fará quando perceber que as pessoas não ficam felizes com tão pouco?

Dez razões a favor da fidelidade

Discordo de quem pensa que difícil é ser fiel.
Reconheço que, em teoria, possa parecer exigir esforço, como deixar de comer carne, como se fosse contra-natura.
Na prática, é muito mais simples…basta deixar-nos estar sossegados!

Ser infiel exige muito de uma pessoa:

1 – É preciso ter tempo (para se sair com o companheiro – porque é normal - e sem ele – porque é mais prático)
2 – É preciso ter calma (para não se abrir o jogo à primeira investigação)
3 – É preciso ter estofo (para disfarçar o sorriso de orelha a orelha ou arranjar uma boa justificação)
4 – É preciso motivação (se se estiver bem* não nos vamos meter em alhadas por “dá cá aquela palha”)
5 – É preciso motivação (se se estiver bem* é preciso encontrar alguém com quem se pense que pode ser melhor)
6 – É preciso boa companhia (a não ser que se parta para uma saída a solo especialmente dedicada ao engate*, convém que a companhia não dê com a lingua nos dentes a seguir nem nos encha a cabeça com inúteis problemas de conciência)
7 – É preciso alguma inconsciência (para não pensar demais nas consequências)
8 – É preciso ser consciente (para lidar com as consequências)
9 – É preciso ser paciente (para aturar as consequências)
10 - É preciso tê-los para se ser infiel (talvez por isso (se diga que) os homens são mais infieis.)

*Se não se estiver bem a questão não se coloca em termos de infidelidade mas de masoquismo.


“Difícil não é ser fiel, é encontrar o homem que o mereça” Marlene Dietrich

Ás vezes o mundo é mais pequeno

Quando as memórias se esbatem e se confunde a realidade com o imaginado é bom ter alguém que nos diz "É verdade, eu vi; eu estive lá."
E quando são amigos, quando é a amiga, então acreditamos.

Quando encontramos alguém que se cruzou no nosso caminho nalgum desses momentos que guardámos num canto tão escuro de nós que temos dificuldade em saber se existiu, quando esse alguém também se lembra, então acreditamos em nós.

E quando acontece tudo no mesmo dia, e todos estivémos lá, e todos lembramos quem lá esteve...


Sim, era eu.
Era eu que lá estava.


Há abraços que valem mais de mil palavras.
Há histórias que valem mais de uma vida.
Assim se vê...